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O futuro de Israel: O Desígnio Eterno de Deus

Romanos 11:28-32


O futuro de Israel: o desígnio eterno de Deus

por

John Stott


Comentário Sobre Romanos 11:28-32

 

 

A conclusão de Romanos 11 (28-32), à parte da doxologia (33-36), contém duas declarações distintas. Ambas são finamente esculpidas e buriladas. Ambas enfocam o ainda incrédulo Israel ("eles"), se bem que em relação aos crentes gentios (vocês). Além de descreverem a realidade presente (inclusive a persistência da incredulidade dos judeus), ambas ressaltam também em que se baseia o apóstolo para confiar que Deus não rejeitou o seu povo (1-2), nem permitiu que os seus escolhidos "tropeçassem para que ficassem caídos" (11). Qual é o fundamento de tal convicção? Trata-se da eleição de Deus (28-29) e da misericórdia de Deus (30-32).

Primeiro, Paulo diz que a eleição de Deus é irrevogável. Quanto ao evangelho, eles são inimigos por causa de vocês; mas quanto à eleição, são amados por causa dos patriarcas (28), pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis (29).

Eis aqui duas maneiras contrastantes de avaliar o povo judeu. A essência da antítese encontra-se nas expressões "eles são inimigos" e "eles são amados". Se "amados" é passivo, logo "inimigos" também deve ser passivo. Isto é, denota a hostilidade de Deus para com eles, no sentido de que encontram-se debaixo do seu juízo. Na verdade, o versículo 28 insiste em que eles são, ao mesmo tempo, objetos do amor e objetos da ira de Deus. O mesmo versículo inclui dois contrastes explanatórios posteriores, os quais desenvolvem a antítese entre "eles" (os judeus incrédulos) e "vocês" (os crentes gentios). Em se tratando do evangelho, "eles" são inimigos por causa de "vocês"; quanto à eleição, "eles" são amados por causa dos patriarcas. É preciso elaborar melhor esta idéia. Por um lado, os judeus, além de rejeitarem o evangelho, estão se contrapondo ativamente a ele e fazendo tudo para impedir que "vocês", os gentios, o ouçam. Assim, pois, em relação ao evangelho, e "por causa de vocês" (porque Deus quer que vocês o ouçam e creiam), "ele" (Deus) se mostra hostil para com eles. Por outro lado, os judeus são o povo escolhido, seu povo particular, os descendentes dos nobres patriarcas com os quais foi feita a aliança, e "por causa dos patriarcas" (porque Deus é fiel à sua aliança e às suas promessas), Ele os ama e está decidido e conduzi-los à salvação. Pois o fato é que Deus nunca dá para trás, no que se refere a Suas dádivas ou Seu chamado (29). Ambos são irrevogáveis. Suas dádivas são os privilégios que Ele concedeu a Israel e que vimos relacionados em 9.4-5. Quando ao seu chamado, "Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa. Porventura, tendo Ele prometido, não o fará? Ou tendo falado, não cumprirá?". [53] É em virtude da imutável fidelidade de Deus que nós podemos confiar que haverá restauração para Israel.

O segundo fundamento da nossa confiança de que Deus tem um futuro para o Seu povo é Sua misericórdia. Deus revela a Sua misericórdia ao desobediente. Assim como vocês, que antes eram desobedientes a Deus mas agora receberam misericórdia, graças à desobediência deles (30), assim também agora eles se tornaram desobedientes, a fim de que também recebam agora misericórdia, graças à misericórdia de Deus para com eles (31).

Estes versículos, cuidadosamente elaborados, contêm muito mais um paralelo do que um contraste. A desobediência humana e a misericórdia divina se revelam tanto na experiência dos gentios como na dos judeus; a diferença óbvia é que, enquanto Deus já se mostrou misericordioso para com os gentios desobedientes porém arrependidos, Sua misericórdia para com o desobediente povo de Israel reside, em grande parte, no futuro. Mas existe uma diferença entre as razões para a misericórdia de Deus apresentadas aqui, as quais se expressam, na sentença do original grego, no uso de dativos simples. Assim é que vocês receberam misericórdia "graças a desobediência deles" (30, enquanto que eles receberão misericórdia "graças à misericórdia de Deus para com vocês" (31). Ou melhor: é por causa do Israel desobediente que os desobedientes gentios receberam misericórdia, e é em razão dessa misericórdia para com os gentios desobedientes que os desobedientes judeus também receberão misericórdia. Mesmo assim, ainda se percebe a "corrente de bênçãos", na medida em que a desobediência de Israel conduz à misericórdia para com os gentios, que, por sua vez, há de resultar em misericórdia para com Israel.

