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Biografia do ex-padre Dr. Aníbal P. dos Reis


Testemunho do ex-padre: Aníbal Pereira dos Reis

Este texto é uma transcrição feita por mim de uma gravação em fita cassete do testemunho do ex-padre Aníbal, proferido no final dos anos oitenta, na Concha Acústica da UFC, em Fortaleza.
Roosevelt

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Nesta noite, venho lhes apresentar as razões ou motivos que me levaram a, depois de 16 anos de sacerdócio católico, abandonar aquele ministério. Meus prezados amigos, se alguma frase minha chocá-lo não se aborreça, seja inteligente, procure analisar o que você ouviu. É óbvio que não está em mim o desejo de magoá-lo, ferir qualquer que seja. Entretanto, preciso cumprir o meu dever diante de Deus. Direi a verdade. Dizer a verdade, sobretudo em assuntos espirituais, a verdade atinente do plano de salvação do pecador, é uma grande demonstração de amor.      

Eu nasci numa família muito católica, meus pais são europeus e eles levaram muito a sério a educação dos filhos, de maneira muito especial a educação religiosa. Lembro-me bem, estava eu com três anos e meio de idade, quando minha mãe passou a me ensinar aquelas primeiras rezas da religião católica. E foi decorando aquelas rezas que aprendi de minha mãe a crer em Nosso Senhor Jesus Cristo. Sim, meus caríssimos e meus amigos, desde muito criança, aos três e meio anos de idade, aprendi a crer sinceramente em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Lembro-me bem, foi uma manhã radiosa do mês de maio, eu estava com seis anos e alguns meses apenas, quando participei de uma centena de meninos, todos vestidos de branco, em fila dupla; dirigíamo-nos da casa de D. Dindinha Faleires, a nossa catequista, para nossa matriz paroquial. Uma multidão de pessoas nos seguia, e quando dobramos a esquina da praça da matriz os sinos festivos puseram-se a bimbalhar. Lá em cima, junto à porta de entrada do templo no topo da escada, o seu vigário já paramentado, nos aguardava. E ele feliz, sorridente, estendia sua mão direita para que cada um de nós a beijássemos  e ele nos abençoava. Entrados todos na matriz, o Sr. vigário iniciou a missa, a solenidade da minha primeira comunhão.

Os cânticos do coral da matriz eram entremeados pelos cânticos das crianças neo-comungantes. Em chegando o momento de ir à mesa da comunhão, seguindo a ensaios anteriores, prostrei-me de joelhos àquela mesa. O Sr. vigário, ao chegar diante de mim, retirou da âmbula uma hóstia consagrada e com ela fez sobre minha cabeça uma cruz, abençoando-me. Entreabri os lábios, estirei a ponta da língua, e sobre ela ele depositou a hóstia consagrada. Eu a salivei, tendo o cuidado de não tocá-la nos dentes, o que seria um grande pecado. Engoli-a, certo, crendo que estava recebendo o próprio Jesus Cristo, Deus. O próprio Jesus Cristo com seu corpo, sangue, alma e divindade, tão real na hóstia como real no Céu. Segundo me ensinaram, a hóstia consagrada não entra no processo normal de digestão, mas, localiza-se no coração do comungante. E crendo assim, naquela hóstia localizada no meu coração, ali estava Nosso Senhor Jesus Cristo. Meus caríssimos e meus amigos, na pureza da minha infância, eu lhe clamei por salvação eterna. Sim, desde muito menino, preocupava-me com esta salvação.

Meu prezado amigo, você tem pensado neste assunto da sua salvação eterna? Talvez você se preocupe com tantas coisas da Terra, até com seu trabalho, com seu ganha-pão, com a sua família. Talvez você se preocupe com futilidades, com passeios, distrações, futebol, novelas, cinema, mas, o meu prezado amigo, tem se preocupado com sua salvação eterna? Você não é um animal irracional, prezado amigo você não é um bicho, e eis a solene pergunta de Jesus Cristo: “pois que aproveita o homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?”. Meu prezado amigo, que lhe adiantaria conseguir todas as vitórias na Terra, desfrutar de todas as regalias humanas se ao partir deste mundo, você o fizesse perdido? (e perdido por toda a eternidade ficará.) O que lhe adiantaria ainda prezado amigo, padecer todos os sofrimentos, curtir todas as dores e com resignação, se ao partir deste mundo, você for continuar a padecer por toda a eternidade, no inferno. “Pois que aproveita o homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?” É a solene e sempre oportuna pergunta de Nosso Senhor Jesus Cristo. O prezado amigo tem se preocupado com sua salvação eterna?

Num domingo, fazia uns dois anos da minha primeira comunhão, numa missa, o Sr. vigário contou-nos um fato e deu-nos uma explicação. Ele disse que há séculos passados, lá em Paris na França, no convento de Parre-le-Monial, Jesus Cristo por muitas vezes apareceu a uma freira Margarida Maria Lacok, depois, por Pio XI transformada em santa, Santa Margarida Maria Lacok, cuja festa litúrgica a religião celebra aos 17 de outubro de cada ano. Aparecendo àquela freira, o Nosso Senhor Jesus Cristo portava o coração fora do peito, e o coração rodeado pela coroa de espinhos e encimado por labaredas de fogo. E ao aparecer por diversas vezes, ou por muitas vezes, à freira Margarida Maria Lacok, o Nosso Senhor Jesus Cristo disse que garantia, daria salvação eterna, ao devoto do seu sagrado coração, que cumprisse esta devoção de receber a hóstia consagrada, em honra dEle, na primeira 6a feira do mês, de nove meses consecutivos. Ele prometeu vida eterna, salvação eterna, sob esta condição: que o devoto do seu coração recebesse em comunhão a hóstia consagrada, não em qualquer 6a feira do mês, mas na primeira 6a feira do mês e de nove meses consecutivos sem qualquer interrupção. A 6a feira seguinte era a primeira 6a feira do mês de junho, por sinal, mês este consagrado de maneira particular, ao sagrado coração de Jesus.

