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Lições da China


Tanto quanto posso, não compro produtos chineses. Está difícil. A cada dia a inscrição “Made in China” torna-se onipresente. Está em quase tudo que consumimos. Um dia desses, quando um amado irmão retornou dos Estados Unidos, recebi um duro golpe. Natan Cerqueira é um caso raro. Adolescente politicamente conservador. Nos identificamos profundamente. Por conta da amizade que nos une, Natan trouxe-me um souvenir da América. Um chaveiro onde bandeira, águia e o designe do mapa dos Estados Unidos, símbolos máximos da Liberdade Americana, se fundem criativamente. No verso, uma frase de George W. Bush: “Nós não tremeremos, nós não nos cansaremos, nós não nos acomodaremos e nós não falharemos. Paz e liberdade irão prevalecer”. O chaveiro foi adquirido em uma Patriot Store, as lojas especializadas em vender objetos que ressaltam o patriotismo americano. Em um canto discreto do chaveiro, e em letras diminutas, lê-se Onovelty, China. Até mesmo a pátria do capitalismo e sua instituição mais significativa, a Presidência, renderam-se ao Made in China.

A questão da minha resistência aos produtos chineses tem pouco a ver com qualidade. Embora a maioria das quinquilharias seja horrível, produtos de primeira linha desembarcam por aqui. Fujo dos produtos chineses, pois me assusta a forma como boa parte do mundo não percebe o perigo que representa o crescimento da economia vermelha. No dia 30 de dezembro do ano passado, o renomado jornal inglês Financial Times (FT) alertou em editorial: “Despertar do dragão chinês abala todo o planeta”. E destacava: “Centenas de milhões de trabalhadores mal pagos e investimentos estrangeiros diretos de cerca de US$ 1 bilhão (quase R$ 3 bilhões) por semana praticamente incharam a atividade comercial e abalaram os mercados globais de petróleo e minerais, as moedas e o mercado de ações” (http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/fintimes/2004/12/30/ult579u1401.jhtm). O FT alertava ainda para a insensibilidade dos americanos que pareciam não se importar, afinal de contas se conglomerados como o Wal-Mart estão vendendo DVD por US$ 29 (Menos de 70 Reais!), por quê se preocupar?

O que me incomoda num produto chinês é que, pior do que serem “mal pagos”, entre as “centenas de milhões de trabalhadores” estão milhões de crentes. Claro que o valor dos salários é terrivelmente baixo na China Comunista. No interior, onde se concentra boa parte dos crentes, o salário médio de uma família é de 3.000 Renminbis (“moeda do povo”) por ano. O que resulta num salário mensal equivalente a R$ 78,00. Por família! Mas meu incômodo não é econômico é eminentemente espiritual. Não me agrada a idéia de estar colaborando para a sustentação de um dos regimes mais cruéis do planeta. Crueldade que se mostra particularmente violenta para com os nossos irmãos. A perseguição do governo chinês aos evangélicos assemelha-se ao que aconteceu no Império Romano no início da Igreja.

O crescimento do cristianismo no interior da China vem preocupando a cúpula do Partido Comunista. De menos de 1 milhão em 1949 (834.000) saltou para 35 milhões em 1982, 50 milhões em 1987 e, em 1991, chegou a 63 milhões. Como o Governo tenta controlar tudo, há um órgão específico para monitorar os crentes. O Movimento Patriótico da Tríplice Autonomia e o Conselho Cristão da China acreditam que o número de cristãos gira em torno de 15 milhões de chineses. Mas para cada pessoa que se congrega nas “igrejas oficiais” do MPTA, há pelo menos seis ou sete crentes que oferecem o culto a Deus em suas próprias casas ou nas “igrejas-domiciliares”. É difícil precisar quantos cristãos participam destas igrejas-domiciliares. Em 2000, um relatório extra-oficial dizia haver aproximadamente 80 milhões. Dá para ver claramente que a principal corrente do cristianismo protestante da China está no movimento da igreja-domiciliar. A maior concentração de cristãos é nas províncias de Henan na Região Central e Zhedjiang na Região Leste da China, ao sul de Xangai. Dez por cento em média da população destas províncias são cristãos. Nas aldeias, quase metade da população é de cristãos.

Não é fácil ser cristão na China. O jornal The New York Times, do dia 26 de novembro de 2002 trouxe uma extensa matéria assinada por Nicholas Kristof noticiando alguns fatos. O depoimento de Ma Yuqin foi assim relatado por Kristof: “Ela foi torturada com surras e choques elétricos, mas resistiu com bravura. Mesmo quando esteve perto de ser morta, ela não revelou os nomes dos membros da sua congregação nem assinou a declaração renunciando a fé cristã. A tortura física foi quase insuportável, mas a tortura mental foi ainda pior. Ao mesmo tempo em que era submetida a todo aquele sofrimento, Ma Yuqin podia ouvir o seu filho sendo torturado na sala ao lado. Eles podiam ouvir os gritos um do outro. Um incentivo extra para tentar fazê-la trair seus amigos e a sua fé”. Ao relembrar o episódio, Ma Yuqin começou a soluçar. “Eles queriam que eu ouvisse os gritos (do meu filho). Aquilo me dilacerava o coração”.

