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Dons Revelacionais e Dons de Sinais

26/03/2012


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O ensino Bíblico sobre

os Dons Revelacionais e Dons de Sinais

 A prova de que os dons carismáticos cessaram

 

 Peter Masters*

Dons espetaculares eram sinais dados por Deus para uma geração

  

Ensina a Bíblia, de modo definitivo, que os dons carismáticos cessaram? Pode o cessacionismo (a concepção de que eles terminaram) ser provado? Alguns dizem que a cessação dos dons não pode ser conclusivamente provada a partir das Escrituras.

 

Cremos, todavia, que o término de dons revelacionais e de sinais nos dias dos apóstolos é ensinado de maneira clara na Palavra de Deus; de modo tão claro, que a concepção oposta a este ensino, somente apareceu, de modo substancial, por volta dos últimos cem anos.

 

O termo cessacionismo é proveniente das grandes confissões de fé do Século XVII, tais como as confissões de fé de Westminster e Batista. Ambas as confissões usam a mesma palavra. Ao falar a respeito de como Deus tem revelado sua vontade, registrando-a nas páginas da Escritura, as confissões dizem: “tendo cessado aqueles antigos modos de Deus revelar a sua vontade ao seu povo...”. A palavra em si não é na realidade proveniente da Bíblia, porém a doutrina é!

 

Não somente é já completa e cessada a revelação, como também têm cessado os sinais que mostravam que ela estava em progresso. Segue aqui um breve sumário de seis provas bíblicas de que os dons revelacionais (visões, palavras de conhecimento, palavras de sabedoria e profecias) cessaram, e também os dons de sinais (curas e o falar em línguas). Deus continua a curar, é claro, porém em resposta a oração, e não através das mãos de um operador de milagre dotado do dom de cura.

 

A passagem controversa de 1 Coríntios 13. 8-10 não será usada neste artigo para provar o término dos dons, uma vez que faremos referencias somente às passagens que cremos serem conclusivas.

 

1. Tais dons não ocorrem desde o período dos apóstolos.

 

 A primeira prova do final dos dons revelacionais e dos dons de sinais está ligada ao fato de que curas e maravilhas somente poderiam ser realizadas pelos apóstolos, sendo sinais especiais que autenticavam seus ministérios como apóstolos. Em 2 Coríntios 12.12 Paulo diz: “Os sinais do meu apostolado foram manifestados entre vós com toda a paciência, por sinais, prodígios e maravilhas”. Uma outra tradução diz: “As marcas de um apóstolo — sinais, maravilhas e milagres — foram demonstradas entre vocês, com grande perseverança.” 

 

Havia algumas pessoas na igreja de Corinto que desafiaram o apostolado de Paulo. Para defender-se, ele chama atenção para o seu dom de cura e de operar outros sinais miraculosos, declarando que somente os apóstolos poderiam realizar tais fenômenos.

 

Um apóstolo era alguém que acompanhara o Senhor, que o viu após sua ressurreição, e foi pessoalmente comissionado por Ele. Como uma testemunha especial da ressureição de Cristo, ao apóstolo fora dado poder para curar. Ele também seria uma pessoa a quem seria mostrada “toda a verdade” pelo Espírito Santo (João 14.26 e 16.13), e assim escreveria a Escritura ou a endossaria.

 

Os crentes precisariam saber quem eram os verdadeiros apóstolos de modo a respeitar sua autoridade única. Eles os conheceriam pelas suas curas e outros sinais. Pessoas que não pertenciam ao grupo dos apóstolos (o qual incluía também dois assistentes cujos nomes estão registrados) não poderiam realizar estes sinais. Se outras pessoas os pudessem realizar, então ninguém poderia estar certo a respeito de quem eram os verdadeiros apóstolos.

 

Em Atos 2.43 e 5.12 faz-se novamente claro que todos os milagres foram “feitos pelas mãos dos apóstolos”. Este era um sinal exclusivo deles. Também em Hebreus 2. 3-4, os dons de cura estão firmemente conectados aos apóstolos.

