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Definitivamente: Mel Gibson é anti-semita!


Muito já se escreveu sobre o Filme A Paixão do Cristo, de Mel Gibson. Em grande parte dessa produção literária há críticas ao cineasta. Entretanto, em nenhum dos artigos que li encontrei uma abordagem clara de uma questão crucial: Gibson é ou não é anti-semita? Se for, evidentemente, sua obra também será. No texto abaixo procurarei demonstrar o quanto o diretor de A Paixão é anti-semita. Uma vez posto isso, proponho que o leitor analise o filme sobre essa ótica. Certamente chegarão à mesma conclusão que cheguei: O filme é anti-semita!

Primeiramente, há a necessidade de se jogar luzes sobre as raízes da expressão anti-semitismo. Ao definir  anti-semitismo os dicionários são lacônicos. Anti-semitismo vem de anti-semita + -ismo, ou de ant(i)- + semitismo. Trata-se, segundo os lexicógrafos, de um substantivo masculino que denota a qualidade de anti-semita ou uma doutrina ou movimento contra os judeus. Pronto.

Saindo da frieza das páginas dos dicionários para a vida real percebemos que anti-semitismo é algo muito mais amplo e complexo1. E está mais presente no nosso dia-a-dia do que possamos imaginar. Você, por exemplo, já parou para pensar que quando utiliza a expressão judiar está usando um verbo com raízes anti-semitas? Sabia que a aparentemente folclórica malhação do Judas tem origem em um ritual anti-semita? Vivemos em um cotidiano impregnado de detalhezinhos anti-semitas e nem nos apercebemos disso.

A expressão judiar nasceu da idéia de que os judeus têm a prática de maltratar aqueles que não lhes são semelhantes. Quando maltratamos alguém, estamos nos nivelando aos judeus, estamos judiando.

A malhação do Judas já foi mais real do que é praticada nos dias de hoje. Na idade média (principalmente em algumas regiões da Espanha), durante a Semana Santa, um notório judeu era levado para dentro de uma igreja (Católica). No auge da celebração, o padre pedia que ele se apresentasse. Um nobre da cidade era então convocado, subia próximo ao altar e esbofeteava o judeu. Era uma forma simbólica de vingar-se da atitude dos antepassados daquele judeu que, segundo a crença vigente, seriam os responsáveis pela morte de Cristo.

Com o declínio da Inquisição (digo declínio e não extinção porque as leis que regeram a Santa Inquisição nunca foram revogadas) a prática ficou anacrônica. Em substituição, surgiu a hoje folclórica "malhação" de um boneco, simbolizando o judeu que era levado ao altar.

Entendendo os dois exemplos dados percebemos que talvez, justamente pela minimização do real sentido do termo anti-semitismo, não tenhamos percebido o quanto o filme A Paixão do Cristo é anti-semita. Para entender o anti-semitismo de Gibson o importante não é procurar o que o cineasta destacou em seu filme, mas sim aquilo que ele não colocou.

A estratégia de escamotear alguma coisa, disfarçando-a para confundir, não é nova, já foi utilizada no passado pelos Rosacruzes. Perseguidos pela Inquisição os Rosacruzes, membros de uma seita secreta no estilo da Maçonaria, descobriram um jeito interessante de não serem descobertos: Passaram a se apresentar como Rosacruzes. Criou-se um impasse: Se a seita era secreta e alguém dizia ser um Rosacruz, isso significava que ele não era. Mas, na verdade, era. Embora aparentemente pueril este estratagema salvou muitos Rosacruzes da fogueira.  

Gibson ressuscita o estilo. Não procure frases anti-semitas em A Paixão. Você não encontrará. Até mesmo o versículo mais duro da Bíblia foi omitido quando da tradução. Como se sabe, o filme é em hebraico, aramaico e latim. Mas quando foi legendado (mesmo para o inglês) o registro de Mateus 27.25 foi extirpado. Lá estão os judeus gritando para Pilatos: "Caia sobre nós o seu sangue, e sobre nossos filhos!". Mas a frase não aparece na legenda. Segundo Gibson, omitir isso é uma prova de que o filme não é anti-semita. Ou, como alfinetou, que se seguirmos um raciocínio simplista, a própria Bíblia é anti-semita.

E este tem sido um argumento bastante utilizado pelos defensores de Gibson: A Bíblia é anti-semita. Ora, leitor amigo, se há um livro claramente semita, este livro é a Bíblia. O que ela contém são registros de atitudes anti-semitas e não a pregação do anti-semitismo em si. Seria o mesmo que dizer que o objetivo da bula dos remédios é proibir o uso deste, pois fala dos terríveis efeitos colaterais do medicamento. 

