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Era Lutero um Antissemita?

Pr. José Nogueira


Muito material tem sido publicado acusando Lutero (1483 – 1546) de ter sido antissemita. Em geral são citados trechos do livro “Sobre os Judeus e Suas Mentiras”, escrito em janeiro de 1543.

 

Grande parte desse material cita os trechos em que Lutero incitou  a violência contra os judeus e dizem que muitos nazistas usaram esses pensamentos em sua barbárie contra os judeus por ocasião da II Grande Guerra (1939-1945).

 

Há um bom artigo publicado pela Chamada (http://www.beth-shalom.com.br/artigos/lutero.html) intitulado: “Por Que Lutero Tornou-se um Anti-Semita?”, de Jan Willem van der Hoeven.

 

Esse artigo da Chamada foi muito bem escrito, e muito sóbrio também. O autor tem autoridade de falar - parece que é alemão, e dirige um instituto internacional sobre sionismo cristão. É possivelmente um judeu messiânico.
Como disse, ele escreve uma verdadeira tese sobre a difícil problemática de cristãos tão valorosos do passado terem se mostrado tão cegos quanto às promessas de Deus para o povo judeu e acerca de Israel (Lutero e alguns dos chamados pais da igreja do Séculos III em diante).
 
O autor mostra uma posição de Lutero muito simpática para com os judeus no início da Reforma, e depois cita trechos violentos de Lutero contra os judeus (escritos em tempos de lutas na consolidação e da preservação da Reforma nas regiões da Alemanha).

Como eu disse, o autor é bem sensato ao descrever Lutero, e procura tirar lições desse erro de Lutero:
"Tudo isso é extremamente triste e deve nos servir de alerta, pois o que ocorreu a um homem tão poderosamente usado por Deus pode acontecer com qualquer um de nós, no que se refere aos judeus – o povo de Deus." 

Eu concordo em grande parte com ele.

 

Lutero foi um pioneiro da doutrina bíblica contra os erros do Catolicismo. É quase inacreditável que um homem sem a herança teológico-bíblica que temos hoje tivesse tanto discernimento e coragem para rejeitar todos aqueles "doutores" hereges do Romanismo e defendesse a autoridade exclusiva da Bíblia, a salvação unicamente pela fé em Cristo, a eleição, a depravação total do homem (contra o livre-arbítrio), o sacerdócio universal dos crentes, o ofício pastoral (não o sistema sacerdotal celibatário do Romanismo), etc.

 

E lutou contra tudo isso, no fim da Idade Média, onde o Catolicismo imperava e matava os "hereges".

 

Lutero traduziu a Bíblia para a Língua Alemã, e escreveu mais de mil livros e longos artigos, compôs hinos, e influenciou tremendamente a Alemanha, por isso é considerado um dos pais da nação alemã (A Bíblia em alemão de Lutero serviu para unificar a Língua Alemã e a nação germânica).

Ter Lutero enfrentado e defendido com risco de vida e com muitos sacrifícios algumas das mais vitais doutrinas cristãs me faz ter muito respeito por ele. Fico pensando no tão pouco que tenho feito, quão cômoda tem sido a minha vida, quão pouca coisa tenho sacrificado em favor da minha fé (Lutero, como o seu Hino CASTELO FORTE diz: "Se temos que perder, bens, filhos, mulher, e embora a vida vá...).
 
Eu sou AMIGO DE SIÃO, faço e promovo regularmente um ENCONTRO DOS AMIGOS DE SIÃO, em que estudamos as promessas bíblicas para Israel, defendemos o SIONISMO, e oramos pelos judeus. Nesses encontros procuramos despertar nos cristãos o amor por Israel e o respeito para com as promessas de Deus para o povo judeu.
Vivo o que creio. Creio e pratico. Mas isso é muito pouco.
 
Eu sou um defensor da pregação do Evangelho aos judeus - e treinamos uma família para fundar uma igreja em Israel: Roberto Kedoshim. Enviamos mensalmente o sustento deles na Europa, nessa fase de preparação e recebimento do visto para entrar em Israel. Mas isso é pouquíssimo. Quase não nos custa sacrifício.
 
Eu sou apoiador da Obra Chamada da Meia-Norte (não só de palavras), em setembro-outubro, liderei uma campanha de assinaturas das revistas da Chamada e Notícias de Israel, e conseguimos mais de 40 assinaturas. Mas essa luta é tão pequena. Ah, como poderíamos fazer muito mais, muito mais mesmo! Mas procuro ser coerente e fazer alguma coisa em vez de apenas falar. Porém, faço pouco diante da responsabilidade do tanto que sei.
 
Pastoreio uma igreja de 400 membros, passei mais de 20 anos sem tirar férias. Trabalho praticamente a semana inteira. Esforço-me para ter uma igreja fiel à Palavra, evangelista (em 2 e 3 de novembro fizemos uma campanha evangelística que distribuimos 26 mil calendários [30 cm x 40 cm - colorido em papel coucher] com o Plano de Salvação, 26 mil convites e folhetos), mais da metade do nosso orçamento vai para Missões.

Mantenho na igreja um Curso de Treinamento de Líderes (este ano vamos ter 7 formandos, em 8 de dezembro). Dou aulas nesse Instituto Bíblico local às terças à noite e às sextas feiras (das 15 às 22 horas). Mas isso não me faz colocar em risco minha vida, nem de minha família, nem de confisco de meus bens, nem em perigo de sequestro, ou de forte oposição de calúnias e difamações.
 