As 05:30 horas da manhã, lá me encontrava eu na fila do confessionário, porque confessando-me ao nosso sacerdote, queria, por ocasião da missa das 07:00 horas, recebendo a hóstia consagrada em honra do sagrado coração de Jesus, começar o ciclo destas nove primeiras 6a feiras. Eu cumpri com rigorosa fidelidade, e feitas estas comunhões das nove primeiras 6a feiras consecutivas, meus caríssimos e amigos, eu não me reconheci salvo, não me reconheci possuidor de vida eterna. Passei a repetir, e eu fiz indefinidamente durante a minha mocidade, durante o meu tempo de seminário católico, durante tantos anos de sacerdote, esta devoção das nove primeiras 6a feiras do mês. Terminava um ciclo e na primeira 6a feira seguinte principiava outro e jamais, em decorrência, em conseqüência desta prática devota, senti-me verdadeiramente salvo.

Desde criança, meus caríssimos e amigos, busquei ardorosamente salvação eterna. Fui ser padre porque crendo em Jesus Cristo, queria servir a Deus para me salvar. Entrei no seminário católico com 17 anos de idade. Os meus pais não me empurraram para o seminário, também não me proibiram de para lá ir. Fiz primeiro, antes de ir para o seminário, todo o colégio, o ginásio, que naquele tempo era de cinco anos. O meu ginásio não foi fácil, não havia então colégios gratuitos no interior, colégios do governo. Todos os colégios eram particulares e por isso pagos.

Com um tacho muito grande de ferro eu fazia sabão. Para sorte minha ainda não havia sabão em pó, e vendia esse sabão às barras, aos pedaços, de porta em porta na minha pequenina cidade. Também, depois, quando consegui algum dinheiro, comprei uma máquina industrial Singer, de remendar sacos de estopa, e as duas usinas de beneficiar arroz e uma de descaroçar algodão da minha cidade, me favoreciam a sua sacaria rasgada para que eu a remendasse e por isso me pagavam. Assim, paguei todas as despesas do colégio e também o material escolar, e fui para o seminário levando R$ 32,00 contos de réis. Um dinheiro enorme na ocasião, suficiente para se comprar uma boa casa. No entanto, esse dinheiro não bastaria para cobrir todas as despesas até o fim do curso do seminário católico. Transformei o meu quarto numa verdadeira tinturaria, onde eu lavava e passava a ferro as batinas dos meus colegas, que na época eram de algodão. Remendava-lhes as meias, fazia-lhes outros trabalhos, e por isso eles me pagavam.

O regulamento do seminário católico também quanto a isto era severo. Às 9:00 horas da noite em ponto, todos os alunos deveriam apagar as luzes do quarto. Eu juntava o meu material escolar, porque em conseqüência daqueles trabalhos, eu não podia estudar as lições passadas pelos professores nas aulas e nem fazer os exercícios por eles estabelecidos. Juntava o meu material escolar, ia lá para um banheiro e debaixo de uma lâmpada de 20w, estudava até meia noite, uma hora da madrugada. E às 05:00 horas da manhã o velho sino do seminário punha-nos a todos de pé, e com isto eu herdei uma miopia e insônia. A tempos passados, eu me aborrecia com a insônia, muitas vezes à noite sem conseguir dormir, eu me irritava. Depois, eu resolvi adotar outra política, tornei-me amigo da minha insônia. Nós nos damos muito bem e hoje eu gosto da companhia da minha insônia porque isto me favorece muito trabalhar mais. É tão bom a gente estudar e trabalhar madrugada adentro.

Parte do meu seminário católico ocorreu com parte da segunda guerra mundial. E porque o arcebispado católico de São Paulo tinha de mandar todo o seu dinheiro para o Papa Pio XII ajudar as forças totalitárias do eixo, nós passávamos fome. Embora eu tivesse o meu dinheirinho, não tinha o que comprar, e o seminário proibia a gente sair à rua para comprar qualquer coisa. Os colegas, cujos familiares residiam na capital, eram toda semana aquinhoados pelos seus pais com fartos lanches, suficientes para a semana inteira. E nós que não tínhamos ninguém na capital, tínhamos de suportar a dureza. Muitos dias, dias seguidos, o café da manhã, o almoço e a ceia da tarde se reduziam a uma banana distribuída ao meio dia, que eu comia com casca e tudo. E depois, eu saía por ali a observar, a verificar se encontrava alguma casca de banana atirada fora, e sempre encontrava. Sim, meus irmãos e amigos, eu comi muita casca de banana. No auge da fome, eu cheguei a mastigar água para ter a sensação de estar mastigando alguma coisa. Conto estas coisas, e devo confessar aos irmãos e amigos, é verdade, eu não sou melhor que ninguém, todo mundo aqui é muito melhor do que eu, mas, nunca me contrariei por enfrentar todas essas vicissitudes, esses sacrifícios. Eu conto esses fatos para frisar o seguinte: enfrentei toda essa dureza, firme no meu propósito de ser padre, porque como padre eu queria me salvar.

A minha turma era de 62 rapazes no primeiro ano. Começamos o seminário católico, (curso superior) com 62 rapazes e apenas 8 desses 62 se ordenaram sacerdotes.

Eu enfrentei todas essas lutas sem qualquer esmorecimento porque eu queria ser padre a fim de, como sacerdote, obter salvação eterna. Terminado o meu curso do seminário em São Paulo, fui ordenado no dia 8 de dezembro de 1949, em Montes Claros, no norte do Estado de Minas Gerais. Lá trabalhei durante dois anos e em janeiro de 1960, fui levado para o Recife em Pernambuco onde trabalhei durante oito anos, sobretudo dirigindo obras sociais, dirigindo orfanatos e asilos de velhos. À frente desses orfanatos, criei mais de dois mil órfãos desamparados e à frente daqueles abrigos de velhos, eu amparei tantos anciãos desvalidos.