O versículo 32 sintetiza o argumento de forma a revelar o supremo propósito e plano de Deus: Pois Deus colocou todos sob a desobediência, para exercer misericórdia para com todos. A desobediência é comparada a um calabouço no qual Deus teria encarcerado todos os seres humanos, a fim de que "eles não tenham possibilidade alguma de escape, a não ser que a misericórdia de Deus os liberte". [54] É este o argumento desta carta: nos três primeiros capítulos Paulo demonstrou que todos os seres humanos são pecadores, culpados e indesculpáveis; em seguida, a partir de 3.21, ele apresentou o caminho da salvação por meio da graça pela fé em Cristo. Em Gálatas ele escreve algo similar: "Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, a fim de que a promessa, que é pela fé em Jesus Cristo, fosse dada aos que crêem. Antes que viesse esta fé, estávamos sob a custódia da lei, nela encerrados, até que a fé que haveria de vir fosse revelada. Assim, a lei foi o nosso tutor até Cristo...". [55] Como vemos, a desobediência humana é a prisão da qual somos libertados pela misericórdia divina.

Mas quem são os "todos" que Deus colocou sob a desobediência e os "todos" que serão alvos da misericórdia de Deus (32)? Sobre este versículo muitos têm construído seus sonhos de universalismo. E, isolado do seu contexto aqui, ele poderia mesmo ser entendido como uma promessa de salvação universal no final dos tempos. A Epístola aos Romanos, no entanto, não dá lugar para tal interpretação, pois nela Paulo declara que haverá um "dia da ira de Deus" (2.5), no qual alguns irão receber "ira e indignação", "tribulação e angústia" (2.8ss). Mas, então, qual é a alternativa? Convém notar que, no texto original, nas duas partes do versículo 32 - a primeira concernente àqueles que Deus aprisionou sob a desobediência e a segunda àqueles com os quais Ele exercerá misericórdia - Paulo não se refere a "todos os homens" ou simplesmente a "todos" (indefinido), mas usa a expressão tous pantas, que significa "os todos" (com artigo definido). E esta expressão, neste contexto, refere-se aos dois grupos específicos que são contrastados no decorrer do capítulo e especialmente nos versículos 28 e 31, isto é, "eles" e "vocês", os judeus e os gentios.

Paulo vem fazendo um tremendo esforço para provar que não há distinção entre judeus e gentios, quer no que concerne ao pecado (3.9,22) ou à salvação (10.12). Agora ele diz que, assim como eles participam da mesma prisão, em virtude da sua desobediência, também assim estarão juntos ao desfrutarem a liberdade da misericórdia de Deus. Além disso, ele já predisse a "plenitude" futura, tanto para Israel (12) como para os gentios (25). Somente quando estas duas "plenitudes" se fundirem em uma só é que se realizará a nova humanidade, constituída de um número incontável de redimidos, a grande multidão multinacional que ninguém pode jamais poderá contar, [56] os "muitos" que antes estavam em Adão mas que agora estão em Cristo, vivenciando a Sua graça superabundante e reinando com Ele em vida (5.12ss). O fim dos caminhos de Deus será "Misericórdia, misericórdia irrestrita" [57], misericórdia manifestada na plenitude de judeus assim como de gentios, misericórdia "para com todos", isto é, "sobre todos sem distinção, e não para com todo sem exceção". [58]


NOTAS: [53] Nm 23.19. [54] Cranfield, vol. 11, p. 587. [55] Gl 3.22ss.. [56] Ap 7.9. [57] Cranfield, vol. II, p. 587. [58] Bruce, p. 211.

John Stott


2009-05-09 00:00:00

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