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Sobre o Grande Teatro


Estaria eu sendo inoportuno? Seria uma imprudência discutir as contradições da Igreja Católica quando o mundo se ajoelha diante do ataúde de um dos seus chefes de presença mais avassaladora, que foi se impondo em um quarto de século eivado de avanços tecnológicos reproduzidos por uma mídia aleivosa, paradoxalmente medíocre e cegamente acatada?

Poucos sabem que o exercício do reinado de um papa decorre de um dogma teocrático, em que se lhe confere todos os poderes do mundo - Executivo, Legislativo e Judiciário - e se exige que ele seja endeusado como chefe de uma religião e de um Estado, com seus tentáculos espalhados por todos os países cujas soberanias são arrogantemente desprezadas.

Eu poderia ter escrito os parágrafos iniciais deste texto. Na verdade, não são meus. Preferi toma-los emprestado. Foram escritos por Pedro Porfírio no jornal Tribuna da Imprensa, na edição de domingo passado, dia 10, http://www.tribunadaimprensa.com.br/coluna.asp?coluna=porfirio. Utilizo-os, pois são por demais adequados como lead do meu artigo.

Ao falar do Papa morto e da comoção que tomou conta de boa parte do mundo, como seria bom se eu pudesse fazer como Paulo, segundo o que registra Atos 17.22. Diante da idolatria sincera dos gregos, Paulo tomou por mote sua religiosidade e disse: "Varões atenienses, em tudo vejo que sois excepcionalmente religiosos".

Seria muito bom se pudesse repetir o gesto substituindo "atenienses" por "católicos". Na seqüência, poderia falar da inutilidade da sua adoração e da impotência do "deus morto". E, assim, passar ao passo seguinte, aquele em que Paulo, no versículo 23, apresenta o DEUS vivo, Único digno de toda adoração. Se a manifestação pró Papa fosse, portanto, uma manifestação de espiritualidade, tal como a dos gregos, estaria diante de uma oportunidade única de evangelismo.

Infelizmente isso não é possível, pois há uma diferença gritante entre os sinceramente enganados atenienses e os midiaticamente manipulados católicos. Trata-se, como disse Roberto Pompeu de Toledo, de "sedução mesclada com alienação" http://veja.abril.com.br/130405/pompeu.html . Isso porque, o Papa falecido representava o oposto do que pensa a maioria dos católicos.

Senão, vejamos os exemplos: O lado bom do Papa morto era seu conservadorismo, enquanto a maioria católica é liberal. O Papa era ferrenho defensor do casamento, os pranteadores pregam o amor livre. O Papa era contra a presença da mulher na liturgia, as carpideiras são feministas. As posições do Papa a respeito de aborto, homossexualismo e pesquisas com células-tronco embrionárias são as mesmas de Bush. A multidão que esteve presente na Praça de São Pedro simplesmente odeia Bush.

Nada explica a comoção que tomou conta do catolicismo a não ser a manipulação da imagem. Karol Wojtyla era, por sinal, um exímio manipulador da mídia. Soube não apenas direciona-la a seu favor como doma-la quando necessário. E como foi necessário.

Começou o pontificado sob o peso da suspeita. Seu antecessor teria sido assassinado. No Brasil pouco se sabe sobre isso, até porque a força do lobby católico impediu traduções de livros importantíssimos sobre o tema. Os que merecem maior credibilidade são: "A Verdadeira Morte de João Paulo I", de Jean-Jacques Thierry; "Pontífice", de Max Morgan-Witts e Gordon Thomas; "A Batina Vermelha", de Roger Peyrefitte; "Em Nome de Deus", de David Yallop e, meu preferido, "Um Ladrão na Noite", de John Cornwell, mesmo autor de "O Papa de Hitler - A História Secreta de Pio XII".

Quem quiser ter uma idéia de como ocorreu a trama, sugiro ver o filme "O Poderoso Chefão IV". Não me tomem por leviano ao sugerir uma película de Hollywood como fundamentação. Quem puder, que compre os livros, e verá que a inspiração da ficção está embasada em fatos históricos incontestáveis. Um deles, por sinal, é bem interessante: O corpo de João Paulo I foi encontrado às 5:30h. Antes disso não fazia sentido alguém adentrar aos aposentos do Papa. Acontece que por volta das 5:00, os irmãos Ernesto e Renato Signoracc, hábeis embalsamadores, foram apanhados em suas casas nos arredores de Roma e levados ao Vaticano. Manter um embalsamador de plantão no Vaticano de João Paulo II fazia sentido. Leva-los para um Papa que estava há 30 dias no trono e esbanjando saúde, é suspeitíssimo.