Procurava me esmerar no comprimento dessas minhas responsabilidades porque praticando esta caridade, eu queria merecer salvação eterna.

Em outubro, fui pregar no Recife e fiz questão de, em uma tarde, andar por aquelas ruas centrais da capital pernambucana, a me recordar de tantos anos passados, quando por aquelas mesmas ruas eu andava, tendo dentro dos meus sapatos, pedrinhas que feriam os meus pés. Sim, meus caríssimos e amigos, de propósito, por penitência, eu colocava dentro dos meus sapatos pedrinhas, porque ferindo os meus pés, eu queria com a minha dor, com meu sangue, merecer salvação eterna. Sim, eu procurei, eu busquei sôfrega e sofridamente no  exercício honrado do meu sacerdócio, salvação eterna.

Em Pernambuco, tive dentre tantos outros, um grande amigo, D. Ricardo Vilela, antigo Bispo de Nazaré da Mata. Desde que nós nos conhecemos, ele passou a me honrar com a sua preciosa amizade. Até hoje, dele me recordo com saudades. Recordo-me com saudades das nossas longas palestras, sempre em torno de assuntos nobres e elevados, através dos quais ele muito me ensinou. Toda vez que D. Ricardo Vilela ia ao Recife visitava-me. Um dia, recebi a notícia de que ele, enfermo, estava hospitalizado no Hospital do Centenário no Recife. Logo fui visitá-lo. Ele me disse na sua conversa: Padre Aníbal, não sairei vivo daqui, sei que vou morrer. Quero me preparar muito bem para morrer e quero que você ouça as minhas últimas confissões.

Irmãos, eu senti um nó na garganta. Primeiro, porque o meu amigo morreria logo e segundo, por causa desse pedido dele de lhe ouvir as últimas confissões.

Se Deus, nos seus desígnios insondáveis, fosse servido de que eu passasse a viver toda essa minha vida, eu não faria questão nenhuma, de voltar, como menino, a fazer sabão e vendê-lo na minha pequenina cidade. Não faria questão alguma de tornar, como menino, a remendar sacos de estopa. Não faria questão alguma de enfrentar a fome, a fome cruel do meu seminário. Não faria questão alguma, de ser outra vez sacerdote por 16 anos. Não faria questão alguma, de sofrer toda aquela busca ansiosa de salvação eterna nos labirintos de uma falsa religião. Gostaria que Deus me livrasse do confessionário.

Dada a minha antiga experiência religiosa como sacerdote e mais ainda de confessor, sei que sou um pregador diferente, não melhor do que os outros, diferente. Reconheço-me também, uma pessoa não alegre. Sinto-me muito melhor trancado num quarto sozinho. É o resultado daqueles cruéis embates do passado. Não sou uma pessoa alegre. Muitas pessoas têm feito essa observação verdadeira: a gente nota que, de quando em quando, parece que passa sobre o irmão uma nuvem de tristeza. É verdade, sabem por quê? Porque constantemente me lembro da morte de pessoas muito queridas, morte que assisti, e todas elas em grande desespero porque são pessoas sem salvação.

Eu daria tudo, se conhecendo o Evangelho, o tempo pudesse retroagir para eu falar àquelas pessoas sobre o Evangelho de Jesus Cristo.

D. Ricardo Vilela pediu-me para que lhe ouvisse as derradeiras confissões. Ele era uma consciência delicada, uma alma de escol.

Segundo a religião católica, a pessoa quando vai se confessar a um sacerdote, deve se preparar e nesta preparação, a pessoa precisa fazer um exame de consciência, procurar a se recordar dos pecados cometidos depois da última confissão bem feita, e com o coração aberto, contá-los todos ao sacerdote confessor.

D. Ricardo Vilela passou muitos dias pensando na vida dele desde criança e conforme se recordava de pecados por ele cometidos, anotava-os em folhas de papel almaço. Sobre alguns ele registrou também as circunstâncias em que ele os praticou. Aquela relação dos pecados do bispo cobriu muitas folhas de papel almaço, e agora em confissão, ele me leu tudo aquilo. D. Ricardo Vilela cria em Jesus Cristo. Esta foi uma confissão longa, triste, dolorosa. Nós misturamos as nossas lágrimas. Dei-lhe a chamada absolvição. Todos os dias visitava-o e todos os dias ele queria se confessar e efetivamente se confessava, lendo aquela mesma lista de pecados. E eu,  todos os dias, a lhe repetir a absolvição. E o bispo nunca se sentiu seguro do perdão de Deus.

A religião ensina que lá no confessionário, o sacerdote só pode perdoar a culpa ou a malícia do pecado. Ele não pode perdoar o castigo ou a pena que o pecador merece pelo seu pecado. É um meio perdão. Já se vê, caríssimos amigos, se é meio perdão não é perdão algum. É por isso que o católico fervoroso, quanto mais se confessa ao sacerdote, mais desesperado é.

D. Ricardo Vilela não se reconhecia perdoado por Deus, por isso todos os dias me confessava os mesmos pecados. Numa tarde, quando cheguei lá no Hospital do Centenário, ele agonizava. Sentei-me junto da cama dele, tomei-lhe a mão direita entre as minhas mãos, e fiquei ali. Ele tinha tido um corpo atlético, robusto, agora reduzido a um monte de ossos sem carne. A doença sugara-lhe todas as carnes. Todos os sinais da morte próxima: nariz afilado, olhos envidrados, unhas e lábios roxos, debilíssima respiração. De quando em quando ele procurava falar alguma coisa, mas apenas movia levemente os lábios. O meu amigo partia. Com quanta saudade, nesta hora, eu me lembro dele. Ele fora um bispo dinâmico, correto, de vida íntegra, limpa. Tudo fizera para cumprir os seus deveres de sacerdote e, depois, de bispo. O meu amigo partia. Depois de uns 50 minutos que eu estava ali, ele como que reunindo as suas últimas energias físicas, gritou: “estou indo para o inferno” e morreu. Enxuguei-lhe as duas últimas lágrimas, pela última vez fechei-lhe os olhos. Até hoje, eu guardo este lenço sem tê-lo lavado, para conservar as duas últimas lágrimas do meu amigo. Não sei porque guardo este lenço.