O anti-semitismo de Gibson está no contexto em que seu filme foi lançado e na ideologia que move esse senhor. O mundo nunca foi tão anti-Israel como nos dias de hoje e o senhor Gibson é um dos piores porta-vozes deste ódio.

Para entendermos o atual contexto mundial, observe o editorial do mais importante jornal francês, o Le Monde2. Quando do lançamento do filme na França, o tradicional jornal afirmou que "a regressão mais grave do filme de Mel Gibson está no seu anti-semitismo insidioso". "Se houver uma vítima", continua o Lê Monde, "existem forçosamente os seus carrascos. Nada diz no texto original de A Paixão que o povo judeu foi coletivamente responsável pela morte de Jesus. Mas Gibson não nos poupa nem dos textos, nem dos estereótipos que, ao longo dos séculos, foram utilizados pela propaganda antijudia".

Le Monde ressalta ainda que "Pôncio Pilatos, o prefeito romano da Judéia, que toda a historiografia pinta como um personagem de uma crueldade repugnante, passa aqui por um gentil humanista. Os torturadores são os ocupantes romanos, mas os que 'dão as ordens' são os grandes sacerdotes judeus, presentes em todas as etapas do processo de Jesus e até ao pé da cruz".

O editorial indaga: "Quem poderá sustentar que tal filme não reforça os piores clichês sobre os judeus cúpidos, intolerantes, manipuladores, conspiradores, sedentos por sangue? (...) Este coquetel de culto da dor cristão e de antijudaísmo é explosivo. Ele alimentou todas as representações da Paixão na Idade Média que acabavam sempre em motins antijudeus, até aquelas que, na Bavária, faziam correr as multidões nazistas".

O jornal francês continua: "No momento em que o extremismo religioso está vencendo em todo lugar, no momento em que a confusão entre sagrado e violência se instala em todas as mentes, este filme pode ter efeitos devastadores, seja nas periferias onde tudo pode ser pretexto para o ódio aos judeus, seja nos países árabes (nos quais os meios de comunicação divulgaram que Iasser Arafat teria assistido ao filme de Gibson e aprovado) seja nas relações entre judaísmo e cristianismo (...). O filme alimenta as piores tendências religiosas do mundo moderno".

Como gancho para o raciocínio da seqüência deste artigo, tomo uma frase do Editorial aqui citado: "Como se surpreender com o fato de que os que apóiam Gibson estejam nas fileiras dos católicos tradicionalistas, os quais não têm a menor dúvida quanto à culpabilidade dos judeus na morte de Jesus?".

Não se surpreenda com o que Gibson pensa. Contra esse tipo de pessoa, Jesus Cristo é extremamente claro quando nos alerta: "Acautelai-vos dos falsos profetas que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas, por dentro são lobos roubadores" (Mateus 7.15).

Durante anos, Gibson nos proporcionou momentos agradáveis de entretenimento. Passamos a achar simpático aquele senhor que fazia filmes onde o bem sempre prevalecia e o modo de lidar com as mulheres arrebatava multidões delas. Quem não queria ser Gibson desejava ter o próprio ao seu lado. Ovelha disfarçada. Silenciosamente, Gibson preparava seu bote.

Não estamos forçando o sentido da passagem de Mateus para aplica-la a Gibson. Nos dois versículos seqüentes Jesus Cristo complementa: "Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus." (Mateus 7.15-17).

É importante que conheçamos a árvore para sabermos se o fruto é bom ou mau. E de que árvore estamos falando? Que devemos esperar dos seus frutos? Deixemos que o próprio Gibson se revele.

Na edição de Abril de 2004, a Revista Seleções3 (quase 30 milhões de exemplares vendidos mensalmente em 19 idiomas!) traz uma entrevista de Mel Gibson à jornalista Peggy Nooman. Na matéria intitulada Tudo pela Fé, Gibson expôs as reais intenções do Polêmico A Paixão do Cristo. Vejamos alguns trechos desta matéria.

A jornalista pergunta: "Li em alguns artigos que seu pai tem crenças religiosas bastante conservadoras e, de acordo com pelo menos uma das histórias, que ele questiona algumas das versões aceitas sobre o Holocausto. O que você diz sobre isso?".

