Igreja Batista Fundamentalista Cristo é Vida

Bíblia Online

[ cristoevida.com ]

  • youtube
  • Instagram
  • twitter

Artigos

IGREJA BATISTA FUNDAMENTALISTA CRISTO É VIDA
www.cristoevida.com


O Crente e o Processo Eleitoral


Vamos voltar às urnas para o Segundo Turno das Eleições Municipais. E agora, em quem devo votar?

O Pastor da nossa igreja, José Nogueira, confidenciou recentemente que têm certas coisas do seu passado que ele gostaria que jamais voltasse à sua mente. Todos nós temos alguma coisa no passado que gostaríamos que jamais tornasse a emergir. Antes do primeiro turno das eleições municipais o Pastor pediu-me para falar sobre o processo eleitoral. Ao elaborar o esboço da palestra, vi algumas dessas coisas indesejáveis emergirem em minha mente. E acabei por utilizar a base daquela palestra para escrever o texto que hora vos apresento.

Na noite em que fiz a palestra relembrei uma poesia que fiz há uns 25 anos. Naquela época eu era um simpatizante da Esquerda. Simpatia que, depois, evoluiu tornando-se militância. Sim, meus irmãos, eu fui um militante da Esquerda. E estas são lembranças indesejáveis que, às vezes, afloram.

Determinada vez, quando eu era Esquerda, estava em uma praça de São Paulo observando um mendigo. A uns 20 metros de onde eu estava, ele, sentado, segurava uma lata de goiabada que, como se fora um prato, estava cheia de comida. Restos, provavelmente.

Durante longos minutos aquele farrapo humano fitou o amontoado de comida. Subitamente, num momento em que nem sei o que se passava pela minha cabeça, ele atirou a lata no chão com toda violência. Vivíamos os últimos anos do Governo Militar e a presença de policiais policiando era coisa bem freqüente. Um desses policiais se aproximou e deu uma bronca no mendigo.

Na hora, lancei mão do meu caderno de poesias e, ali, na praça, fiz mais uma das quase quinhentas poesias que escrevi quando jovem.

Surpreso? Sim, fui poeta. Não sei quantas poesias já escrevi, mas lembro-me bem que, nesta época, tinha quase 500 cuidadosamente acondicionadas em uma enorme caixa de papelão. A maioria, romântica. E de um romantismo piegas, muito comum em uma época onde pontuavam compositores como José Augusto, Gilliard e Márcio Greyck.

E foi sobre influência da cabeça esquerdista que naquele dia, naquela praça, fiz uma das poesias que lamento ter perdido. Lembro-me que descrevi a cena ao mesmo tempo em que a pincelei de sentimentos esquerdo-humanistas. Ao mendigo, personagem real da minha poesia, atribuí diversos adjetivos. Desde o momento em que ele começou a perambular pela praça, o sentar-se, o mirar a lata de comida até o gesto brusco de atira-la ao chão. Cada uma das fases mereceu um adjetivo. Um dos trechos, dizia: “No desespero tu atiras as coisas (...) ‘Baderneiro’, atrapalhaste o descanso do doutor”.

A poesia terminava, claro, com uma pitada política: “Num certo quinze te enchem de promessas / Batem nas costas e te chamam ‘gente’ / Mas tudo acaba qual uma quarta-feira / Depois tu voltas para uma sarjeta / ‘Eleitor’, tu não passas de ‘Eleitor’.”

Foi remexendo essas lembranças que voltei minhas atenções, nos últimos dias, para a figura do Eleitor. Que não passa, ainda, de Eleitor.

Onde se enquadra o Crente em um processo eleitoral? Somos “forasteiros” nessa terra. E, como forasteiros, devemos obedecer às leis que regem o país onde vivemos. Nesse ponto, a Bíblia é rica em referências de como deve ser nosso posicionamento político. A maioria deles, para frustração dos militantes e contestadores, nos leva a uma atitude de quase contemplação do que acontece em nosso derredor, politicamente falando, claro. Não uma contemplação passiva. Requer atitude, sim. Mas uma atitude onde se coloca nas mãos de Deus aquilo que nosso coração deseja que os políticos façam. Parafraseando Geraldo Vandré, um ícone da Esquerda brasileira, diria: “Quem sabe o que faz, ora, e espera acontecer”. Deus é o Senhor da História, e não o homem. E o enunciado de muita gente, principalmente da maioria dos militantes da Esquerda, é justamente o oposto: O homem sabe o que quer. Deus não existe.

No segundo livro de Samuel encontramos uma orientação para o povo pelejar, sim, mas o resultado deveria ser segundo o coração de Deus: “Sê forte, pois; pelejemos varonilmente pelo nosso povo e pelas cidades de nosso Deus; e faça o SENHOR o que bem Lhe parecer” (2 Samuel 10.12). Já no Salmo 137, versículo 1 vamos encontrar o povo de Israel numa atitude que chocaria os revolucionários de hoje. Mesmo estando em cativeiro, humilhados, a Bíblia relata que não havia revolta. Está lá: “As margens dos rios da Babilônia nos assentávamos e chorávamos”.

A Bíblia toda está recheada de citações onde o SENHOR determina a seus servos a necessidade de serem bons cidadãos, cumpridores das normas instituídas pelos governos. Vejamos algumas dessas citações: “Todo aquele que não observar a lei do teu Deus e a lei do rei...” diz Esdras 7.26; “Observa o mandamento do rei...” reforça Eclesiastes 8.2; “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores...” lemos em Romanos 13.1-7; “Se sujeitem aos que governam, às autoridades” lemos em Tito 3.1,2 e “Sujeitai-vos a toda instituição humana... quer seja o rei como soberano...”, conclui a Primeira epístola de Pedro no capítulo 2, versículos 14 e 14.