Eu fui ser padre porque, crendo em Jesus Cristo, queria servir a Deus para me salvar. E lá dentro encontro isso. Assisti a morte de muitos dos meus fiéis e de alguns outros sacerdotes. Com esses meus dois dedos fechei pela última vez os olhos de muita gente. No meu coração eu carrego os últimos segredos de tantas pessoas. Nunca vi nenhum dos meus fiéis partindo seguro da sua salvação eterna.

Em novembro de 1977, há seis anos já, uma incumbência muito especial me levou à Roma a falar com o Papa Paulo VI, o pontífice reinante na época. A audiência que estava marcada para dez minutos, ele a fez prolongar-se para uma hora e quarenta e cinco minutos. Depois de lhe ter exposto o motivo da minha ida a presença dele, fomos conversar sobre outros assuntos, de maneira muito especial sobre o Evangelho. É evidente, meus caríssimos amigos, que eu não perderia esta oportunidade de falar do Evangelho para o Romano Pontífice. Eu me compadeci intensamente dele, porque marcado pela dor, ele sofria de uma pavorosa artrose que lhe causava pungentes dores. Com dificuldade ele conseguia se levantar de uma cadeira ou se sentar sobre ela. Quando eu cheguei, ele estava de pé, eu o ajudei a sentar-se e quando eu fui sair ele quis se por de pé e eu o ajudei a se levantar. Disse-lhe desta segurança, desta paz que o crente tem, paz com Deus, esta certeza do Céu, assim que partir pela morte deste mundo. Contei-lhe de um horrível acidente automobilístico que eu sofri no mês de julho de 1975, ocasião em que fiquei trinta dias inconsciente, e por muitos dias eu agonizei.

Dizem-me os meus familiares que nas minhas longas agonias, às vezes, eu falava e em geral falava sobre o Céu. Agonizando não tinha outro assunto, senão este: “o Céu”. E supondo estar na presença de uma multidão a pregar a Palavra de Deus, eu pedia que fosse cantado o hino 508 do Cantor Cristão, o hino que fala sobre o Céu.

Eu contei isto a Paulo VI e com seus olhos cheios de lágrimas, ele dizia: “eu queria ter essa segurança de ir para o Céu, mas, eu não consigo entender que o pecador é salvo só pela graça de Deus, pela fé em Jesus Cristo, porque se o pecador com seus pecados ofende a Deus, o pecador há de merecer com seu sofrimento e com suas obras, a sua salvação eterna. Ele tem que pagar alguma coisa por haver ofendido a Deus com seu pecado”. Ele não conseguia entender o Evangelho que ensina ser a salvação unicamente pela graça de Deus, esta salvação que nos é comunicada quando cremos verdadeiramente em Jesus Cristo.

No dia 6 de agosto de 1978, quando ouvi no rádio a notícia da morte de Paulo VI, chorei de compaixão dele. Ele tinha tanto medo de morrer, que pelos menos por quatro vezes, em discursos públicos, ele revelou este pavor da sua morte, e no dia em que ele completou 80 anos de idade, que fora em setembro de 1977, no seu discurso diante de todos os embaixadores credenciados no Vaticano, ele repetiu esta informação sobre o seu medo de morrer e pediu aos fiéis católicos do mundo inteiro que rezassem por ele. Sim, meus caríssimos amigos, eu fui ser padre para obter salvação eterna e lá dentro nem o Papa é salvo. Tanto assim que o Papa não é salvo, isto é reconhecido, pois, quando morre um sumo pontífice, os sacerdotes do mundo inteiro rezam missa pela salvação da alma dele.

Como sacerdote era fervoroso no celebrar missa. Eu confesso, com vergonha, que eu cria na missa. Eu cria que na missa eu repetia o sacrifício de Jesus Cristo. Eu cria verdadeiramente na hóstia consagrada. Eu me ajoelhava diante dela para adorá-la e ao final da missa, quando eu comungava a hóstia e tomava aquele vinho consagrado, eu cria que estava recebendo, na hóstia, o verdadeiro Deus.

Quando sacerdote em Pernambuco, um rico proprietário resolveu lotear uma grande gleba de terra ali junto de Beberibe, onde hoje é o bairro do Cajueiro. Ele doara uma quadra inteira, no centro do loteamento, à Arquidiocese católica do Recife e se comprometera com o arcebispo de edificar ali a primeira matriz da Paróquia. Ele elaborara um programa extenso para a inauguração daquele loteamento, das vendas daqueles lotes. Fazia parte daquele programa a celebração de uma missa pelo arcebispo, às 04:00 horas da tarde daquele domingo. Na última hora, surgindo um imprevisto, o bispo não pôde ir e me pediu que o substituisse, e lá fui eu. Quando cheguei lá no loteamento, havia uma multidão de pessoas e no centro daquela quadra, doada à Arquidiocese católica, estava uma mesa que me serviria de altar. Terminei de prepará-la, paramentei-me e comecei a missa. No instante apropriado, eu proferi uma curta locução de 7 ou 8 minutos, sobretudo enaltecendo o empreendimento daquele cidadão e me congratulando com os futuros moradores dali. No instante da chamada consagração, que é aquele momento em que aquela hóstia e aquele vinho se transsubistanciam, segundo o termo técnico da religião, verdadeiramente em Jesus Cristo Deus e Homem, uma banda de música rompeu o hino nacional e houve aquele foguetório, como habitualmente ocorre nestas festas populares da religião. Eu interrompi a missa, aguardando a volta do silêncio para prosseguir a sua celebração. Eu estava ali de pé com as minhas mãos postas, olhos semi-cerrados,  adorando o meu Cristo da hóstia, ocorre uma rajada de vento que carregou a hóstia à distância. Fiquei perplexo, não sabia qual seria a melhor decisão. Segundo o ensino da religião, nenhum leigo pode tomar em suas mãos a hóstia do sacerdote celebrante. No caso, eu é que deveria ir à procura do meu Cristo. Por outro lado, eu achava ser muito ridículo sair eu a correr atrás da hóstia, eu coberto com todos aqueles paramentos. Estava indeciso pensando qual seria a melhor solução. A religião católica estabelece rigorosas leis em torno da hóstia consagrada. Se, por ventura, uma pessoa ao comungar a hóstia, vomita, o sacerdote é obrigado a separar a hóstia do vômito e ele mesmo engoli-la. Isso aconteceu comigo três vezes. Se, por ventura, o sacerdote não tem estômago para isto, só neste caso extremo, ele, separando a hóstia do vômito, deve queimá-la na chama de uma vela e depois depositar, no lugar preparado em torno da matriz paroquial, aquelas cinzas. Por três vezes eu engoli hóstia separada do vômito de meus fiéis.