 

Paulo foi um apóstolo em virtude de ter visto o Senhor ressuscitado, e por ter sido diretamente comissionado por Ele. Embora não tendo recebido treinamento da parte de Cristo (do modo como receberam os outros apóstolos) ele foi ensinado e capacitado ao receber do Senhor revelações especiais e únicas. Ele mesmo declara em 1 Coríntios 15.8 que fora um que “nasceu fora de tempo”, indicando assim que ele foi o único apóstolo chamado fora do grupo original, e assim sendo, o último deles. (Reivindicações modernas ao apostolado não condizem com as qualificações bíblicas, sendo assim impróprias e erradas).

Quando algumas pessoas dizem que o cessar dos dons de sinais não pode ser provado a partir das Escrituras, elas se esquecem de que o livro de Atos diz especificamente, que curas e outras maravilhas eram coisas exclusivas dos apóstolos, que agora já saíram de cena após suas mortes.

 

Quando as igrejas haviam crescido e multiplicado, Pedro foi à cidade de Lida, e então Jope, e como é bem conhecido, curou Eneias e ressuscitou a Dorcas dentre os mortos. Comunidades inteiras ficaram atônitas, porque nenhum dos outros crentes em tais localidades podia fazer tais coisas.   

 

Quando um rapaz caiu de uma janela em Trôade, havia apenas uma pessoa presente que o poderia ressuscitar, e esta foi Paulo. A ideia pentecostal de que curas foram realizadas por muitos e diferentes crentes simplesmente não se encontra no Novo Testamento. O registro fala somente dos apóstolos como tendo realizado curas, e junto com eles dois assistentes ou enviados apostólicos, Estêvão e Filipe, e possivelmente Barnabé.

 

A única vez que alguém, fora deste grupo, realizou uma cura foi quando o Senhor disse a Ananias que curasse Paulo. Não há nenhuma outra cura além dessas na igreja primitiva. A ideia Pentecostal/neopentecostal de que curas aconteciam continuamente, realizadas por crentes em geral não é ensinada na Bíblia. Assim, o registro infalível da Escritura mostra como a abordagem inteira do pentecostalismo quanto às curas é um erro baseado em um mito. O registro prova que as curas e os feitos poderosos foram restritos a uma classe de pessoas que agora se extinguiu, quando o último apóstolo morreu.

 

2. o propósito temporário das línguas.

 

A segunda prova de que os dons de sinais têm cessado refere-se ao falar em línguas. A Bíblia declara que o falar em línguas foi dado por Deus especificamente como um sinal aos Judeus, sinalizando a eles que a nova era do Messias havia chegado.

 

Em 1 Coríntios 14.21-22, Paulo diz, “Está escrito na lei: Por gente de outras línguas, e por outros lábios, falarei a este povo; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor. De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis”. Em outras palavras, o dom de línguas foi uma prova miraculosa para os Judeus que eram resistentes em crer em Cristo, de que uma nova era, e a Igreja em uma nova ordem, haviam chegado (não mais uma igreja constituída apenas de Judeus, mas sim uma igreja constituída por Judeus e Gentios). O dom de línguas não era para o benefício de Judeus que haviam crido, mas um sinal de promessa e advertência àqueles Judeus que não creram.  Não foi destinado aos Gentios, mas aos Judeus.

 

Paulo cita Isaías 28.11, um capítulo no qual Isaías profetiza a vinda de Cristo. Como um sinal aos Judeus, Isaías diz que Deus, através de pessoas de “lábios gaguejantes, e por outra língua, falará e este povo”. Línguas gentias os desafiarão e censurarão; de fato uma experiência muito depreciativa para pessoas judias. Ao mesmo tempo isto foi um sinal de que a era messiânica traria Gentios para a igreja, e o evangelho seria pregado em outras línguas (idiomas).

 

Esta seria uma marca da nova era quando Deus desceria a bandeira da igreja Judia, e hastearia a bandeira da igreja Judaico-gentílica de Jesus. Judeus não crentes, que resistiram a Cristo e se apegaram às saias de Moises, provariam a Palavra de Deus sendo-lhes pregada em línguas bárbaras e Gentias.

