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Mensagem Pastoral

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O Problema do Mal


 

O texto abaixo é o esboço de uma palestra oferecida em 2 de agosto na livraria Cultura, no shopping Market Place em São Paulo, em um evento organizado em conjunto pelas editoras Fiel, Vida Nova e Hagnos. Os demais palestrantes foram Franklin Ferreira e Luiz Sayão, que falaram sobre o tema “O Problema do Mal”. O auditório estava lotado. A capacidade era de 90 pessoas, mas havia cerca de 130 pessoas.

 


O mal faz parte da realidade. Faz parte da experiência humana. O mal é uma força desumanizadora, destruidora, corruptora, degradante. É a causa das maiores mazelas e sofrimentos dos seres humanos. Se você tem um molho de chaves consigo, agora mesmo, isso evidencia que você reconhece a existência de algo que seja mal. Todos nós o experimentamos e sentimos sua agudeza. Ele se manifesta em níveis diferentes e em graus de intensidade diferentes.

Os efeitos do mal podem ser sentidos na experiência individual e existencial nas lutas, dificuldades, agruras, dilemas, angústias, crises, sofrimentos, enfermidades e perdas que todo indivíduo experimenta. Podem também ser experimentados pela consciência coletiva, de forma conceitual.

O mal pode ser resultado de desastres e catástrofes no mundo: Maremotos, Terremotos, Tsunamis. A história é pródiga em registrar essas diversas categorias da operação do mal (por assim dizer). Foi Raimond Queneau quem disse que “a história é a ciência da infelicidade do homem”. Em boa medida, há justiça nesta afirmação. Já o historiador britânico Gibbon, disse que “a história é um pouco mais que o registro dos crimes, loucuras e infortúnios da humanidade”. Alguns poucos exemplos:

Mas há aquele mal que é resultado da degradação moral do homem, da conduta humana, como: deslealdade, corrupção, desonestidade, engano, mentira, indiferença, destruição, violência, assassinatos, guerras, genocídios, etc.

 

No Brasil tivemos a infame experiência da escravidão, que silenciou milhares de vidas –mas que foi uma fração perto do que a escravidão causou a tantos milhões de vidas, por vários séculos, em outras nações do mundo. Mas as guerras e revoluções causaram danos ainda mais extensos. Existem estimativas que apontam para o fato de que nos últimos 4000 anos, temos menos de 300 sem uma grande guerra, conforme aponta John Blanchard eu seu livro sobre o problema do mal.

 

A Primeira Guerra Mundial trouxe destruição de diversas nações e matou mais de 30 milhões de pessoas. Pouco mais de 20 anos após o término desta guerra horrenda, acontece outra ainda pior, cujos números são difíceis de estimar. Os judeus exterminados de modo cruel a mando de Adolf Hitler chegam ao impressionante número de 6 milhões. Mulheres, crianças e idosos eram mortos 24 horas por dia, todos os dias, nos infames campos de concentração. Eles foram desumanizados e assassinados de um modo que desafia a imaginação mais perversa que o homem pode produzir.

 

Outra revolução, esta travestida de uma ideologia que, em tese, busca o “bem social”,foi responsável pela morte de milhões de pessoas nos últimos 70 anos – a revolução comunista, que se manifestou em lugares e épocas diferentes. Stéphane Courtois registra em seu “Livro Negro do Comunismo” uma história de crime, terror, degradação e morte. Ele disse em certo ponto de seu livro que “[...] os regimes comunistas tornaram o crime em massa e o terror uma forma de governo”.Suas estimativas apontam para quase 100 milhões de mortos pelo sistema do “bem comum”. O livro revela dados assustadores.

Algumas dessas mortes são muito bem documentas como as atrocidades da Revolução Cultural na China de Mao Tsè Tung, que chegava a matar 22.000 pessoas por mês; ou ainda os 1.500.000 de pessoas mortas pelo ditador Pol Pot, do Camboja, nos anos 1970. Em Cuba, foram pelo menos 150 mil os executados pela Revolução liderada por Fidel, seu irmão Raul e o companheiro “Gue Vara”- este último, celebrado como herói em pôsteres e camisetas que tentam expressar algum valor ou ideal através da imagem do homicida.