Eu estava ali preocupado. Como vou fazer? Ergueu-se uma voz, uma voz de um bêbado. Eu não entendi o que ele estava falando. Eu percebi que, aos empurrões, ele vinha rompendo passagem entre a multidão e tropeçando nos seus próprios pés de ébrio. Chegou junto do meu altar, caiu sobre aquela mesa, batendo com força sobre ela a sua mão direita, e jogando em cima a hóstia e gritando: “seu vigário, eu peguei a danada”.

Meus irmãos e meus amigos, eu tenho vergonha de dizer que nem isto abalou a minha fé na missa e na hóstia, nem isto! Só muitos anos depois, havendo eu já entendido a inutilidade da missa e a aberração da hóstia, Deus permitiu que acontecesse outro fato ainda mais horripilante do que este. E com este outro fato, meu coração se desapegou da missa e da hóstia.

Em 1960 fui ser vigário na cidade de Guaratinguetá, bem perto de Aparecida do Norte. O que eu escrevi neste livro, “A Senhora Aparecida” foi o que os sacerdotes da própria basílica me disseram. Numa palavra, a história da Senhora Aparecida é outra mistificação. E foi esta a minha última desilusão lá dentro. Em fevereiro do ano de 1961, passando por um grande sofrimento, Deus me levou a Bíblia. Até então não tinha tido qualquer interesse sobre as Escrituras, aliás, no seminário católico eu aprendi que a palavra do Papa, porque é infalível, é verdadeiramente a Palavra de Deus. Ensinaram-me que a Bíblia não é a Palavra de Deus. Lendo a Bíblia, o livro de Jó, (foi o primeiro livro das Escrituras que eu li), lendo o livro de Jó, o Espírito Santo me levou a crer nas Escrituras como a Palavra santa, infalível, inerrante, indeficiente de Deus Nosso Senhor. E, obviamente crendo nelas assim, este Espírito Santo me levou a questionar a minha religião de padre. Meus amigos, é muito importante que nós questionemos tudo do nosso viver, até o cardápio da nossa alimentação. É mais importante ainda que nós questionemos aquilo que nós chamamos de nossa religião. Questionar por questionar seria idiotice. Eu devo questionar a minha religião à luz das Sagradas Escrituras.

Perto de minha casa, lá em São Paulo, há uma senhora vizinha muito gorda. Eu não tenho nada contra as pessoas gordas, até eu acho bonito uma pessoa gordinha, rechonchudinha. Ela usava calça comprida branca e muito agarrada. Ela observou, depois de algum tempo, que toda pessoa com quem ela cruzava na rua, sorria dela. E observando isto ela começou a dizer: “Estão zombando de mim!” “ Por que será que zombam de mim?” “Por que será  que todos que passam por mim sorriem?” “O que acontece?” Ela foi à casa de uma outra vizinha, que tem um espelho grande na porta do guarda-roupa. Ela calculava, ela supunha que sorriam dela por causa da calça comprida. Ela foi à casa da vizinha, vestida com esta calça comprida, e foi questionar a sua roupa diante do espelho. Ela mesma sorriu dela, achou-se ridícula. Desfez-se daquelas calças compridas agarradas e passou a se vestir de acordo com a exigência  não tanto da moda mas, da conformação do seu próprio corpo. Ela questionou a sua roupa diante do espelho. Meus amigos, eu fui questionar a minha religião de padre diante deste espelho divino que são as Sagradas Escrituras. Eu me horrorizava por verificar Deus condenando a minha religião de padre. Ele na sua santa Palavra combatendo aqueles dogmas característicos da religião, e eu me revoltava contra Deus porque, como sacerdote, não admitia que nem Deus combatesse a minha religião de padre. Estava lendo as Escrituras, encontrava-as a combater uma doutrina determinada da minha religião, desesperava-me, rasgava a Bíblia e queimava os seus pedaços propondo em meu íntimo não ler mais aquele livro, seguindo, aliás, o conselho do meu Bispo, a quem mantive informado desta minha situação. Dias depois eu me arrependia, comprava uma outra cópia da Bíblia, continuava a examiná-la, ocorria-me nova crise de desespero por encontrar Deus na sua Santa Palavra condenando outra doutrina da minha religião. Rasgava esta cópia da Bíblia e queimava. De sorte que assim, de desespero em desespero, de conflito em conflito, queimei dezoito exemplares da Bíblia. Foram meses dramáticos para mim, de indizível conflito íntimo. E nesta luta tão grande, meus caríssimos e meus amigos, encontrei nas Escrituras o que eu deveria fazer para ser verdadeiramente salvo. E este plano de salvação do pecador, que é pele fé, e unicamente pela fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, o único Salvador, porque na cruz Ele pagou pelos nossos pecados, eu conhecia este plano como doutrina protestante, consoante o ensino do Seminário Católico. E agora, eu descubro que não é doutrina protestante, mas o ensino claro da Palavra de Deus. De início, eu recusei, eu sabia meus irmãos e amigos, que se aceitasse esse plano eu teria que deixar de ser padre, e isso eu não queria. Teimei muito contra Deus. Por tantas semanas seguintes eu recusei a Sua graça. Queria ser salvo e quando descobri o plano da salvação, eu recusei simplesmente por isso: porque não queria deixar de ser padre e abandonar e minha religião. E vejam, nesta altura do tempo, eu já não cria mais naqueles dogmas próprios da religião católica. As Escrituras destruíram todas aquelas minhas convicções católicas. Assim mesmo, não queria abandonar a religião e muito menos o sacerdócio. Eu não tenho culpa de ter deixado de ser padre. Agora, eu assumo a responsabilidade deste gesto. Quem tem culpa é a Palavra de Deus. Quem me tirou de lá foi a misericórdia de Jesus. É bênção dEle. Agora, perante a sociedade dos homens, eu não recuso assumir toda responsabilidade deste ato. Depois de tantas semanas de luta íntima, na madrugada de 8 de novembro de 1961, eu fui ler o Evangelho de João. Quando comecei a ler o capítulo terceiro, pus-me de joelhos. Uma força extraordinária fez-me ajoelhar. E lendo João 3:16 rendi-me à fé evangélica em Jesus Cristo e Ele me salvou. Aquilo que eu busquei, sôfrega e sofridamente desde criança e sobretudo no exercício honrado do meu sacerdócio, sem nunca ter encontrado, encontrei nesta hora, na pessoa divina de Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem entreguei o meu coração e a minha vida. Ele me deu salvação. Sou muito frágil, tenho muitas fraquezas, sei que não tenho valor algum e por isso mesmo confio só em Jesus Cristo. Sei que por isso, Ele jamais permitirá que eu me perca. Ele me deu vida eterna e perseverarei salvo até o fim, por graça dEle, não porque eu mereça coisa alguma. Naquela hora, sem eu nem ter me lembrado de pedir a Deus, Ele me libertou.