Todavia, a vida de Lutero foi intensamente perigosa e complicada - a qualquer momento os príncipes alemães que o apoiavam poderiam voltar atrás e seria o fim da Reforma, o que significaria a morte dele, de sua família, amigos e colaboradores. Também havia o perigo de coligações e exércitos católicas vencerem e destruírem pela força das armas e de muita matança o movimento reformado na Alemanha. Ele teve que enfrentar (e enfrentou) tudo isso com convicção, muita coragem e muito sacrifício, enquanto pregava, escrevia, cuidava da família, pastoreava uma igreja, liderava um movimento, compunha hinos e fazia Teologia.
 
Por isso, eu sou muito cauteloso em criticar Lutero. Eu sempre procuro compreendê-lo pela época em que ele viveu e a situação que enfrentava. Não podemos esperar de Lutero a mesma compreensão teológica que temos no Século XXI, pois hoje temos mais de 500 anos de pensar teológico, com centenas de boas Teologias Sistemáticas, milhares de bons livros e revistas teológicas, seminários, congressos, etc. E Lutero não tinha nada disso.
 
A Teologia compõe-se de dezenas de tópicos: Bibliologia, Cristologia, Pneumatologia, Angelologia, Teologia Propriamente Dita, Decretos, Soteriologia, Escatologia, etc. Hoje, quando vamos estudar esses pontos, recorremos aos livros escritos e estudamos e analisamos e comparamos com a Palavra e aprendemos e ensinamos. E como foi isso no tempo de Lutero? Não havia essas Teologias, precisou ele mesmo garimpar na Bíblia toda. Isso é trabalho duro, penoso, requeria tempo e muita paz (ele fez isso em tempos de guerra, de pressão, de ameaças).
 
Eu coro de vergonha diante do zelo desses homens. A igreja de hoje é acomodada, preguiçosa, fraca. Nós pouquíssimo fazemos. Vivemos num triste hedonismo cristão. Ninguém mais que ir à luta, fazer sacrifícios, sofrer, sair do comodismo.
 

Que os ditos de Lutero contra os judeus foram usados por nazistas é verdade. Mas eles usaram também as palavras de Jesus - quando Jesus condenou os judeus incrédulos de Sua época, em Mateus 23, "Ai de vós, escribas e fariseus, ... por isso sofrereis juízo muito mais severo...
 e como escapareis da condenação do inferno...?”.
Jesus acusou os judeus incrédulos de sua época de perdidos e filhos do inferno...
Paulo, o judeu, chamou os judeus que perseguiam o Evangelho de "cães"...
 
Eu penso que Lutero foi muito violento e errado nisso, mas temos que lembrar que ele está falando dos judeus de sua geração e que viviam na Alemanha e que estavam se opondo à Reforma. Muitos judeus se aliaram ao Catolicismo (naqueles conchavos de política de troca-troca), outros eram usurários (como os do tempo de Neemias e que foram também severamente repreendidos por ele). Por isso, num dos ataques, Lutero os chama de preguiçosos. Ele não estava generalizando os judeus, ele se referia aos judeus que conhecia e que se tornaram inimigos do Evangelho. Usar de violência e incentivar qualquer repressão contra eles foi um ato errado de Lutero, mas daí chamá-lo de antissemita é um desrespeito ao grande homem que foi Lutero, e um desrespeito à história e ao contexto em que viveu e lutou Lutero.
 
Uma coisa parecida foi feita com Calvino, ao ponto do Prof. Jeovah Mendes colocar Calvino na lista dos maiores criminosos da humanidade, ao lado de Nero, Hitler, Mao Tse-Tung, Sadam Hussein, Torquemada, Mussolini, Stalin, etc. E quando se vai ler o Capítulo de Calvino, espanta-se que ele é acusado de matar apenas um homem (Miguel Servet), acusado de heresia. Mesmo que Calvino fosse culpado da sentença de Servet (há controvérsias quanto a isso), ainda assim é muito exagero colocá-lo na lista dos piores assassinos da história.  

Depois do exposto, afirmo: Eu amo Israel, oro por Israel, e creio em todas as promessas de Deus para Israel e os judeus (TODAS ELAS SERÃO CUMPRIDAS LITERALMENTE), sou sionista cristão (defendo a Terra de Israel, em toda a sua extensão, para os judeus, sendo Jerusalém sua capital eterna e indivisível).

Contudo, por crer na Bíblia, digo que os judeus sem Cristo estão perdidos, são filhos do diabo – como todos os que rejeitam a salvação em Cristo, e que, se não se converterem, irão para o inferno. Suas sinagogas e suas reuniões onde negam Jesus como o Cristo, são blasfemas e detestáveis perante Deus, assim como os templos e reuniões católicas, jeovistas, mórmons, adventistas, macumbeiras, etc

 

Espero que minha defesa de Lutero possa ajudar a ter um maior cuidado ao lermos os artigos sobre os reformadores. E também a termos uma certa compreensão nos ditos do grande Reformador alemão (apesar de não concordar com a forma violenta com que ele se referiu aos judeus de sua época, e de discordar totalmente do uso de força e violência contra qualquer povo).


Pr. José Nogueira


2013-11-08 00:00:00

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