 

 

Destaco aqui, neste parêntese que faço sobre o mal manifestado pela ideologia, um trecho extraído do “Livro Negro do Comunismo”:

Em seu requisitório em Nuremberg, François de Menthon, procurador geral francês, destacava a dimensão ideológica dos crimes: “Proponho-me a demonstrar-lhes que toda criminalidade organizada e sistemática decorre do que me permitirei chamar de crime contra o espírito, quero dizer, de uma doutrina que, negando todos os valores espirituais, racionais ou morais, sob os quais os povos tentaram há milênios fazer progredir a condição humana, visa a devolver a Humanidade à barbárie, não mais a barbárie natural e espontânea dos povos primitivos, mas a barbárie demoníaca, já que consciente dela própria e utilizando para os seus fins todos os meios materiais postos à disposição dos homens pela ciência contemporânea. Esse pecado contra o espírito é a falta original do nacional-socialismo da qual todos os crimes decorrem.”

 

O mal existe! Mas não é, todavia, um imperativo absoluto. Não é uma força absoluta. Na fé cristã, o único ser absoluto é Deus.

 


Definindo o Mal

No cinema, Christopher Nolan foi feliz em conceber o personagem do “Coringa” em seu segundo filme da trilogia do Batman, como a personificação do mal: não tem origem, não tem ambições pessoais, é destituído de qualquer senso de dignidade e moral, age de modo aparentemente aleatório, causa destruição, medo, terror e extrai o que há de pior aos que o cercam. Parece que o diretor entendeu bem como o mal opera.

 

Mas definir o mal é uma tarefa espinhosa. Agostinho de Hipona elaborou a ideia de Plotino e definiu o mal como o não bem, ou privação do bem – assim como as trevas são a ausência de luz. Agostinho não via substância no mal e o considerava uma “perversão da vontade desviada da substância suprema” – sendo que esta substância suprema é o Deus das Escrituras Sagradas, o Criador de todas as coisas. Agostinho defende que o Deus cristão é o bem absoluto, a verdade absoluta e summun bonnum, o bem supremo – um bem que é absoluto e incorruptível. Edwards segue esta linha ao defender que, para ser Deus é preciso ser perfeito – pois a imperfeição implica em degradação, envelhecimento e decadência – e, sendo perfeito, não pode haver nele o mal e nem a sujeição ao mal. Todavia, somente Deus é o bem supremo. As coisas criadas, ou seja, todo o mundo está sujeito a corrupção porque sua bondade não é absoluta, é derivada – não poderia haver corrupção se fosse sumamente boa, mas para haver corrupção tem de ser boa.

 

Ettiene Gilson, ao comentar o problema do mal em Agostinho, conclui que “o mal não pode ser concebido fora do bem”. Afinal, é a compreensão do que é bom que nos permite entender, mensurar e valorar o mal. Mas o mal também não deve ser definido em termos unicamente negativos. Alan Besainçon, em sua pequena pérola da literatura “A Infelicidade do Século”, que trata dos horrores dos regimes comunista e nazista, não se satisfaz com a definição de Plotino, que dizia que o mal é a ausência do bem. Ele diz “Parece-me que esta definição não dá conta do horror que se apoderou das pessoas diante do que o comunismo e o nazismo lhes infligiram”.

 

Ele não torna o mal uma entidade absoluta, mas aponta para sua transcendência para entendê-lo. Diante do mal pelo mal, a saída de muitos daqueles que foram afetados pela violência causada pelos homens com uma cartilha ideológica na mão, segundo Besaiçon, foi acreditar em uma ordem sobre-humana, uma influência maligna.

 


Por quê?

Diante de crimes e atrocidades como estas – e tantas outras, que vemos, ouvimos e vivemos todos os dias – é justo que façamos perguntas. Somos seres morais e somos capazes de atribuir valores a essas coisas. Nós as rechaçamos. Nós as rejeitamos. Nós as repudiamos. Nós as consideramos vis e perversas. Isso é atribuir valor ao mal. Nele não há virtude, não há beleza, não há direito, não há justiça, não há candura, não há. (Embora, segundo a premissa de certas filosofias, essa valoração moral não faz sentido algum, pois, há algumas cosmo visões que ao propor que Deus não existe e que o homem é um acidente cósmico, reduzem a humanidade a um conjunto de átomos. Um certo ateu disse, que o ser humano é uma espécie de lodo cósmico. Ou Bertrand Russel que disse que o homem é um acidente curioso em água estagnada).