Fiquei lá dentro ainda 3 anos e meio. Os meus caríssimos irmãos podem imaginar o meu sofrimento, o meu conflito dramático, durante todos aqueles longos meses, 3 anos e meio. Muitos anos depois é que eu vim entender porque Deus permitiu isso na minha vida. Quando eu me converti em 1961, eu era ainda vigário em Guaratinguetá, do arcebispado de Aparecida do Norte. Em 1963, fui ser vigário na cidade de Orlanda, do arcebispado de Ribeirão Preto, também no interior de São Paulo. Em novembro de 1964, quando havia chegado a hora de sair de lá, fui procurar o meu bispo. O arcebispo de Ribeirão Preto era o cardeal Agnelo Rossi. De 1969 a esta parte, ele se encontra em Roma depois de ter sido arcebispo da capital paulista. Ele fora meu professor no seminário católico e nós éramos muito amigos. Depois de alguns anos como professor do seminário ele foi eleito bispo e fora bispo no interior do Estado do Rio, enquanto eu estava em Pernambuco e nós trocávamos cartas. Agora, em Ribeirão Preto, ele era o meu arcebispo. Contei-lhe da minha nova situação religiosa, ele ficou assustado. Mas foi muito amigo. Chamou-me muitas vezes ao palácio dele para nós conversamos. Ele queria me dissuadir da idéia de sair de lá. Quando eu recorria ou apelava para as Escrituras, ele fugia, com a Bíblia não queria nada. Falava-me tanto de Martinho Lutero, como se eu tivesse algo com Martinho Lutero. Depois de ter chegado a esta conclusão de ser inútil esta sua tática de pretender me segurar lá dentro através da amizade, da cordialidade e de certas promessas ou propostas, ele decidiu recorrer a violência. Mediante a uma tocaia fez-me prender num pequenino quarto do seu palácio em Ribeirão Preto e durante 3 dias eu fui muitas vezes brutalmente espancado. Com ponta-pés, me aleijaram. Trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus Cristo. E foi nesta hora de torturas que Deus me libertou do medo. E nesta hora que Ele me chamou para este ministério. Até então, pensava em dar um outro rumo a minha vida, tornar-me membro de uma igreja Batista, servir a Deus como membro desta igreja e exercer uma profissão secular. Foi naquela hora de tormentos, que Deus me chamou para este ministério de ser cigano do Evangelho. E porque Deus quis, eles não me mataram. Tiveram tudo para isso e quando eu saí de lá, o bispo revoltado porque não conseguira me eliminar, levou-me às barras dos tribunais. E esse processo, baseado em acusações falsas e caluniosas, se arrastou na justiça de São Paulo por 6 longos anos, causando-me intensos sofrimentos. Trago, meus caríssimos, em meu corpo as marcas do Senhor Jesus Cristo.

            Não fui um padre qualquer, desculpe-me dizer assim. Quem tem a minha auto-biografia pode verificar documentos que comprovam esta minha afirmação. Por duas vezes fui convidado para ser bispo e recusei. Se não tivesse recusado a oportunidade, hoje seria eu o cardeal de São Paulo. Não fui um padre qualquer, deixei tudo aquilo porque Jesus Cristo me salvou. Saí de lá no dia 12 de maio de 1965 e desde então, há quase 19 anos, prego o Evangelho, percorrendo constantemente todos os rincões da Pátria. Já preguei em todas as capitais, em muitas cidades do interior de todos os estados.