Assim que assumiu o trono, João Paulo II teve que lidar com os desdobramentos da crise que levou ao assassinato de Albino Luciani. Não foi à toa que virou roteiro de filme. Tinha ingredientes para tal. Um escândalo financeiro sem precedentes abalou a Santa (sic) Sé. No dia 17 de junho de 1982 estourou a história do Banco Ambrosiano, o banco oficial do Vaticano. Seu diretor, Roberto Calvi, foi encontrado enforcado (suicídio ou assassinato?), Michele Sindona, um advogado e investidor ligado a Calvi foi preso e envenenado na prisão, Lício Geli, influente maçom da Loja P-2 e figura íntima do Vaticano, foi preso por sua conexão com o escândalo e depois extraditado para a Suíça onde era procurado www.cacp.org.br/jornalpapado.htm . Claro que uma suspeita paira até hoje no ar: Teria Geli ligações com a Guarda Suíça, a responsável pela segurança pessoal do Papa?

A tudo Karol Wojtyla assistiu passivo até que um amigo pessoal, Cardeal Paul Marcinkus, apareceu como suspeito principal. Com mandado de prisão expedido, João Paulo II deu imunidade parlamentar ao Cardeal que, até hoje, não pode se afastar do Vaticano. É, na verdade, um prisioneiro dos 4,4km2 do Vaticano.

Depois disso o Vaticano enveredou-se por tantos escândalos quantas eram as viagens do Papa. Entre os de maior repercussão, podemos citar o assassinato do Chefe da Guarda Suíça por um dos soldados do Papa e a crise dos padres pedófilos dos Estados Unidos. No primeiro caso, a suspeita de um triângulo amoroso mesclado com histórias de homossexualismo só não abalou estruturas porque foi imediatamente abafado. No caso dos padres pedófilos, houve uma sangria sem precedentes dos cofres da Igreja Católica Americana que se viu obrigada a pagar enormes fortunas a título de indenização. O Cardeal Bernard Law, acusado de encobrir o caso por mais de 40 anos, foi destaque quando rezou a quarta das nove missas especiais pela salvação da alma do Papa http://www11.estadao.com.br/internacional/noticias/2005/abr/11/124.htm .

Homossexualismo, sexo indevido e pedofilia são episódios triviais no seio da Igreja Católica há milênios. Nada de novo. Se veio à tona foi porque os Estados Unidos são um país com tamanha liberdade de manifestação que possibilitou a visibilidade dos fatos.

Em termos de Brasil, sempre fomos "poupados" das tramóias dos bastidores romanos. Poucos entenderam, por exemplo, o porquê da visita do Papa ao Brasil em 1980. Quem tiver paciência de vasculhar os documentos da CNBB para entender os passos do Pontífice em terras tupiniquins terá que faze-lo com estatísticas nas mãos.

Naquele tempo, o protestantismo avançava avassaladoramente por todo o país, as igrejas católicas estavam às moscas e o Óbolo de São Pedro, polpuda, taxa anual cobrada das paróquias brasileiras, minguava, os seminários estavam decadentes e isso tudo precisava ser revertido. A visita de João Paulo II, naqueles dias, tal como sua morte, nos dias de hoje, revigorou a catolicidade dos brasileiros. Quanto aos evangélicos, uma pitada de ecumenismo calou a boca dos incautos. Afinal de contas, como criticar um Papa tão amável?

Anos depois, livros como "Tranqüilamente Católico" (Pe. Zezinho) e "Como lidar com as Seitas" (Pe. Paulo Gozzi), ambos publicados pela editora Paulus, mostram que tudo não passou de farsa. E o próprio Vaticano acabou por jogar a definitiva pá de cal sobre a ilusão daqueles que acreditaram nas viagens amistosas de Karol Wojtyla com o lançamento da contundente encíclica "Dominus Iesus". Neste documento, o Papa é taxativo: Ecumenismo é política. Salvação da alma, que é o que interessa em se tratando de religião, é privilégio único da Igreja Católica Apostólica Romana. Ago tipo: "Vocês podem até brincar de religião e vou brincar junto. Mas se quiserem ser salvos, voltem ao Catolicismo. Quem não o fizer, está no Inferno". Tudo isso embalado pelo jingle "A benção, João de Deus / Tu vens em MISSÃO DE PAZ..."

O teatro da sucessão está apenas começando. O Conclave que terá inicio amanhã, 18, reserva muitas surpresas. As precauções e medo que tomaram conta do Vaticano foram responsáveis por cenas nunca dantes vista. A exigência de Silêncio Absoluto dos Cardeais oito dias antes do Conclave calou a boca destes evitando problemas maiores. Se um Cardeal romper o silêncio quebra uma das regras básicas do Conclave. Uma entrevista de Dom Cláudio Hummes, brasileiro contado entre os papabiles, pode leva-lo à excomunhão. Ou seja, uma palavrinha do Cardeal de São Paulo para a Rede Globo pode condena-lo ao Inferno.

Outra atitude inusitada foi a varredura eletrônica realizada nos aposentos onde se hospedarão os Cardeais durante o Conclave (Jornal da Record, 14/04). Teme-se que haja espionagem contra os Cardeais.

O New York Times de domingo passado, 10, trouxe uma extensa matéria com o título "Cardeais buscam comunicador como novo papa" http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2005/04/10/ult574u5297.jhtm . Preparem-se, a pantomima vai continuar. Olho nos jornais. Olho em Apocalipse 17 e 18.


Roberto Santos


2005-04-17 00:00:00

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