Resposta de Gibson: "Meu pai me ensinou minha fé e eu acredito no que ele me ensinou. Ele nunca mentiu para mim. Ele nasceu em 1918. Perdeu a mãe quando tinha 2 anos e o pai quando tinha 15. Passou pelo período da depressão. Alistou-se na 2a Guerra Mundial, lutou em Guadalcanal, pegou malária, levou um tiro e não gostou muito da experiência. Serviu seu país lutando contra o fascismo. Voltou, trabalhou muito, criou os filhos, me deu um lar, me vestiu, me alimentou, me ensinou minha fé, me deu amor. E eu também o amo. E vou defende-lo com todas as minhas forças se alguém tentar magoá-lo".

A jornalista insiste: "Vamos ter de falar sobre isso: o Holocausto aconteceu, certo?".

Resposta de Gibson: "Tenho amigos e conheço pais de outros amigos que têm números marcados no braço. Meu professor de espanhol foi um sobrevivente do Holocausto. Ele trabalhou num campo de concentração na França. Sim, é claro. Atrocidades aconteceram. A guerra é uma coisa horrível. A 2a Guerra Mundial matou dezenas de milhões de pessoas. Alguns deles eram judeus em campos de concentração. Na Ucrânia, milhões morreram de fome entre 1932 e 1933. No século passado, 20 milhões de pessoas foram dizimadas na União Soviética".

Percebendo que não adiantava insistir, a jornalista muda de assunto.

Rosa Cruz! Na primeira pergunta Gibson responde afirmativamente sem faze-lo. Hutton Gibson, o pai, é um Revisionista. Revisionistas são aquelas pessoas que afirmam que a "teoria" do Holocausto é uma das maiores mentiras criadas pelos judeus na sua campanha de domínio da raça humana em parceria com Satanás. Esta é a base ideológica dos defensores de um texto falso intitulado Os Protocolos dos Sábios do Sião. Hutton Gibson é Revisionista.

Sob este prisma dissequemos a entrevista de Gibson ao Reader's Digest. A pergunta de Peggy Nooman era objetiva: O quê Mel Gibson achava das posições de seu pai, Hutton Gibson. E Gibson não disfarçou, foi direto: "Meu pai me ensinou minha fé e eu acredito no que ele me ensinou". Creio naquilo que meu pai crê. Ora, se o pai é anti-semita, o filho também o é!

 "Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?", sussurra-nos Cristo.

"Ele nunca mentiu para mim", continua Gibson.

"O Holocausto é mentira", sussurra-nos o Diabo. 

Na defesa da legitimidade da fé do pai, Gibson apela para a biografia supostamente impoluta de Hutton: "Ele nasceu em 1918. Perdeu a mãe quando tinha 2 anos, etc. etc.". Sim, mas o que isso tem a ver com a pergunta? "Alistou-se na 2a Guerra Mundial, lutou em Guadalcanal, pegou malária, levou um tiro e não gostou muito da experiência. Serviu seu país lutando contra o fascismo".

"Leiam nas entrelinhas" eu lhes sussurro.

Gibson procura dar credibilidade ao pai para, por extensão, dar credibilidade às suas teorias. O pai conhece os bastidores da Segunda Guerra Mundial. Esteve lá.

Na verdade o que ele está querendo dizer é que a maioria dos que o criticam não sabem o que foi a guerra e as mentiras que vieram depois dela. Inclusive a mentira maior, o Holocausto.

Depois ele cita Guadalcanal. Um tanto desconhecida para nós, brasileiros, Guadalcanal é peça chave na história contemporânea americana. Trata-se de uma ilha em um arquipélago do Oceano Pacífico e que foi palco da pior batalha naval da Guerra. Os americanos falam tanto desse episódio quanto nós da batalha de Riachuelo. Cerca de 25.000 soldados japoneses e 1.600 americanos morreram apenas em terra, na ilha. Até hoje não há registro oficial dos corpos desaparecidos no mar. Hutton Gibson esteve lá, você não, diz, implicitamente, Gibson à jornalista. Como ousa falar deste herói.

Ainda falando do pai, Gibson continua: "[depois da Guerra, ele] voltou, trabalhou muito, criou os filhos, me deu um lar, me vestiu, me alimentou, me ensinou minha fé, me deu amor. E eu também o amo. E vou defende-lo com todas as minhas forças se alguém tentar magoá-lo". Gibson tenta dissuadir a jornalista que, timidamente, insiste na pergunta, afinal de contas, o entrevistado acaba de admitir que o pai "ensinou sua fé".

