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O Cristão Incomum


Sobre o autor do livro  - John Bunyan

 

Já se passaram quatro séculos desde publicação do livro “O Peregrino”, livro mais vendido e lido do mundo, ficando atrás apenas da Bíblia. Seu autor, John Bunyan nasceu em Harrowden, Elstow, Inglaterra. Em 1649 casou-se com uma jovem mulher. Bunyan viveu em Elstow até 1655, quando sua esposa morreu, e então se mudou para Bedford e se casou de novo em 1659. Bedford hoje é um próspero centro industrial e ainda conserva alguns traços da época em que Bunyan caminhou por suas ruas na segunda metade do século XVII.

 

Um edifício, ainda incrivelmente bem conservado, onde alguns dizem que o escritor participou dos cultos, é sede do museu Bunyan, onde o visitante encontra um réplica como seria o lar dele, como também um púlpito, do qual ele ouviu palavras que influenciaram seus pensamentos. Também no museu encontra-se a porta de uma prisão onde Bunyan passou 12 anos preso pelo ‘crime’ de andar perto de Jesus e de pregar a verdadeira mensagem da cruz, contrariando o pensamento das lideranças anglicanas e católicas de seu tempo. Foi lá, na prisão, que Bunyan escreveu o livro “O Peregrino”.

 

Fiel a sua igreja, entretanto Bunyan não se contentava em receber apenas os ensinos ministrados pelos líderes religiosos, tornando-se um ávido estudioso da Bíblia. Com este estudo ele passou a questionar a conduta da igreja e a combater a hipocrisia que via nos círculos religiosos. Começou a ver o ativismo “cristão” como um pecado fatal, pois via que era fruto de esforço carnal, sem produzir a vida de Deus.

 

Embora o vitral da igreja atualmente homenageie o autor e seu livro, Bunyan com seu estudo da Bíblia passou a discordar fortemente da igreja anglicana. Muitas das cenas de seu livro não só expressam suas lutas íntimas, mas também a iniquidade que viu na igreja. Isto lhe custou muito sofrimento, fato resumido por uma placa em seu túmulo: “pagou muito caro por discordar dos líderes religiosos de seus dias”.

 

Um pequeno presídio existia próximo a uma ponte em Bedford. No primeiro ano que ficou preso lá, começou a escrever o livro “O Peregrino”.

Mesmo sem nunca ter ido a julgamento, passou 12 anos preso na mesma cadeia. Hoje os descendentes da cidade o homenageiam, mas na época de Bunyan era diferente, pois ele se atreveu a pregar contra a hipocrisia.  Em 1658 Bunyan foi processado por pregar sem uma licença, rebelando-se contra a igreja oficial da Inglaterra. Não obstante, ele continuou a pregar e não sofreu prisão até novembro de 1660, quando ele foi levado à cadeia municipal de Silver Street, Bedford. Ali ele ficou detido por três meses, mas, por se recusar a conformar ou desistir de pregar uma mensagem que confrontava os líderes religiosos de seu tempo, sua prisão foi estendida por 12 anos até janeiro de 1672, quando Carlos II emitiu a Declaração de Indulgência Religiosa.

 

Naquele mês ele se tornou pastor da igreja batista de Bedford. Em março de 1675, ele foi novamente aprisionado por pregar (porque Carlos II removeu a Declaração de Indulgência Religiosa), desta vez no cárcere de Bedford localizado na ponte de pedra sobre o rio Ouse. (O mandado original, descoberto em 1887, é publicado em fac-símile por Rush and Warwick, London). Após seis meses ele foi liberto e devido ao respeito que as pessoas tinham por seu ministério, ele não foi mais molestado.

 

A luta de Bunyan era fruto da decisão Henrique VIII (1509-1547), que criou a Igreja Anglicana, uma igreja nacional inglesa de orientação nitidamente católica. Em 1539, impôs os Seis Artigos, com severas punições para os transgressores (“o açoite sangrento de seis cordas”). Duas reações dos protestantes: conformação – por exemplo, o arcebispo Thomas Cranmer a princípio se opôs, mas depois se submeteu; protesto – Miles Coverdale, John Hooper e outros, que tiveram de fugir do país e foram para a Suíça. Maria I (1553-1558) tentou restaurar o catolicismo na Inglaterra, perseguindo e assassinando os líderes protestantes, notadamente os puritanos. Estes pregavam a purificação da igreja, defendendo o fim dos elementos arquitetônicos, litúrgicos e cerimoniais, que consideravam afrontação para com a simplicidade bíblica.

