Igreja Batista Fundamentalista Cristo é Vida

Bíblia Online

[ cristoevida.com ]

  • youtube
  • Instagram
  • twitter

Mensagem Pastoral

IGREJA BATISTA FUNDAMENTALISTA CRISTO É VIDA
www.cristoevida.com


Por que os Dons Carismáticos Cessaram?


Igreja Batista Fundamentalista Cristo é Vida

Mensagem Pastoral – www.cristoevida.com

Por que os Dons Carismáticos Cessaram?

Uma Introdução ao Assunto 

Seminarista Assis Nogueira

Não me incomoda muito o fato de existirem igrejas que ensinam a continuidade dos chamados “dons carismáticos”. Isto porque sempre houve, com maior ou menor intensidade, entusiastas que apelam para a continuidade desses dons espetaculares (revelações, falar em línguas, curas). Praticamente todas as seitas surgiram a partir de práticas “carismáticas”, sobretudo a partir de novas revelações. Montano, por exemplo, ainda no segundo século desafiou a corrente majoritária da igreja, reclamando para si a posse de visões e profecias, sobretudo de cunho escatológico, chegando a anunciar a volta do Senhor e a chegada dos Novos Céus e Nova Terra. A história se repetiu, com algumas variações, nos séculos seguintes. Nada novo sob o sol.

Com o Pentecostalismo (e seus desdobramentos) não foi diferente. Desde a sua origem demonstrou claramente divergir, em suas bases, das chamadas Igrejas Históricas, em razão das suas inovações na teologia, prática de culto e por sua aproximação do misticismo. O Pentecostalismo é uma invenção moderna, e foi antecedido pelo movimento “holiness” das Igrejas Metodistas dos Estados Unidos. Este movimento de santidade difundiu a ideia de uma santificação especial (segunda bênção) posterior à conversão e de um batismo com o Espírito Santo e com fogo. Depois de algum tempo, o metodista Charles Fox Parham ensinou que o batismo viria acompanhado de línguas desconhecidas. O campo estava preparado para o nascimento do Pentecostalismo: em 1900, num culto realizado por Parham, Agens Ozman fala em línguas, em Topeka, no Kansas, e em 1906, em Los Angeles, William Seymour promove o que ficou conhecido como Avivamento da Rua Azusa, garantindo a expansão do modelo pentecostal.

Conforme o sociólogo Paul Freston[1], houve três ondas do Pentecostalismo no Brasil. A primeira onda se dá no início do Pentecostalismo americano: em 1910 a Congregação Cristã chega ao Brasil, e em 1911, a Assembléia de Deus. A ênfase da primeira onda pentecostal é o batismo no Espírito Santo como experiência distinta da salvação, e o subsequente falar em línguas. A segunda onda se dá na década de 50 e início de 60, quando surgiram três novos grupos pentecostais: Igreja do Evangelho Quadrangular (1951), Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil para Cristo (1955) e Igreja Pentecostal Deus é Amor (1962). A ênfase desta onda é a cura. A terceira onda começa nos anos 70 e ganha força nos anos 80 com o nascimento do Neopentecostalismo, que tem como expoente máximo a Igreja Universal do Reino de Deus. A ênfase desta onda é o exorcismo e a Teologia da Prosperidade.

            O historiador Alderi Matos[2] ainda nos lembra de que o Movimento Carismático, iniciado na década de 60 entre protestantes e católicos, nos EUA, deu início a várias igrejas de orientação Pentecostal e Neopentecostal pelo mundo. Ele ainda ressalta que o Movimento Carismático ocasionou muitas divisões de Igrejas Históricas: “No Brasil, a “renovação” produziu divisões em quase todas as denominações mais antigas, com o surgimento de grupos como a Igreja Batista Nacional, a Igreja Metodista Wesleyana e a Igreja Presbiteriana Renovada”.