A experiência de Ma Yugin não é isolada e está registrada junto com outras dezenas no site A Voz dos Mártires (www.vozmartir.org). Segundo este site, a irmã Ma foi espancada quase até a morte no centro de detenção comunista. No Times, Nicholas Kristof afirma que este tipo de tratamento tem sido comum na China há mais de meio século. Cidadãos - cujo único crime é adorar a Deus - são queimados com cigarros, espancados com cassetetes e martirizados por causa de sua fé.

Não pense o leitor que a China é única. Na relação dos países que mais perseguem cristãos ela ocupa a posição de número 10. Antes dela vêm Mianmar em nono lugar, Butão, Maldivas, Turcomenistão, Irã, Vietnã, Laos, Arábia Saudita e o país campeão das perseguições, a Coréia do Norte. Se destaco a China é pela quase onipresença dela nas relações comerciais com o Brasil nos últimos 2 anos. Dificilmente você vai esbarrar com um produto vietnamita na gôndola dos supermercados. Já os chineses.

Boicotar a China por completo está cada vez mais difícil. As maiores empresas do mundo estão levando suas fábricas para lá. Minha filha assistia a um desenho animado “canadense” na TV Cultura de São Paulo quando a ficha técnica mostrou a equipe envolvida na sua elaboração. Idealizado, dirigido e produzido por canadenses, mas totalmente desenhado por uma dezena de animadores chineses. Mão de obra barata, maltratada e, se cristãos, perseguida.

Sempre que posso, não compro produtos chineses. Não quero compactuar. Adianta? Não sei. Só sei que na edição 575 do INFORMISSÕES (Dia das Mães) escrevi um artigo falando da perseguição aos cristãos germânicos onde mães são presas por não permitirem que seus filhos participem de atividades ofensivas a Deus em suas escolas. No Domingo passado aconteceram eleições na Alemanha. No Estado de Nordhein-Westphalen, onde a perseguição é sistemática, o Partido Social Democrata (SPD) teve uma derrota surpreendente. Coligado com o Partido Verde Alemão, o SPD impôs um regime de Esquerda por quase 40 anos no maior dos dezesseis Estados alemães. No domingo o vencedor foi a União Democrata Cristã (CDU), um partido de centro-direita. O resultado da eleição abalou o Governo de Gerhard Schröder. O posicionamento dos crentes fundamentalistas germânicos está mudando a política alemã.

Sei que muitas pessoas se surpreenderam ao saber que há tantas dificuldades para os crentes da Alemanha. E que a coisa é pior para os irmãos chineses. Afinal de contas, parece que as coisas só andam ruins para os lados do Iraque. Mentira. Há uma pseudopaz no mundo. E este é um dos sinais dos tempos. Na primeira carta aos Tessalonicenses, Paulo nos adverte: "Irmãos, relativamente aos tempos e às épocas, não há necessidade de que eu vos escreva; pois vós mesmos estais inteirados com precisão de que o Dia do Senhor vem como ladrão de noite. Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão" (5:1-3).

Termino com uma tremenda lição que nos vem da China. A discrepância entre os números de cristãos oficiais e não oficiais se dá pelo fato de que se filiar ao MPTA significa fazer parte de um cristianismo subjugado ao Partido Comunista. A maioria dos Cristãos, portanto, se recusa a barganhar o Senhorio de Cristo. “Quem é o cabeça da igreja: Cristo ou o Estado?”, perguntam eles. Tanto para MPTA quanto para o Governo Alemão, o Estado é a suprema autoridade nos assuntos da igreja.

O site A Voz dos Mártires, comenta que “as igrejas-domiciliares [chinesas] estão determinadas a obedecer a Cristo, mesmo que esta obediência lhes traga sofrimento, porque eles preferem ‘trilhar na vereda cruz’ a obedecer a um poder estatal ateu que procura impedi-los de servir a Cristo. Estes bravos crentes passaram a esperar perseguição, porque são discípulos de Cristo e não de Mao nem dos líderes do partido comunista chinês. Eles sabem que, assim como ao apóstolo Paulo, lhes ‘foi dado o privilégio de não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele’ (Filipenses 1:29,30). Por que os nossos irmãos e irmãs chineses suportam tamanha agonia sem qualquer vislumbre de solução ou salvação física? Eles sabem que vão vencer no fim”.

Há alguns anos tornou-se conhecida a história de uma anciã chinesa que estava presa por sua fé em Jesus Cristo. Todas as manhãs os prisioneiros eram obrigados a se perfilar do lado de fora das suas celas e proclamarem: “Comunismo é bom!”. Quando se fazia silencio ela gritava: “Jesus é melhor!”. E era, então, obrigada a fazer flexões de braço como castigo. As agências missionárias não têm mais notícias dessa velhinha. Mas a voz dela ecoa nas milhares de igrejas clandestinas chinesas: “Jesus é melhor!”.


Roberto Santos


2005-05-29 00:00:00

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