 

A indignação com a violência é também uma busca por respostas. Elie Wiesel, judeu sobrevivente do Holocausto, perguntou onde estava Deus no meio daquele terror. Ele afirmou que o Holocausto “matou seu Deus, matou sua alma e reduziu seus sonhos a nada”. O cético David Hume, foi ainda mais ousado quando disse em sua obra “Concerning Natural Religion”: “Se Deus está disposto a impedir o mal, é o caso de Ele querer impedir o mal, mas não ser capaz de fazê-lo? Neste caso ele é impotente. Ele é capaz, mas não está disposto? Então ele é malévolo. Ele é capaz e está disposto? Por que, então, o mal?”.

 

O que desejamos demonstrar é que a fé cristã é a única que oferece respostas ao problema do mal. Não tanto por explicar os meandros de sua origem, mas, muito mais, por oferecer esperança. À parte das Escrituras sagradas, e veremos isto sendo apresentado de forma mais apropriada pelos palestrantes que seguem, não resta nada senão o desespero. A Bíblia é a única que oferece uma saída, uma luz e alento. Àqueles que sofrem e se indignam com o mal, que saibam que Deus também se indigna, todos os dias, com a impiedade do homem, conforme é registrado nas Escrituras.

 

É importante também dizer que os personagens bíblicos também lutaram com o problema do mal. O Salmo 37 e 73 são textos clássicos que trabalham a questão e apresentam o homem clamando por respostas e saída. O livro de Jó é uma das mais belas peças da literatura bíblica e apresenta-nos em perspectiva uma série de eventos trágicos acontecidos na vida de um homem bom e íntegro. Vemos como ele lida com as acusações de ser o responsável por sua desgraça, como ele reage ao mal que lhe foi infligido e como ele interage com Deus nesse torvelinho. Temos ainda o livro de Habacuque, que expõe a indignação do profeta por causa da impiedade. Ele questiona a Deus e, no processo, compreende a soberania de Deus em todas as coisas. Ele conclui dizendo que festeja, que se exulta em Deus.

 

Sim, a Escritura oferece respostas. Oferece respostas ao mal que habita em nós – nós que somos muitas vezes indignados pelo mal ao nosso redor e fazemos pouco para lidar com o mal que nos aflige e nos humilha tantas vezes – sim, as Escrituras lidam com o mal nosso de cada dia. Lida também com o fim do mal. A Escritura sagrada, a fé cristã oferece uma mensagem de esperança escatológica.

 

Quero encerrar lembrando que o próprio Deus das Escrituras, na pessoa de Jesus Cristo, foi vitimado pelo mal. Ele mesmo sendo bom, justo, verdadeiro e trazendo uma mensagem de amor, foi injustiçado, caluniado e assassinado. Aquele que é a própria vida teve sua vida tirada. A luz experimentou as trevas. O summum bonum sentiu a agudeza da maldade. O sol da justiça foi injustiçado. Deus foi assassinado. Mas a Escritura diz que ele ressurgiu. Ressuscitou e vive. Governa. Transforma. Instrui. Conduz. Ilumina. Resgata.

Quem vive ou viveu medo, terror, violência, decepção, que saiba ter em Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, alguém que experimentou as mesmas coisas e simpatiza com o nosso sofrimento. Mas, mais do que isso, Jesus venceu o sofrimento. Venceu a morte. Venceu o terror e o mal. Ele vindicará todo mal cometido pelos homens e fará justiça. Ele estende a mão vencedora a todos quantos crerem no nome dele. Foi ele quem disse: “No mundo passareis por aflição, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” Christus Victor!

 


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Por Tiago Santos

Editor-Chefe da Editora Fiel


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Tiago Santos


2013-04-27 00:0

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