Todas essas passagens são conhecidas e estamos conscientes da sua veracidade. E todas elas são aplicadas à observância de respeito às autoridades. Mas e quando a coisa ainda não se concretizou? E quando as pessoas são simplesmente candidatas? Qual deve ser a posição do Crente?

Há um episódio bíblico bastante interessante para abalizar nosso posicionamento. O livro de Ester fala de um certo Hamã, a quem Assuero, que reinava desde a Índia até a Etiópia, elevou à posição de destaque entre os demais. Assuero decretou que todos deveriam se inclinar e se prostrar diante de Hamã. Mas havia um homem, respeitador das leis e regras impostas, que a isso se recusou a atender. Era Mordecai. A recusa não era vaga, tinha uma razão. Afinal de contas a Bíblia registra que Hamã era filho de Hamedata, sendo ambos agagitas. E o que tem isso demais? Algo bem simples, os agagitas eram adversários dos Judeus (Ester 3.10). E contra eles, inclusive, empreenderam feroz perseguição (Ester 3.6). Mordecai recusa-se a se inclinar a esse homem.

Mordecai pagou um preço pela sua postura. Mas foi recompensado, também. A reação do povo diante do reconhecimento posterior de Mordecai foi de regozijo. Diz o relato bíblico: “Então Mordecai saiu da presença do Rei com veste real azul-celeste e branco [as cores de Israel], como também com grande coroa de ouro e manto de linho fino e púrpura; e a cidade de Susã se exultou e se alegrou” (Ester 8.15).

O Crente em Jesus Cristo deve ansiar pelo engrandecimento de homens que não sejam ímpios. Provérbios 29.2 diz que “quando os justos se engrandecem, o povo se alegra, mas quando o ímpio domina, o povo suspira”. E o significado do adjetivo “ímpio” é Incrédulo, ateu, sem fé.

Na oposição dos agagitas a Israel está embutida à oposição a Deus e a tudo que a Ele se refere. Na exaltação de Mordecai, em sua apresentação em azul e branco, está embutida a aprovação a Deus e a tudo a que Ele se refere. Uma boa forma de o Crente em Jesus Cristo escolher seu posicionamento político é buscando que sejam elevados a cargos públicos pessoas que sejam alinhadas a posturas mordecaianas e nunca hamãnianas.

Se Hamã não fosse inimigo de Israel, mesmo não sendo Judeu, teria recebido a submissão de Mordecai. Mordecai não se sublevou a Hamã por ele “não ser” Judeu, mas por ele “ser ímpio”.

Nos dias de hoje, no processo de escolha dos nossos governantes, devemos observar os candidatos de acordo com os partidos a que se alinham. Uma vez feita a escolha, a responsabilidade sobre os desdobramentos será do próprio povo. Se resolverem escolher um ímpio, colherão os resultados da sua escolha.

A esta altura, uma pergunta se coloca: Quem é digno de ser o escolhido? Seguramente, ninguém. Não há justos sobre a Terra. Então, o quê fazer? O contexto bíblico mencionado dá-nos uma direção para isso: Mordecai balizou sua postura pela posição que o não judeu Hamã tinha em relação ao Povo de Deus.

Qual a postura do seu candidato em relação a Israel? Qual a postura do seu candidato em relação às regras de convivência em sociedade? Elas são consoantes à Bíblia Sagrada?

Arrisco-me a traçar um paralelo difícil nesse momento. Imagine que você está no interior do Estado em um final de semana. Imagine que você é obrigado, por lei, a freqüentar um culto religioso no Domingo. Há, na cidade, apenas uma congregação da Assembléia de Deus. Lá você encontrará pessoas falando em línguas, profetizando e, quem sabe, até realizando alguns pseudomilagres. Imagine, ainda, que, na mesma cidade, há um grupo da Renovação Carismática Católica. E, lá, as mesmas coisas: línguas, profecias e milagres. Sabemos que tudo isso são coisas que batem de frente com nossas doutrinas. Sendo, na hipotética situação proposta, “obrigado” a participar de uma função religiosa, para qual das igrejas você iria?

Claro que o exemplo acima não é bíblico e não resistiria a um mínimo de exegese. Elaborei-o apenas a título de paralelo. Segundo a Legislação Brasileira somos obrigados a votar. Se o voto fosse facultativo, seria como estar na cidade hipotética acima sem a obrigação de ir ao culto. Provavelmente você faria o mesmo que eu. Ficaria em casa, faria uma leitura bíblica, um estudo, oração e pronto. Abstenção.

Fortaleza está diante de um embate político no Segundo Turno das Eleições. Como cidadão, cada membro da nossa igreja é convocado a votar. E nos encontramos diante de um impasse semelhante ao de Mordecai.

Proponho, então, que você se debruce sobre os candidatos (Luizianne e Moroni) e seus partidos (PT e PFL). Quais são suas propostas? Quem se alinharia a Israel? E quem seria Agatita?


Roberto Santos


2004-10-06 00:00:00

TV Cristo é Vida - Ao Vivo aos Domingo
Israel 2018

© IBFCV • Igreja Batista Fundamentalista Cristo é Vida

Avenida K, nº 911 - Planalto da Barra - Vila Velha - Fortaleza - Ceará - Brasil - CEP 60348-530 - Telefone: +55 85 3286-3330