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Mensagem Pastoral

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Doutrina da Separação Eclesiástica - II


AS GRANDES DOUTRINAS

Pr. José Nogueira

Continuamos, em outubro, estudando "As Grandes Doutrinas". Sabemos que toda doutrina bíblica é igualmente importante, não havendo, portanto, doutrinas maiores ou menores, uma vez que tudo faz parte da revelação de Deus em Sua Palavra. Assim, tudo o que Deus ensinou deve ser estudado, vivido e pregado por Seu povo (Mateus 28:18-20). A igreja não pode ser seletiva e escolher apenas o que lhe convém ensinar. A ordem de Jesus é clara: "ensinando-os a guardar todas as cousas que vos tenho ordenado". O que estamos fazendo, ao desenvolver este tema, é dar uma ênfase especial às doutrinas que, na atualidade, estão sendo negligenciadas, deturpadas ou mesmo sendo negadas.

Iniciamos o estudo da Doutrina da Separação Eclesiástica, e vimos como o Pr. Thomas F. Willson e John E. Ashbrook a definiram. Nesta edição continuaremos desenvolvendo o assunto e consultaremos também a opinião do Pr. Almir Marculino, que é professor de Teologia do Seminário Batista do Cariri e pastor da Igreja Batista de Novo Juazeiro.

 

A DOUTRINA BÍBLICA DA SEPARAÇÃO ECLESIÁSTICA

(Parte II)

De forma geral, as passagens bíblicas usadas como fundamentação para essa doutrina foram apresentadas pelo Pr. Almir Marculino, do Seminário Batista do Cariri (SBC):

"Será que Deus atua em separações?

Gênesis 1:4 já nos fala de Deus fazendo separação, entre luz e trevas. Algumas coisas não podem ficar juntas, têm que ser separadas, é o próprio Deus quem age assim.

Gênesis 12:1, vemos que Ele ordena a separação de Abraão com o propósito de ser uma bênção para o mundo.

Êxodo 34:10-17, temos uma ordem para Israel, que visa evitar um perigo, e que estava de acordo com a natureza de Deus. Uma aliança com Deus proibia uma aliança com outros. Em Lv 20:24-26 e 23, notamos ordem para Israel evitar os costumes abomináveis, esta ordem está fundamentada na santidade de Deus.

Deuteronômio 7:1-1, era para ser um povo distinto, separado.

Josué 23:6-8, não misturar com as nações pagãs, ao invés disto deveriam apegar-se a Deus. Versos 11-13, mostra que esta posição não é fácil, exige cuidado diligente, e o resultado da desobediência seria castigo. Isto nos é mostrado em Juízes, o povo desobedece a ordem de separação e é castigado.

Salomão é outro exemplo de desobediência na área de separação (II Reis 11:1-8), seu apego a esposas de outros povos o levou a afastar-se de Deus.

Um outro exemplo aparece em II Crônicas 18:1 e 19:2, temos aqui uma aliança errada, Josafá, rei de Judá e temente a Deus, se alia a Acabe, rei de Israel, que conhecia a Deus, mas não lhe obedecia de todo o coração, o resultado é um comprometimento tal que leva Josafá a entrar numa guerra contra a vontade de Deus, e por isso é advertido.

Esdras 9:1s, 10-12, desobediência novamente, a solução foi a separação (10:11); Ne 13:23ss.

Estes textos do Antigo Testamento nos mostram que a separação é algo ordenado por Deus, e praticado pelo povo de Deus."

Agora vamos analisar alguns textos do Novo Testamento que também claramente ensinam a separação eclesiástica e exortam-nos para que obedeçamos com zelo.

A – O texto mais profundo que fala de santificação como uma separação inteligente e interior é 1 João 2:15 ("Não ameis o mundo nem as cousas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele"). A exortação é para não sacrificarmos a nossa vida nas "boas causas" deste mundo. O verbo ‘agapáu’, no Imperativo Presente, adverte-nos a que não deixemos ser seduzidos pelas boas aparências das causas sociais e humanitárias (típicas "boas cousas" da filantropia humanística), em detrimento da pregação do Evangelho. O Evangelho Social ( com sua proposta de erradicar a fome e diminuir as disparidades econômicas entre os povos), o Ecumenismo (com a visão "bonita" de união dos cristãos para demonstrar amor ao mundo), as bandeiras levantadas em prol de ética (com grandes desafios de luta contra a violência, aborto, pornografia, etc.), as ONGs (com suas campanhas em defesa dos direitos humanos, ecologia, etc.), todas essas coisas são os modernos cantos da sereia, os mesmos que, no passado, seduziram o jovem Demas ( 2 Tm 4:10). Demas amou (novamente o verbo ‘agapáu’) mais as causas justas desse mundo. Talvez tenha achado lentas demais as mudanças operadas pelo Evangelho dentro da sociedade, ou considerado os resultados pequenos e preferiu dedicar sua vida em causas que surtissem efeito com mais rapidez, como a política ou campanhas humanitárias.

B – Romanos 12:1 e 2 é um apelo para que tenhamos o maior cuidado com a necessária contextualização de nossa prática de fé, quer seja pessoal ou coletiva. O cuidado de não nos amoldarmos ao mundo, conforme ordenado aqui, é o texto irrespondível pelos neo-evangélicos em suas descabidas contextualizações. Um certo proeminente líder neo-evangélico me confessou que "o não vos conformeis com este século" confronta diretamente e condena os seus métodos. Mas é também, na minha opinião, um grande desafio para nós fundamentalistas, pois nos põe numa autêntica e permanente "tensão" em nossa prática de fé, onde uma inovação ou qualquer idéia de vanguarda tem que ser sinceramente posta diante do princípio de Rm 12:1,2, a fim de ser analisada com inteligência, temor diante de Deus e respeito aos irmãos da mesma fé e ordem.