 

Tudo isso sucedeu, a começar no dia de Pentecostes. Os Judeus foram ali devidamente chamados e advertidos; mas as línguas não são mencionadas fora do livro dos Atos dos Apóstolos e 1 Coríntios 12-14, mostrando assim que elas haviam realizado seu propósito de advertir os Judeus de que a nova era havia chegado. 

 

Este anúncio da era da igreja foi realizado enquanto os apóstolos ainda viviam, e os sinais desde então foram retirados. Aquilo que se passa por dons de línguas nos dias de hoje não é realizado na presença de Judeus céticos e duvidosos, e não tem nada a ver com o sinal das línguas do Novo Testamento. O sinal de que a era da Igreja chegara serviu ao seu propósito, e tem sido sobrepujado pela realidade para a qual apontava.

 

O Evangelho é agora pregado em praticamente todas as línguas no mundo, e o sinal de que isso aconteceria foi extinto há muito tempo. O propósito de línguas (de acordo com o ensino de Paulo) foi cumprido, provando assim sua descontinuidade.

3. as línguas eram idiomas reais já existentes

 

A terceira prova da cessação dos dons de sinais é uma adição à segunda prova; a saber, que foi um dom de línguas reais que foi dado no dia de Pentecostes (e por algum tempo após aquele dia), mas este dom jamais tem sido visto desde aquele tempo. Deveria ser óbvio para nós, que as línguas miraculosas do livro de Atos e 1 Coríntios jamais ocorreram desde aqueles dias.

 

O falar em línguas dos dias atuais não é de modo algum feito por meio de línguas humanas conhecidas, mas sim falas desarticuladas e sem significado. Nada de miraculoso acontece. Nos tempos do Novo Testamento, ao que falava em línguas, lhe fora dado pelo Espírito Santo a habilidade de falar em uma língua real que ele nunca aprendera anteriormente; e aquelas pessoas que haviam crescido com ele, ao verem tal dom, se maravilhavam.

 

Judeus estariam presentes (uma vez que este era um sinal especificamente para eles). No dia de Pentecostes, muitos Judeus que viviam em regiões estrangeiras e falando línguas estrangeiras, ouviram suas próprias línguas sendo ali faladas, e atestaram a genuinidade daqueles que falavam. Após o Pentecoste o Espírito daria o dom miraculoso de entendimento para indivíduos que operariam como interpretes, para que assim a autenticidade da língua fosse provada. Nada do tipo tem sido visto desde os tempos Bíblicos

 

Hoje, aqueles que advogam o falar em línguas apontam para 1 Coríntios 13.1, onde Paulo, falando hipoteticamente, diz que mesmo se ele falasse uma língua angélica, sem amor aquilo equivaleria a nada. Desesperadamente procurando por um texto bíblico para justificar seu ensino sobre línguas, os professores pentecostais tomam as palavras de Paulo como uma justificativa para línguas extáticas, não linguísticas; no entanto, se faz claro para qualquer pessoa de raciocínio, que este é um uso completamente impróprio do versículo em questão.

 

Ao descrever línguas literais, a Bíblia nos adverte, de modo efetivo, que estes dons foram removidos. Eles simplesmente não têm ocorrido em qualquer momento na história, em qualquer parte do mundo desde os primeiros dias da igreja. O que acontece hoje, é que pessoas (que talvez sejam crentes sinceros), em seu desejo de fazer aquilo que seus líderes insistem ser correto, buscam emitir elocuções verbais fora das regras de linguagem. Todavia, elas não falam línguas reais, nem mesmo entendem o que estão dizendo.

 

A cessação dos dons é claramente ensinada na Escritura, em virtude do fato de que a própria e precisa descrição de línguas reais dada na Escritura não pode ser aplicada a nada que tenha acontecido desde então[1].    

 

Desde os tempos bíblicos temos tido eventos gloriosos, e reavivamentos grandiosos, quando ao Espírito de Deus aprouve operar em poder excepcional. Ainda assim, nós não temos nenhuma reivindicação ou alegação registrada de qualquer pessoa falando uma língua real que ela nunca tinha aprendido. Esta é uma prova certa de que o dom bíblico de línguas cessou.