            Reconhecermos a existência de entusiastas pneumáticos, no seio cristão, desde a Igreja de Corinto. Contudo, a Bíblia deixa claro que os cristãos, desde o período apostólico, já estavam sendo orientados sobre a cessação das manifestações do Espírito Santo (o que se costuma chamar de dons carismáticos) e sobre a suficiência do ensino apostólico. Isto é notório, por exemplo, quando observamos as Epístolas de Pedro, João e Judas. O contexto em que foram escritas as três epístolas possui algo em comum: as igrejas estavam sendo assoladas por falsos ensinos. Lendo as epístolas, percebemos claramente que, na segunda metade do século I, quando já havia tradição apostólica sendo transmitida oralmente, e também cartas escritas pelos apóstolos circulando entre as Igrejas, os cristãos já estavam sendo ensinados a fundamentar as suas vidas única e exclusivamente no corpo doutrinário apostólico que se formava (além das Escrituras do AT). Impressiona perceber que, mesmo ainda antes da conclusão do Cânon (quando os carismáticos deveriam esperar que os dons espetaculares estivessem no ponto mais alto de execução na história do Cristianismo), observamos que os cristãos já estavam sendo orientados pelos apóstolos a permanecerem firmados naquelas porções de ensino e escritos reconhecidamente apostólicos e inspirados que estavam à disposição das igrejas, não havendo nenhuma orientação para que os crentes recebessem revelações ou falassem em línguas.

           O apóstolo Pedro, em sua segunda epístola, enfrenta falsos mestres zombadores. Ele denuncia a base do ensino desses infiéis, “fábulas artificialmente compostas”, e chama a atenção para a autoridade do seu ensino como testemunha ocular de Cristo (qualificação necessária para ser apóstolo de Jesus Cristo): “Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade” (2Pe 1.16). “Nós”, muito utilizado por Pedro, é um “plural apostólico”, utilizado para designar o grupo dos apóstolos. Pedro ensina que apenas os apóstolos tinham autoridade e capacidade divina para emitir a revelação de Deus. Posteriormente, Pedro fala a respeito de como os homens de Deus foram usados, desde o período do Antigo Testamento, para transmitir a revelação de Deus (2Pe 1.19-21). Ele também faz referência aos escritos paulinos que circulavam entre as igrejas, considerando-os como Escritura, ao lado do Antigo Testamento. Pedro, portanto, não deixa dúvidas: a igreja deveria se fundamentar tão somente sobre o fundamento dos profetas e apóstolos. Não havia orientação para a prática de quaisquer dons carismáticos ente os cristãos. Não havia necessidade, visto que a revelação objetiva da Palavra de Deus já estava gradualmente sendo oferecida por meio dos apóstolos.

O apóstolo João, por sua vez, escreve a sua primeira epístola provavelmente para combater certos mestres que estavam admitindo possuir um tipo de dom de revelação que lhes conferia um conhecimento especial de Deus. João, portanto, escreve a sua primeira epístola visando expor e combater o erro dos falsos mestres e confirmar os verdadeiros crentes na doutrina dos apóstolos. Ainda no prefácio de sua epístola (cf. 1Jo 1.1-5), João apresenta a natureza de seu ensino: o testemunho apostólico a respeito de Cristo. Assim como Pedro, João afirma: é na qualidade e autoridade de apóstolo de Jesus Cristo que temos ensinado a Palavra de Deus. A igreja deveria renunciar às revelações e experiências místicas, e fundamentar-se única e exclusivamente no ensino apostólico.

A Epístola de Judas também enfatiza a fé como fundamento suficiente para a vida da igreja. O sentido de “fé”, nos versos 3 e 20 da referida epístola, é o de fé objetiva, ou seja, um conjunto de doutrinas cristãs apostólicas que já havia sido entregue até então. Havia homens maus sutilmente se acomodando entre os crentes da igreja para a qual Judas escreve, os quais estavam pervertendo o ensino apostólico. Judas, então, exorta os crentes a “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (v.3), a lembrar “das palavras que vos foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo” (v.17) e a edificarem-se “sobre a vossa santíssima fé” (v.20). Como podemos observar, Judas não ensina que o cristão necessitava de revelações para edificar as suas vidas, nem sequer para discernir o espirito dos hereges dissimulados, mas ensina sobre a suficiência do ensino apostólico. Judas não diz: utilizem dons carismáticos para edificar as suas vidas e para identificar as heresias destruidoras dos homens ímpios. Pelo contrário: edifiquem as suas vidas sobre a fé santíssima. Dessa forma vocês identificarão as heresias e se conservaram no amor de Deus. Foi isso que Judas ensinou.

Não há, definitivamente, qualquer orientação para edificação da igreja a partir de novas revelações, ou ainda para o exercício de qualquer outro “dom carismático”. O que Deus mostra com clareza é que a doutrina dos apóstolos seria a revelação objetiva sobre a qual a igreja deveria edificar-se ao longo dos séculos. Paulo disse: Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; (Efésios 2:19, 20).