C – A separação radical de qualquer associação com incrédulos é expressamente ordenada em 2 Coríntios 6:14 – 7:1. O princípio vale para alianças pessoais e associações com instituições ímpias. Não pode haver e, por isso, não deve existir "união do crente com o incrédulo".

D – A separação de irmão que tenha comportamento anti-bíblico deve ser ainda mais radical do que a separação exigida dos incrédulos (1 Coríntios 5:9-13). Há reuniões com incrédulos que os crentes são forçados a participar (reunião de pais e mestres, condomínio, etc.). Se não pudéssemos participar delas, teríamos que literalmente "sair do mundo". Contudo, a voluntariedade de congregar-se ou associar-se com irmãos de comportamento impróprio é expressamente proibida na Bíblia Sagrada. O verso 5, de 2 Timóteo 3, fala "destes", ou seja, os que têm aparência de piedade. E a ordem é a mesma: separação ("foge também destes"). O princípio bíblico aqui é contra a correnteza do pensamento neo-evangélico de associar-se, cooperar e unir forças com todos que, pelos menos, se dizem crentes ou evangélicos, pois estes textos bíblicos nos ordenam justamente a manter distância mais rigorosa dos que se dizem crentes mas que têm conduta ética que contraria a Palavra de Deus. Assim, ao invés de procurarmos ou permitirmos cooperação com a simoníaca Igreja Universal, ou com os murmuradores da Teologia da Prosperidade (Quadrangular, Nova Vida, Sara Nossa Terra, etc.), ou com os deturpadores da suficiência bíblica do Movimento Carismático, o que deveríamos fazer, na verdade, era fugir dos tais!

E – Tito 3:10-11 ("Evita o homem faccioso, depois de admoestá-lo primeira e Segunda vez..."). A facção ou divisão é provocada por pessoas que transgridem, deturpam ou ultrapassam os ensinos da Palavra de Deus. Conforme este texto, quando alguém de forma impenitente ensina ou promove alguma doutrina errada, essa pessoa é facciosa, ou seja, ela é quem promove divisão no Cristianismo. Tendo já acontecido a divisão, resta ao fiel separar-se desse tipo de pessoa. Logo, os cristãos fundamentalistas não são facciosos ou divisionistas; eles apenas, em obediência à Palavra de Deus, separam-se dos que fizeram o racha doutrinário através de seus ensinos e práticas que contrariam as Santas Escrituras (ver Rm 16:17-18).

F – Mateus 18:15-17 ensina a disciplina e a separação (exclusão) dos irmãos em pecado persistente, dentro da igreja local. O irmão confrontado em vários níveis e que insiste em sua má conduta, deve ser excluído da comunhão, expulso da comunidade da fé (conf. 1 Co 5:3-7 e 13).

G – 2 Tessalonicenses 3: 6, 14 e 15. A ordem apostólica é para separação de todo irmão de conduta ‘desordenada’ ("Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente, e não segundo a tradição que recebestes..."). O termo empregado ‘atáktus’ (desordenadamente) é a mesma expressão traduzida como ‘insubmissos’ em 1 Ts 5:14 ( "Exortamo-vos, também, irmão, a que admoesteis os insubmissos..."). Paulo já havia ensinado a obrigação de repreendê-los, agora ele vai além, manda que se separem deles. A palavra grega usada é uma expressão militar para designar um soldado que não andava em linha com os outros. Todo cristão que deliberada e persistentemente não anda "segundo a tradição" dada pelos apóstolos e profetas (fala dos ensinos apostólicos*) é um insubmisso, e deve ser notado, repreendido e, caso persista no erro, separado ("caso alguém não preste obediência à nossa palavra dada por esta epístola, notai-o; nem vos associeis com ele, para que fique envergonhado." (verso 14). O propósito é para que ele perceba a gravidade de seu erro e "fique envergonhado". Paulo diz que devemos agir assim com os irmãos na fé, não devemos considerá-los como inimigos, mas tratá-los de forma correta, pois notando-os, repreendendo e separando-nos deles, estaremos agindo em verdadeira obediência a Deus e em autêntico amor para com eles (verso 15).

* Alguns objetam que o ensino de notar, repreender e não associar-se, devido ao contexto imediato, só se aplica aos irmãos "vagabundos", de 2 Ts 3: 10 e 11. Pois é justamente o contexto imediato que qualifica os "desordenados" de forma muito mais abrangente: como os que não andam "segundo a tradição que de nós recebestes" (vs. 6) e alguém que "não preste obediência à nossa palavra dada por esta epístola" (que inclui muito mais do que a menção aos que não queriam trabalhar, como o suportar a provação sem murmurações (1:4,5), ensino sobre a escatologia (2:1-12), eleição e santificação (2:13-14), etc.

H – 2 João 7 – 11. João se refere aos pregadores e mestres itinerantes muito comuns no fim do primeiro século. O amor cristão ordenava a hospitalidade e sustento de quem ensinava a Palavra de Deus (Gl 6:6-10). Contudo, se algum deles não ensinava conforme a sã doutrina, então não deveria receber hospitalidade da parte dos irmãos, pois honrar e abrigá-los seria tornar-se cooperador (cúmplice) de seus ensinos errados.


Pr. José Nogueira


2005-10-20 00:0


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