"Vamos ter de falar sobre isso", continua Nooman, "o Holocausto aconteceu, certo?". Novamente Gibson fala nas entrelinhas: "Tenho amigos e conheço pais de outros amigos que têm números marcados no braço. Meu professor de espanhol foi um sobrevivente".

O que Gibson está querendo dizer é que o Holocausto existiu, mas não é essa coisa toda que vocês dizem. É como se dissesse: Conheço mais sobreviventes que mortos. Ora, ora, quando foi para exaltar os feitos do pai, superdimensionou Guadalcanal, mas para defender o anti-semitismo minimiza o Holocausto.

Aparte que mais me irritou na entrevista foi quando Gibson falou sobre seu professor de espanhol: "[Ele] trabalhou num campo de concentração na França" diz, descaradamente, o cineasta. Para que o leitor entenda minha irritação, é preciso relembrar que na entrada de todos os Campos de Extermínio nazistas havia uma inscrição em alemão que dizia "Arbeit macht frei", ou seja, "O trabalho te libertará". Cinicamente, os alemães diziam que os Campos de Extermínio eram saudáveis locais de "trabalho". Tratava-se da mais sórdida artimanha jamais utilizada em uma Guerra. E agora vem o Sr. Gibson falar dos "trabalhadores" dos campos de concentração.

Na seqüência da entrevista Gibson concorda: "Sim, é claro. Atrocidades aconteceram. A guerra é uma coisa horrível. A 2a Guerra Mundial matou dezenas de milhões de pessoas. Alguns deles eram judeus em campos de concentração".

Todos foram ruins na guerra, diz Gibson. Ora, os judeus formavam a única nação perseguida que não tinha uma pátria. Homossexuais, aleijados, anões, ciganos e outros desfavorecidos perseguidos por Hitler não formavam uma raça, eram encontrados em qualquer etnia. Mas os judeus não, eles eram um povo. E foram sistematicamente perseguidos. Mesmo sem pegar em armas corresponderam em mais de 10% de todos os mortos. Dos 50 milhões de vítimas, 6 milhões foram judeus4. SEIS MILHÕES e não alguns deles, Sr. Gibson!

No afã de misturar alhos com bugalhos, Gibson coloca os mortos da Ucrânia e União Soviética no mesmo balaio. Para quem não está familiarizado com a história, é bom saber que ambos os episódios estão ligados a um dos pais do esquerdismo mundial, Joseph Stalin. Ele promoveu a matança de 7 milhões de ucranianos e sua cruel política comunista matou, direta ou indiretamente, mais de 20 milhões de soviéticos até 1989. Como a União Soviética era aliada aos Estados Unidos durante a Segunda Guerra, Gibson destila aqui um pouquinho de veneno naqueles que o atacam. Embora vulgar lanço mão do mais besta dos lugares-comuns: Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Na verdade, o filme A Paixão do Cristo é anti-semita até mesmo no título, que reforça a teoria Deicida. No título original Gibson usou a expressão A Paixão "do" Cristo, e não A Paixão "de" Cristo. Não se trata, caro leitor, de um mero jogo de palavras sem sentido ou sem importância, mas sim de um argumento que está na base histórica do anti-semitismo. O que "os judeus mataram" não foi o Homem Jesus, mas sim o Messias Jesus. Os Judeus assassinaram Deus.

Outra coisa que chama atenção nesta "Paixão" são os estereótipos trabalhados. Analise que é mal no filme? Os judeus (chamados de imundos por Pilatos), os homossexuais (presentes na performance bizarra de Herodes e nos trejeitos efeminados do Diabo que, aliás, é interpretado por uma atriz e não por um ator), os ciganos (lembrados nos trajes e atitudes das mulheres da corte de Herodes) e os seres humanos não convencionais (destacados na cena em que um anão, chupando o dedo, faz o papel de filho de Satanás em oposição ao Filho de Deus). Homossexuais, aleijados, ciganos e judeus. A base dos perseguidos por Adolph Hitler.

Àqueles que estão defendendo o não anti-semitismo de A Paixão do Cristo, um pedido: sejam sábios. Além daquilo que está explicito tem o subliminar aqui exposto. Mudem seus discursos. Não mais defendam este senhor. Mais do que isso: exponham o perigo do seu veneno.


1. www1.uol.com.br/bibliot/enciclop/ 2. http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/ ult580u1075.jhtm 3. Seleções do Reader's Digest, Abril de 2004. 4. http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mu

Roberto Santos


2004-06-30 00:00:00

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