 

4. não há instruções para a ordenação de profetas

 

A quarta prova para a cessação dos dons de sinais é esta: não há instruções no Novo Testamento quanto à ordenação de apóstolos, profetas, operadores de curas, ou qualquer coisa do tipo. Este é um ponto de tremenda significação, porque Deus deu um padrão ou modelo detalhado para a igreja no Novo Testamento. É verdade que alguns crentes não creem que a Bíblia provê um modelo-padrão para a igreja, mas a maioria das pessoas que são de persuasão bíblica e Batista crê.

 

O apóstolo Paulo repetidamente nos comanda a sermos cuidadosos imitadores dele em nosso governo de igreja e conduta, e as epístolas pastorais estabelecem como devemos nos comportar e operar na igreja de Deus. É-nos dado o modelo preciso da igreja para todos os tempos.

 

Temos instruções que cuidadosamente estabelecem como selecionar e apontar os presbíteros que pregam (pastores mestres) e os que governam, bem como os diáconos, mas não temos nenhuma instrução sobre a nomeação de apóstolos (porque estes não deveriam ser perpetuados), ou em como identificar e reconhecer um profeta (porque os dons revelacionais terminaram com a conclusão da Bíblia). Nem há também qualquer instrução quanto à ordenação de operadores de curas.

 

Este não é meramente um argumento a partir do silêncio da Escritura, mas uma prova de que esses ofícios e funções não eram para continuar. As instruções para todas as questões, referentes à organização da igreja são completas e detalhadas, e toda-suficiente para a igreja até que Cristo venha novamente. Nós desobedecemos ao modelo perfeito de Deus se na igreja ordenamos aquilo que Ele não tem prescrito e comandado. Desobedecemos assim a Escritura.

 

Como pode ser dito por alguns que não há prova bíblica certa de que os dons cessaram, quando o modelo e padrão dado por Deus para a Igreja não traz nenhuma instrução para a continuação de porta-vozes inspirados e operadores de sinais? Esta é uma prova conclusiva da cessação – a menos que não mantenhamos a doutrina da suficiência da Escritura, e não creiamos que Deus tem dado um modelo e padrão para sua igreja.

5. a revelação está agora completa

 

A quinta prova da cessação dos dons revelacionais e de sinais, é que a Bíblia claramente ensina que a revelação está agora completa.

 

Não pode haver nenhuma nova revelação após os tempos dos apóstolos. Já notamos que em João 14.26 e em João 16.13 o Senhor Jesus diz aos discípulos, por duas vezes, que o Espírito Santo, quando Ele vier, os guiará em toda a verdade.

 

Eles seriam os autores de livros do Novo Testamento, e os autenticadores de livros inspirados do Novo Testamento que não foram escritos por suas próprias mãos. Logo Toda a verdade seria revelada, e após a era apostólica não mais haveria revelação da Escritura. A Palavra estaria completa.

 

Quanto nos alegramos por isso! Em que estado estaríamos se pessoas se levantassem aqui e ali e em toda parte (como elas fazem no mundo pentecostal/neopentecostal) nos dando novas revelações. Quem saberia o que era certo e o que era verdade? Mas a Escritura é o parâmetro final para todas as coisas, sendo completa e perfeita, suficiente e digna de confiança.

 

Judas foi capaz de falar sobre a fé “que uma vez foi dada aos santos”. Sua epístola foi possivelmente escrita 25 anos antes do último livro da Bíblia, tarde o suficiente para que todas as principais doutrinas e instruções da igreja já tivessem sido reveladas.

 

Neste estágio final da revelação, ele fala da fé uma vez dada, entregue; ou melhor: uma vez por todas entregue. Ela está realmente completa; logo (do ponto de vista de Judas) não haverá mais nenhuma revelação.

 

Os versos finais da Bíblia advertem que nada deve ser adicionado ou retirado das palavras do livro de Apocalipse, mas isto claramente se aplica a toda a Bíblia, não apenas ao último livro. Sabemos disso porque a advertência ecoa bem próxima daquela advertência dada por Moisés no primeiro livro da Bíblia (os primeiros cinco livros eram originalmente um livro), a saber, Deuteronômio 4.2, “Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando” (Palavras repetidas por Moisés em Deuteronômio 12. 32).  