Os Reformadores reafirmaram o compromisso com esse ensino bíblico, quando lançaram o fundamento da Reforma conhecido como Sola Scriptura. Em suma, este pilar da Reforma ensina a Suficiência das Escrituras, tal como é expresso na Confissão de Fé de Westminister:

VI. Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela. À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens; reconhecemos, entretanto, ser necessária a íntima iluminação do Espírito de Deus para a salvadora compreensão das coisas reveladas na palavra, e que há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da palavra, que sempre devem ser observadas. II Tim. 3:15-17; Gal. 1:8; II Tess. 2:2; João 6:45; I Cor. 2:9, 10, l2; I Cor. 11:13-14.

E na Confissão Batista de 1689 (Capítulo 1):

1. A Sagrada Escritura é a única regra suficiente, certa e infalível de conhecimento para a salvação, de fé e de obediência.1 A luz da natureza, e as obras da criação e da providência, manifestam a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, de tal modo que os homens ficam inescusáveis; contudo não são suficientes para dar conhecimento de Deus e de sua vontade que é necessário para a salvação.2

Por isso, em diversos tempos e por diferentes modos, aprouve ao Senhor revelar-se a si mesmo e declarar sua vontade à sua igreja.3 E para a melhor preservação e propagação da verdade, e o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja, contra a corrupção da carne e a malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazer escrever por completo todo esse conhecimento de Deus e revelação de sua vontade necessários à salvação; o que torna a Escritura indispensável, tendo cessado aqueles antigos modos em que Deus revelava sua vontade a seu povo.4  1 II Timóteo 3:15-17; Isaías 8:20; Lucas 16:29,31; Efésios 2:20. 2 Romanos 1:19-21; Romanos 2:14,15; Salmo 19:1-3. 3 Hebreus 1:1.4 Provérbios 22:19-21; Romanos 15:4; II Pedro 1:19-20.  

             Essas confissões de fé apontam justamente para o ensino bíblico a respeito da Suficiência das Escrituras como regra de fé e conduta cristã, e para a “cessação dos dons carismáticos”. Como afirma Paulo Anglada[1], “a implicação lógica e bíblica desta importante doutrina reformada é óbvia. Se as Escrituras são suficientes, nada mais precisa lhes ser acrescentado”. E já que as Escrituras são suficientes e a elas nada pode ser acrescido (Ap 22.18), “se as novas revelações do Espírito ou as tradições humanas ensinam o que já é ensinado nas Escrituras, são desnecessárias; se vão além, devem ser rejeitadas”. Definitivamente, qualquer cristão que admite a possibilidade de receber novas revelações nega a doutrina da Suficiência das Escrituras, seja ele quem for.

           Seguindo o espírito da Reforma, muitos homens de Deus testemunharam a Suficiência das Escrituras e afirmaram que os “dons carismáticos” cessaram ainda na época apostólica. No apêndice da obra Sinais dos Apóstolos, Walter J. Chantry[2] apresenta inúmeros testemunhos a respeito do assunto. Selecionamos alguns deles, como ilustração:

            John Owen escreve em 1679: “Os dons que por sua própria natureza excedem a plenitude do poder de todas as nossas faculdades, há muito tempo cessaram nesta dispensação do Espírito e onde quer que alguém atualmente tenha pretensão ao mesmo, tal pretensão justamente pode ser vista com suspeita, como engano farsante” (Obras, vol. IV, p. 518).

            Jonathan Edwards escreve em 1738 que os dons extraordinários “foram dados para fundamentar e estabelecer a Igreja no mundo. Mas uma vez que o cânon das Escrituras foi completado e a Igreja Cristã plenamente fundada e estabelecida, esses dons extraordinários cessaram” (Caridade e Seus Frutos, p.29).

            George Smeaton escreve em 1882: “Os dons sobrenaturais ou extraordinários foram temporais e haviam de desaparecer quando a Igreja estivesse fundada e o cânon inspirado das Escrituras concluído, pois eles foram uma prova externa de uma inspiração interna” (A Doutrina do Espírito Santo, pág. 51).