O prezado amigo deve estar pensando: O pregador afirmou que desde menino aprendeu a crer no Senhor Jesus Cristo. Ele afirmou que crendo em Jesus Cristo, resolveu ser padre para servir a Deus e assim obter salvação eterna. O pregador contou alguns fatos para comprovar a sua fé em Jesus Cristo. Ele disse que era perdido, que não estava salvo. Disse também que na madrugada de 8 de novembro de 1961 creu em Jesus Cristo e aí foi salvo. Primeiro cria e não era salvo, agora crê e é salvo. Como se explica isso? Algum mistério? Não, é porque a religião que eu servi como sacerdote ensina uma fé errada em Jesus Cristo. Não basta crer em Cristo para que o pecador seja salvo, é preciso que o pecador creia como Deus quer que se creia em Jesus Cristo. Existem muitas maneiras de crer em Jesus Cristo. Há pessoas que crêem em Cristo como um simples milagreiro, um curandeiro. Há tantos programas de rádio que só falam em curas, em prodígios, em milagres, em solução de problemas da Terra. Para essa gente toda, Cristo é um simples milagreiro, um curandeiro, um “taumaturgo”. Já ao tempo de Jesus, muita gente cria nele desta forma, e continuava perdida. João, no final do capítulo 2 do seu livro, traz esta informação: “...e muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome”. Mas o mesmo Jesus não se confiava a eles. E destes muitos que vendo os sinais, os prodígios de Jesus, criam nEle, João destaca um nome, Nicodemos, príncipe dos judeus. Este Nicodemos cria em Jesus como milagreiro e ele confessou essa sua fé em Jesus dizendo, “Rabi, bem sabemos que és mestre, vindo da parte de Deus porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes se Deus não for com ele”. Este Nicodemos era salvo? Não, ele cria em Jesus Cristo e continuava perdido. De sorte que Jesus lhe exigiu a experiência do nascer de novo, da regeneração ou conversão. Exigiu-lhe que cresse nEle como verdadeiro Salvador espiritual, Aquele que pode dar a vida eterna. Uma vez Ele teve esta palavra tão dura sobre esta gente que crê nEle como um curandeiro: “... muitos me dirão naquele dia, no dia do juízo, Senhor, Senhor não profetizamos nós em teu nome, não expulsamos demônios e em teu nome não fizemos muitas maravilhas”. Vejam caríssimos e amigos, estas pessoas porque crêem em Jesus, no nome dEle profetizam, no nome dEle expulsam demônios, no nome dEle fazem muitas maravilhas, muitos prodígios, no entanto Jesus disse que dirá abertamente: “Nunca os conheci, apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”. Existe outra maneira errada de crer em Jesus Cristo, é a maneira com os demônios crêem nEle. Tiago no seu livro lembra: “Tu crês que há um só Deus, fazes bem, também os demônios crêem e estremecem”. Sim , meus amigos, os demônios crêem em Deus e continuam demônios. De resto, o primeiro a proclamar Jesus filho de Deus foi o espírito maligno. Os demônios adoraram Jesus Cristo. Marcos nos diz que os espíritos imundos vendo-o, prostraram-se diante dEle e clamaram dizendo: “Tu és o filho de Deus”. E estes demônios, conquanto cressem em Jesus Cristo continuaram demônios porque a fé dos demônios é uma fé errada. E há outros que crêem em Jesus Cristo de maneira hipócrita. Ele mesmo disse em Mateus 15:7 em diante: “Hipócritas, bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: “... este povo honra-me com os lábios, mas seu coração está longe de mim, mas em vão, inutilmente me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos, mandamentos dos homens”. Eis aí a condenação da fé chamada católica. Eu cria em Jesus Cristo, mas ao mesmo tempo cria em tantas preceitos, em tantos dogmas estabelecidos por homens. E esta minha crença nestes dogmas invalidava a minha fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, tornando-a falsa, errada. As Escrituras, amigos, ensinam claramente, e por muitas vezes, em muitas passagens também do Velho Testamento, que só Jesus Cristo é o Salvador. E para o pecador ser salvo, para o pecador ser perdoado e receber dEle a vida eterna, o pecador há de confiar, de coração, somente em Jesus Cristo porque, repito, só Ele é o Salvador. Eu cria em Jesus Cristo ao tempo de sacerdote, mas ao mesmo tempo eu cria em Maria, a mãe dEle, como co-redentora ou co-salvadora. Cria nela como advogada e refúgio dos pecadores. Por isso que com fervor eu lhe rezava invocando-a como mãe de Deus para que ela se compadecesse de mim e me salvasse compadecendo-se de mim, sobretudo na hora da minha morte. Com fervor eu rezava a chamada “Salve-Rainha” que proclama Maria, mãe de Jesus, advogada dos pecadores. Por isso, Jesus não me salvava, porque eu dividia o meu coração. Eu cria também no tal do purgatório. Segundo a religião, o católico que recebe os derradeiros sacramentos, sobretudo se confessa ao sacerdote na hora de morrer, ao invés de ir diretamente para o céu vai para o purgatório, porque lá ele tem que pagar, tem que sofrer o castigo dos pecados que ele praticou. As pessoas que ficam aqui na Terra, segundo o ensino da religião, podem com suas rezas, seus sufrágios e sobretudo a missa, aliviar o tempo do purgatório das pessoas.

As Escrituras, meus amigos, não ensinam isto. Quem crê no chamado purgatório recusa crer em Jesus Cristo como único Salvador.

A palavra purgatório quer dizer purificatório. João diz que o sangue de Jesus, o filho de Deus nos purifica, nos purga de todo pecado. O único verdadeiro purgatório do pecador é o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quando o pecador confia nEle, este é purificado, é purgado de todos os seus pecados. O sacrifício de Cristo na cruz aconteceu como castigo dos pecados que eu pratiquei, que você praticou, meu prezado amigo. Ninguém que confia de coração em Jesus vai para o purgatório para sofrer o castigo, as penas que merece por ter ofendido a Deus ao pecar. Este purgatório não existe! Eu cria em Jesus Cristo e cria no purgatório ao mesmo tempo, eu cria em Jesus Cristo e cria nos chamados sacramentos para a salvação, eu cria em Jesus Cristo e cria também, é o cúmulo, é o auge da petulância do orgulho, eu cria no valor das minhas pobres obras como contributo possível para minha salvação eterna.