 

A finalização da revelação é também provada pelo fato de que os apóstolos e profetas são descritos como sendo os estágios de fundação da igreja. Em Efésios 2.10 a igreja é descrita como estando “edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas (isto é – profetas do Novo Testamento), de que Jesus Cristo é a principal pedra de esquina”. Uma fundação é algo completo e estável, enquanto que o prédio continua a ser construído.

 

E quanto à profecia de Joel, citada por Pedro no dia de Pentecostes, ao dizer que quando o Espírito for derramado, todos os crentes, homens e mulheres, velhos e jovens irão profetizar? Será que não está ali implícito que isso continuaria dali em diante até o retorno do Senhor? Não, pois nosso entendimento dessa profecia deve estar de acordo com o ensino inexpugnável da Bíblia de que a revelação seria logo completa, e então cessaria.

 

É esta revelação completa, (especialmente o Evangelho) que será o testemunho dos crentes de todas as idades, homens e mulheres, em todo o mundo, até o fim. Os crentes continuarão a ter visões e ter sonhos no sentido de que eles abraçarão, refletirão a respeito, e proclamarão as infalíveis “visões e sonhos” lhes dado na Bíblia. Eles não “profetizarão” no sentido de receber novas revelações. Eles também terão sonhos com planos, estratégias e conquistas pelo Evangelho. Neste sentido a profecia de Joel ainda continua sendo completa.      

 

As manifestações extraordinárias, tais como línguas, já tinham claramente desaparecido quando Pedro escreveu suas duas epístolas, pois ele não nos dá nenhuma alusão, qualquer que seja, que estas características do período inicial ainda estavam em operação.

 

Como a revelação foi completa no período dos apóstolos vemos então que a tarefa de apóstolos e profetas chegou ao final. E se os dons de revelação terminaram, assim, também terminaram os sinais autenticadores dos escritores inspirados. Recordemos o que disse Paulo: “Os sinais do meu apostolado foram manifestados entre vós... por sinais, prodígios e maravilhas” (2 Coríntios 12.12).

 

Como pode ser dito que não há prova bíblica da retirada dos dons revelacionais (e seus sinais confirmatórios) quando a Escritura diz enfaticamente que toda revelação tem sido concluída, como uma fundação, no início da era da igreja?

 

6. a escritura testemunha o fim dos dons

 

A sexta prova do término dos dons de sinais está no fato de que a Escritura mostra que eles estavam no processo de serem removidos já naquele mesmo período. Paulo, por exemplo, que possuía poderes apostólicos para realizar sinais e maravilhas e feitos poderosos, não pôde, no decorrer do tempo, curar Timóteo ou Trófimo ou Epafrodito.

 

Vemos também a remoção dos dons de cura em Tiago 5, onde Tiago dá instruções a respeito do orar pelo enfermo, e como os presbíteros poderiam colocar as mãos sobre o acamado. Faz-se óbvio nesta passagem que não há nenhuma pessoa com dom de cura em vista, mas somente presbíteros que oram. 

 

Unção é mencionada, mas o termo Grego para unção religiosa não é usado ali. O termo Grego usado é uma palavra muito prática que significa “massagear” ou “esfregar” com óleo, algo mais similar a um remédio para escaras. Tiago diz, com efeito, “não estejam pensando tão e somente de modo espiritual a ponto de não serem de nenhum uso terreno ao enfermo, mas tomem consigo algum alivio físico para a pessoa que sofre”. 

 

O que é de grande importância é a oração. Está claro nas instruções de Tiago, que nenhuma pessoa dotada do dom de cura é levada para comandar cura, ou para oferecer um toque de cura. O colocar ou impor de mãos de presbíteros comuns é um ato simbólico, comunicando o amor da igreja, cuidado e responsabilidade.

 

A Passagem de Tiago contém quatro exortações para oração, e que seguem seu ensino de que devemos dizer “se o Senhor quiser, não só viveremos, como faremos isto ou aquilo”. Nós podemos e devemos orar por cura, mas, pode também ser a vontade de Deus que uma pessoa que sofre devesse testemunhar a graça de Deus na enfermidade. 