Benjamin B. Warfield escreve em 1918: “Estes dons não foram possuídos pelo cristão da Igreja Primitiva como tal, nem pela Igreja apostólica ou a era apostólica por si mesmas; tais dons foram distintivamente autenticação dos apóstolos. Constituíram parte das credenciais dos apóstolos em sua qualidade de agentes autorizados de Deus para fundar a Igreja. Sua função, portanto, os delimitou à Igreja apostólica, de maneira distintiva, e necessariamente desapareceram com ela” (Milagres Falsos, pág. 6).

Arthur W. Pink escreve num livro que apareceu em 1970: “Assim como houve ofícios extraordinários (apóstolos e profetas) no início da nossa dispensação, também houve dons extraordinários; e como não houve sucessores designados para esses ofícios extraordinários, tampouco houve intenção de continuar esses dons extraordinários. Os dons dependiam dos ofícios. Não temos mais os apóstolos conosco e por conseguinte os dons sobrenaturais, a comunicação dos quais constitui parte essencial dos “sinais de um apóstolo” (2Coríntios 12:12), estão ausentes” (O Espírito Santo, pág. 179).

            Convém ressaltar, ainda, que afirmar a crença na doutrina da Suficiência das Escrituras e, ao mesmo tempo, admitir a continuidade dos dons carismáticos é uma grande incoerência e falta de compreensão das Escrituras. Em 1Coríntios 12 temos uma lista de nove manifestações do Espírito Santo que foram necessárias apenas por um breve período de tempo, e que estavam ligados diretamente a revelação ou confirmação. As revelações ainda estavam em andamento (o Cânon bíblico ainda não havia fechado) e os mensageiros precisavam de sinais que autenticassem a si e a sua mensagem. Admitir a continuidade desses “dons extraordinários” e afirmar a crença na Suficiência das Escrituras é algo inconciliável, do ponto de vista bíblico e histórico. Como pode ser suficiente, se ainda necessito de revelações? Mesmo assim, essa incoerência não é difícil de ser observada. Basta que leiamos, por exemplo, a confissão de fé da Igreja Cristã Evangélica do Brasil, que afirma acreditar na Suficiência das Escrituras, e ao mesmo tempo acreditar na continuidade dos “dons carismáticos”.

Eu mencionei supra que não me preocupava a posição dos Carismáticos, sejam eles Pentecostais, Neopentecostais, Católicos, Mórmons, Cristãos Evangélicos, Batistas Nacionais, Presbiterianos Renovados ou qualquer outro grupo ou indivíduo. Se esta é a posição adotada por eles, que respondam diante de Deus por isso. De minha parte eles receberão amor e respeito, mas saberão que reprovo as suas práticas antibíblicas. Mas lamento profundamente por aqueles que estão do lado de cá, ou seja, entre os conservadores cessacionistas, e por alguma razão titubeiam na militância doutrinária. Ao invés de defender a fé, como Judas ensinou, mostram-se oblíquos e evasivos.

Observei isso no último Congresso da Editora Fiel, cuja literatura e congressos há muitos anos são apreciados pelos conservadores de todo o Brasil que abraçam as doutrinas da graça. Foi na presença de muitos líderes conservadores que um dos palestrantes, de nome Franklin Ferreira, teceu alguns comentários no mínimo estranhos ao ouvidos de quem defende a Suficiência das Escrituras e condena a teologia carismática pelas razões que já temos citado aqui. Disse o palestrante que os crentes só devem se separar de grupos religiosos hereges, como Testemunhas de Jeová e Católicos. Conclui, então, que não devemos brigar por coisas secundárias, sendo pecado praticar a separação quando outra igreja, sendo evangélica, não abraça os pontos que consideramos centrais na fé. Mais à frente, o palestrante fala que nós, “cristãos históricos”, quando travamos um contato com carismáticos, assembleianos, pentecostais, muitas vezes por não termos provado experiência similar àquela experimentada por eles, e por não termos uma teologia que nos ajude a entender aquela experiência, a gente quebra a ponte com o irmão carismático pentecostal. O palestrante condena tal atitude, e incentiva os líderes ali presentes a favorecer a comunhão com os carismáticos. Ele diz que nós não precisamos rejeitar a experiência pentecostal, mas oferecer ao pentecostal o que ele chama de moldura bíblica...