Já me disseram tantas vezes isto: “Ah, os crentes são muito orgulhosos, um orgulho desmedido, tanto orgulho têm os crentes que dizem que estão salvos, isto é orgulho”. Meu prezado amigo, a verdade é diferente. O crente diz que está salvo, e está mesmo! Não porque ele é orgulhoso, mas porque na sua humildade verdadeira ele confia só em Jesus Cristo, e não confia nele, não confia nas pobres obras que ele pratica. Quem confia nas suas chamadas boas obras para a salvação, este sim é orgulhoso, é orgulho rematado, indevido, supor-se merecedor de salvação porque deu níqueis de esmolas para os pobres. Isto é que é orgulho. Só recebe perdão e salvação eterna o pecador que, de coração arrependido confia em Jesus Cristo como único Salvador, porque Jesus Cristo, na cruz, sofreu o castigo dos pecados deste pecador. Naquela hora daquela madrugada de 8 de novembro de 1961, eu reconheci-me pecador e perdido e me lancei, pela fé, pela confiança, nos braços de Nosso Senhor Jesus Cristo e Ele me acolheu, dando-me salvação eterna. É evidente que eu não podia continuar como sacerdote, pois, crendo na Palavra de Deus, confiando em Jesus como verdadeiro Salvador, eu não podia mais voltar a crer naqueles dogmas do romanismo. E não crendo naquilo, é óbvio, não podia exercer aquele sacerdócio. A promessa indefectível de Nosso Senhor Jesus Cristo, prezados amigos, é esta: “...porque Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu o seu filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. João, que registrou esta promessa de Jesus, anota: “quem crê nEle não é condenado”. Doutra feita, Nosso Senhor repetiu a mesma promessa com as seguintes palavras: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crer em mim tem a vida eterna”. Por isso, Paulo apóstolo, em Romanos 8:1, observa: “Portanto, agora, (veja o advérbio de tempo, agora), nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”. Nosso Senhor disse que aquele que crê nEle tem, Ele não disse terá, mas Ele empregou o verbo aqui no presente do indicativo, tem, tem agora. Aquele que crê nEle tem a vida eterna. E Paulo, inspirado pelo Espírito de Deus, escreveu portanto: “ agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.”

Prezado amigo, o dia da salvação é hoje, você pode ser salvo agora e Deus quer assim. Prezado amigo, abra o seu coração para confiar em Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele que na cruz morreu também por você; e Ele morreu como castigo pelos pecados, que ao longo da sua vida, você tem praticado. Ele morreu para lhe perdoar e para lhe dar salvação eterna. Agora Ele quer que você, de coração verdadeiramente arrependido de seus pecados, confie nEle, confie sinceramente nEle e somente nEle porque, em verdade, Ele é o único Salvador, amém.

Fiquemos todos de pé, por gentileza.

Peço aos irmãos, o favor de fecharem os seus olhos, e assim caríssimos irmãos orem pelos nossos amigos visitantes. Todos os crentes orando com fervor e empenho pelos nossos visitantes desta noite. E bondosos amigos, também vocês agora fechem os seus olhos, sim, prezado amigo, assim de olhos fechados, nesta postura de respeito a Deus, enquanto se fala com Ele em oração, assim de olhos fechados, os amigos irão orar a Jesus Cristo. Sim, bondoso amigo visitante, seja você um senhor, uma senhora., uma moça, um rapaz, uma criança, assim de olhos fechados você vai orar a Nosso Senhor Jesus Cristo. Em silêncio, dentro do seu coração, amigo visitante, ore a Jesus dizendo-lhe as seguintes palavras: “Oh Jesus, preciso ser salvo porque sou pecador. Com os meus pecados eu tenho sempre e grandemente ofendido a Deus e porque eu sou pecador, sou perdido. Tu tens misericórdia de mim, me queres salvo. Para a glória de Deus, oh Jesus, tu vieste a este mundo e na cruz sofreste para a minha salvação. Na cruz, cravado, pagaste, sofreste o castigo que eu mereço porque sou pecador. De coração sincero, eu me arrependo, Jesus, e de coração arrependido, eu Te aceito, humilde, submisso à vontade de Deus, de coração eu Te aceito como o meu verdadeiro e único Salvador. Sim, Jesus, de coração, eu confio no Teu sangue divino derramado gota a gota, até a última, lá na cruz pelo perdão dos meus pecados e para minha salvação eterna, tendo em vista a glória de Deus, amém”.

Os amigos visitantes que me acompanharam nesta oração levantem a sua mão comigo, todos os visitantes que me acompanharam nesta oração, levantem bem alto a sua mão. Sim, prezado amigo, Jesus está salvando, Ele quer salvar você. Confie nEle em seu coração e erga o seu braço, a sua mão, também. Irmão, nesse instante de oração silenciosa, renove o seu compromisso com Deus, diz ser rigorosamente fiel a Ele, sendo leal, fiel, à sã doutrina das Escrituras.

Oh Deus, cada um de nós, servos teus, nesta hora Te agradece aquele momento solene da nossa vida, quando cada um, de coração arrependido, confiou em Teu Filho e recebeu dEle vida eterna. Senhor, cada um de nós, servos teus, Te agradece por nos ter exposto na mão, diante dos nossos olhos, as Tuas Escrituras Santas que nos ensinam a Tua verdadeira doutrina. Senhor, cada um de nós nesta hora de agradecimento especial a Ti, pela nossa salvação, renova o seu compromisso de fidelidade intransigente à sã doutrina da Tua Palavra. Nós te louvamos porque vieram aqui à frente, estes amigos. Que a semente do Evangelho que agora recebem, possa frutificar levando-os à verdadeira conversão. Que os teus servos, Senhor, não recusem a Tua bênção de trabalharem para ajudar estas pessoas. Senhor, continua a abençoar as tuas igrejas, promotoras desta campanha especial de evangelização, a fim de que elas possam prosseguir na sua luta de anunciar a bendita verdade do Evangelho com os moradores desta grande capital.

EX-PADRE ANÍBAL PEREIRA DOS REIS

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Digitado: José Roosevelt


2005-02-22 00:00:00

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