 

O ponto principal para nós neste artigo é que não há ninguém possuindo poder pessoal para curar em Tiago 5. Cura é realizada por Deus em resposta a oração. A igreja é vista nesta postura contínua ao longo dos séculos: em que ela ora por cura - lembrando que alguns são chamados para viver como “exemplo de aflição e paciência” (Tiago 5.10).

 

O fato de que Tiago não menciona dons de cura mostra inequivocamente que a posse do poder de cura foi retirada bem cedo no curso da era apostólica.

 

Tem sido sugerido que se um novo convertido com nenhuma experiência de vida na igreja fosse trancado em uma sala com uma Bíblia, jamais ocorreria àquela pessoa que os dons carismáticos houvessem cessado. O oposto disso é verdadeiro. Há muitas pessoas (conhecemos algumas) que vieram de outras fés, e convertidas a Cristo pela leitura privada da Bíblia, e subsequentemente encontraram o caminho para uma igreja. A partir da Bíblia somente eles não receberam qualquer expectativa de um acontecimento pentecostal.

 

Com muito mais frequência – e de modo crescente conforme o tempo passa – crentes deixam o movimento pentecostal/neopentecostal, tendo compreendido que aquilo que ocorre ali não é o que eles encontram na Bíblia.  

 

Ao ler o livro de Atos cuidadosamente, eles descobrem que somente o grupo apostólico curava, então sentem que foram iludidos pela noção pentecostal/neopentecostal de que uma numerosa quantidade de pessoas curava.

 

Alguns se perguntam qual foi a significação e propósito original das línguas, e quando aprendem de Paulo que elas eram especificamente para os Judeus, eles novamente se sentem iludidos por seus mestres.

 

Eles também se sentem mal informados quando se torna óbvio que as línguas eram idiomas, línguas reais, algo vastamente mais miraculoso que sons incompreensíveis.

 

Então, logo que estes crentes apreciam a importância do modelo bíblico para a igreja, a questão algumas vezes se levanta em suas mentes: “onde está a instrução bíblica para que se ordenem apóstolos, profetas e operadores de cura hoje?” Eles descobrem que não há nenhuma, e se tornam ainda mais críticos do ensino que receberam.

 

Então, a questão da autoridade e suficiência da Escritura irrompe, e eles pensam, “Não está a revelação completa? Como, então, podem profecias modernas serem validadas e inspiradas?” Torna-se óbvio que todas as profecias “confiáveis e de autoridade” que eles ouviram são um grande erro e uma ilusão.

 

Muitos crentes pensantes veem por si mesmos, que para as pessoas pentecostais/neopentecostais a Escritura está em segundo lugar em importância, comparada com a imaginação humana e experiências misteriosas. 

 

Finalmente, quanto mais eles estudam a Palavra, mais eles veem a evidência de que os sinais desapareceram bem logo após seu derramar espetacular inicial.

 

Nada disso significa que o Senhor não mais mova seu povo a lembrar-se de deveres ou verdades, ou que Ele não os impele a realizar certas coisas, ou os advirta de perigos iminentes. Isso se dá, no entanto, através de intimações ou instigações divinas, e não revelações ou dons.

 

Na história da igreja, há ocorrências registradas de pessoas tendo uma intimação ou instigação de Deus quanto a alguma pessoa ou evento ameaçador, mas estas jamais são revelações de doutrina. Encontramos tais coisas em tempos de perseguição severa. Por exemplo, até o período da Perestróica na Rússia, ouvimos de situações bastante críveis, quando servos de Deus, em posição chave na obra, foram maravilhosamente livres de aprisionamentos, porque o Senhor causou em alguém tamanha impressão de que ele não deveria ir a um lugar em particular. Mais tarde foi descoberto que uma emboscada da polícia KGB estava pronta esperando por eles. Todavia, a nenhum dos recipientes de tais intimações foi dado um dom regular para exercitar, e certamente também não foi dada nenhuma revelação autoritária de verdade doutrinária. Deus pode fazer todos os tipos de coisas para livrar e abençoar seu povo, mas isso é de modo algum a reaparição de dons apostólicos ou proféticos outorgados a um indivíduo.  