 

Muitos pastores puritanos foram cruelmente mortos sob influência da igreja anglicana (uma espécie de igreja católica sem vínculo com o Vaticano) . De 1534 até 1688 a igreja anglicana comandou o ato de intolerância contra os cristãos. Foi nesta época que viveu John Bunyan. Neste período a perseguição era geral. Os cristãos não tinham o direito legal de se reunir e muito menos de pregar o evangelho, e quando descobertos, os locais eram fechadas e destruídos. Houve uma imigração maciça para a América do Norte.

 

John Bunyan sofreu muito na prisão, pois além de sua esposa possuir uma enfermidade, ele tinha uma pequena filha cega, o que lhe custava muito tempo de aflições em oração. Muitas vezes lhe foi oferecido a liberdade em troca de um compromisso de não pregar mais o evangelho de Jesus, coisa que se recusava a fazer, ao contrário, e enfurecendo seu algozes, dizia: “Ao sair daqui, voltarei a pregar o evangelho de Jesus imediatamente.”

Sobre seu Livro: JORNADA PARA O INFERNO

“Cristão, faça a sua reputação brilhar com uma conduta que se conforme ao evangelho (Filipenses 1.27), se não você causará dano à religião, trará escândalo aos seus irmãos e se tornará um ‘tropeço’ (Romanos 14.13). Se você induzir outros a pecarem, ‘melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar’ (Mateus 18.6). Cristão, nestes dias uma reputação de vida piedosa é coisa rara; procure revestir-se dela, e trate de mantê-la ‘sem mácula’ (I Timóteo 6.14). Essa conduta realmente piedosa o tornará alvo e limpo e você será de verdade um cristão incomum”.[1]

 

Comentário: O livro “Jornada para o Inferno” mostra o caminho antagônico àquele traçado em“O Peregrino”. Se nessa segunda obra literária temos a descrição da “viagem de alguém que vai deste mundo para a glória”,[2] isto é, do caminhar cristão como um forasteiro no presente mundo, no primeiro livro, John Bunyan escreve sobre os passos do Sr. Mau na jornada de sua vida que o leva para o inferno, ou seja, a peregrinação de alguém que vai deste mundo para o tormento eterno. Se o Peregrino é um retrato alegórico de todo verdadeiro cristão, o Sr. Mau é a pintura simbólica de todo ímpio, inclusive os falsos religiosos travestidos de cordeiros quando na verdade são lobos vorazes.

Em sua palavra introdutória, esse piedoso puritano preocupa-se em mostrar que seu objetivo com esse livro é livrar alguns dos seus leitores que estejam andando no mesmo caminho que andou o Sr. Mau de ter o mesmo fim trágico que seu personagem teve. E diante disso ele aborda o assunto da falsa profissão de fé, mostrando que assim como é um pecado horrendo um homem se travestir de mulher, também é uma ofensa medonha um cristão falso se travestir de cristão verdadeiro.[3] 

Ele afirma que essa espécie de religioso receberá consequências terríveis caso não se arrependa do seu mau caminho e não possua uma confissão sinceramente piedosa. É nesse contexto que Bunyan diz as palavras do parágrafo supracitado. Esse parágrafo é tão importante para nossos dias como fora para os dias de do autor puritano, entendendo que muitos hoje estão em nossas igrejas muito embora sua profissão de fé seja superficial ou hipócrita. A esses, John Bunyan se dirige dizendo: “Se você induzir outros a pecarem, ‘melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar’”. Esse parágrafo mostra a proximidade dos tempos de Bunyan com o nosso tempo, quando o que mais se sente falta é de cristãos incomuns: homens e mulheres com uma profissão de fé que se coadune com sua prática.


[1] BUNYAN, John. Jornada para o Inferno. São Paulo: PES, 2010, p. 33. [2] Ibid, p. 21. [3] Ibid, p. 32.

Pr. José Nogueira


2011-12-15 00:0


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