Ficou claro, a partir das palavras do representante da Editora Fiel, que a questão das experiências pentecostais (sabemos que as experiências mais praticadas entre os carismáticos são o falar em línguas e revelações) é de natureza secundária, irrelevante e não decisiva para os “conservadores históricos” se separarem dos carismáticos. É necessário expor nossas considerações. Primeiro: a doutrina da Suficiência das Escrituras não é coisa secundária, e não há como conciliar essa doutrina com a teologia carismática pentecostal. Nós, conservadores de fato, rejeitamos a doutrina carismática não somente pelo fato de não entendermos as experiências vivenciadas por eles, mas porque a Bíblia claramente nos ensina que os dons revelacionais e de sinais cessaram ainda na era apostólica. Nós julgamos as experiências carismáticas, não pelo que entendemos ou deixamos de entender, mas pelas Escrituras.  Segundo: o palestrante afirma que só devemos nos separar de hereges, daqueles que não são irmãos, mas não devemos nos separar daqueles que, sendo irmãos, não concordam com aquilo que achamos essencial. Isto é pecado, segundo ele. O problema é que a Bíblia não nos manda separar apenas dos hereges, dos que não são irmãos. Manda que nos separemos dos irmãos também, quando estes não estão andando de acordo com a doutrina bíblica (cf. 2 Tessalonicenses 3:6, 11 e 14-15). Por fim, vale ressaltar que os entusiastas carismáticos provocaram e continuam provocando divisões nas chamadas Igrejas Históricas. Uma aproximação geraria apenas mais falta de firmeza em relação à doutrina da Suficiência das Escrituras e da Cessação dos Dons Carismáticos. Os conselhos do pregador me parecem infiéis às Escrituras e danoso para as Igrejas.

Confesso que a posição do orador, que representa a Editora Fiel, não me espanta. Impressiona-me, sim, a letargia dos líderes conservadores e fundamentalistas que estavam no Congresso da Editora Fiel e não se pronunciaram contra as palavras que ouviram, nem durante, nem depois do Congresso (pelo menos até onde tenho conhecimento).  

Nesta igreja declaramos a nossa posição a respeito do assunto de maneira clara e objetiva:

A Igreja Batista Fundamentalista Cristo é Vida, por ser uma igreja batista fundamentalista, tem o sério compromisso de preservar sua característica doutrinária anti-neoevangélica e anti-ecumênica, por isso combate firmemente as heresias carismáticas (como revelações diretas de Deus para os dias de hoje, os dons de línguas ininteligíveis, o batismo no Espírito Santo após a conversão, como uma segunda bênção, e as modernas “profecias”). Por isso, não nos associamos em cooperação de trabalhos ou participação de cultos ou programas com igrejas, instituições e pessoas que defendem ou participam do chamado movimento carismático (renovação, “reavivamento”, pentecostalismo, etc.). Somos, portanto, uma igreja que pratica a separação eclesiástica, nos ditames de 2 Tessalonicenses 3:6, 14-15, nos separando eclesiasticamente de todos aqueles que andam desordenadamente e que desrespeitam as doutrinas e/ou a conduta ética cristã.

Apesar da era de tolerância em que vivemos, conforta-nos saber que ainda hoje líderes conservadores, militando pela fé, defendem o Cessacionismo e a doutrina da Suficiência das Escrituras. Um deles é o Dr. Peter Masters, pastor da antiga igreja de Spurgeon, o Metropolitan Tabernacle. Vejamos um de seus artigos em que defende o cessacionismo.

_______________________________________

1FRESTON, Paul. Breve História do Pentecostalismo Brasileiro. Em: ANTONIAZZI, Alberto et al. Nem anjos nem demônios: interpretações sociológicas do pentecostalismo. 2ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994, p. 70.

2 MATOS, Alderi Sousa et alli. Fé cristã e misticismo: uma avaliação bíblica de tendências doutrinárias atuais. São Paulo: Cultura Cristã, 2000, p. 17.

3 ANGLADA, Paulo. Sola Scriptura: A Doutrina Reformada das Escrituras. São Paulo: Os Puritanos, 1998.

4 CHANTRY, Walter. Sinais dos Apóstolos, Walter J. Chantry. São Paulo: PES, 1996.

 

 


Seminarista Assis Nogueira


2012-03-26 00:0

TV Cristo é Vida - Ao Vivo aos Domingo
Israel 2018

© IBFCV • Igreja Batista Fundamentalista Cristo é Vida

Avenida K, nº 911 - Planalto da Barra - Vila Velha - Fortaleza - Ceará - Brasil - CEP 60348-530 - Telefone: +55 85 3286-3330