 

o dano causado pelo ensino pentecostal/neopentecostal

 

Muitos Pentecostais e neopentecostais têm chegado a ver o enorme vão entre a Bíblia e aquilo que lhes foi ensinado. Aqueles que desconfiam frequentemente se inquietam pelo fato de que grande número de Católicos, que dependem de Maria, da Missa, e de obras para salvação, são também aptos a falar em línguas e profetizar, com muitos deles cultuando exatamente da mesma maneira que pentecostais e neopentecostais protestantes.

 

Aqueles pentecostais e neopentecostais que questionam, ouvem também que seitas não cristãs também falam em línguas. Você não precisa ser um cristão salvo para falar em língua estilo pentecostal/neopentecostal porque isso não é um verdadeiro dom do Espírito.

 

Há muitos crentes sinceros no movimento pentecostal/neopentecostal, mas cremos que a tentativa de reavivar dons revelacionais e de sinais é um erro muito danoso. Vemos o dano no aparecimento de grandes seções do movimento nas quais o Evangelho praticamente desapareceu, enterrado debaixo de extravagâncias não bíblicas.

 

Há grupos neopentecostais amplos que agora negam a Expiação de Cristo (substituição penal), e alguns chegam a negar até mesmo a Trindade. (Um dos pregadores e autor Pentecostal mais famoso do mundo nega a doutrina da Trindade).

 

Música de estilo de entretenimento mundano domina muitas igrejas Pentecostais/neopentecostais, mesmo música do tipo ímpio mais extremado. Farsas teatrais de “líderes neopentecostais caça-níqueis religiosos” podem ser vistas a qualquer momento nos canais de TV religiosos, e a heresia do evangelho da prosperidade aparenta estar em toda parte.

 

Um grande número de charlatões e trapaceiros tem organizado grandes multidões de seguidores, realizando suas supostas “curas” em locais de reuniões ao redor do mundo. Mesmo técnicas de adivinhação, do tipo usado em casas de espetáculo, têm sido apresentadas como maravilhas espirituais em igrejas que um dia foram bíblicas e de respeito.

 

A poderosa corrente que continuamente impulsiona o círculo Pentecostal/neopentecostal mais e mais distante da Bíblia é evidência de um erro fundamental sério, a saber: a ideia de que os dons revelacionais e de sinais são para todos os tempos. Experimentá-los envolve um erro duplo: primeiramente, a redução dos dons a algo não miraculoso, (ex. transformar línguas/idiomas reais e genuínos em expressões não linguísticas); e em segundo lugar a minimização e redução da Escritura, que deve então curvar-se a experiências imaginárias de sonhos, visões, “uma palavra do Senhor”, e “revelações” similares.

 

Há também dano causado a crentes individuais cuja fé é grandemente desviada do Senhor e de Sua Palavra para fenômenos e sensações. Oramos sinceramente que Deus venha livrar aqueles que são seus verdadeiros filhos e filhas do dano crescente deste terrível erro de afastamento da Escritura.  

 

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Revista Sword and Trowel, 2011, n° 02

 

*Peter Master é pastor do Metropolitan Tabernacle (Igreja Batista Reformada de C. H. Spurgeon em Londres) desde 1970. www.metropolitantabernacle.org - Copyright in English by Sword and Trowel.

 

*Tradução do texto original Inglês para o Português por Ábner Eliel A. Araújo, © 

 

O autor e tradutor permitem a divulgação desse artigo em blogs e páginas da internet, desde que não se altere seu formato e/ou conteúdo, e que se informe os créditos de autoria e de tradução.



[1] Os não autênticos falantes de línguas dos dias de hoje, nem mesmo buscam seguir a regra bíblica para o exercício do dom, como feito no tempo do Novo Testamento – de que não mais que dois ou três deles no máximo deveriam falar em qualquer culto (1 Coríntio 14.27).

 


Seminarista Assis Nogueira


2012-03-26 00:00:00

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