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Mensagem Pastoral

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As Maiores Tentações de um Pastor


AS MAIORES TENTAÇÕES DE UM PASTOR

 

 

Algumas ovelhas (membros de igreja)  olham para os pastores como super-cristãos infalíveis. Outros olham para os seus líderes com todas as expectativas de fracasso e suspeitas, talvez devido a experiências ruins do passado. O pastor é um ser muitas vezes incompreendido. Eu queria saber se um livro com o título "tudo o que você queria saber sobre o seu pastor, mas tinha medo de perguntar" seria um best seller em minha igreja. Talvez não fosse preciso vender muitos exemplares. Geralmente existe uma rede de informações nas igrejas que pode resenhar os acontecimentos em curto espaço de tempo.

Se você acha que as maiores tentações do pastor são o dinheiro, a fama, o sexo, talvez você esteja enganado. Baseado em minha experiência pessoal, gostaria de expor o que considero ser as maiores tentações de um pastor. Quem sabe assim estarei ajudando alguns pastores a ver que não estão sós em sua luta, bem como algumas ovelhas a compreenderem melhor seus pastores.

 

1. A tentação de ser superior.

Fui seminarista e também professor de seminário. Eu sei o que Paulo estava falando quando disse que aquele que almeja o pastorado não deveria ser novo na fé para que não fosse atacado de soberba. Mesmo os que não são tão novos na fé podem ser tentados a demonstrar superioridade intelectual. No seminário os calouros eram chamados de "hamor" pelos veteranos. Então os calouros ficavam com aquela cara de "do que você me chamou?". Acontece que "hamor" (transliterado do hebraico) significa "burro". Deixei de ser "burro" quando fui para o segundo ano, me formei, fui ordenado, voltei ao Seminário para ser professor, sou pastor de igreja, mas quando paro pra pensar e deixo a tentação de me sentir superior de lado, descubro que sou mais "hamor" do que nunca! Minha esposa me chama de "amor", mas eu sei que, diante de tudo o que eu ainda preciso saber sobre Deus, eu sou apenas um "hamor". Uma vez na sala de aula um dos meus colegas levantou e fez uma pergunta para o Dr. Broadus Hale, professor de Novo Testamento (ele podia fazer a sua leitura devocional diária direto no texto grego). O rapaz começou a pergunta com a seguinte frase: "nós que somos teólogos...". O grande professor, mestre, PhD em Teologia nem respondeu à pergunta; apenas disse algo como: "Eu tive um professor de Seminário com vários títulos de doutorado em várias áreas, mas ele nunca ousou classificar-se como teólogo". Ele poderia dizer isso de si mesmo, mas resolveu falar de outra pessoa.

            Na igreja, no ministério, o pastor pode ser tentado a se sentir superior. Talvez até use um linguajar inatingível para o seu público. Por vezes ao ter seus métodos pastorais questionados por algum irmão sem a metade dos seus estudos e conhecimentos, o pastor é tentado a gritar "quem é você para me ensinar a ser pastor?". É nessas horas que o pastor precisa resistir a isso. Não é fácil, acredite! "A soberba precede a queda". Ouvi dizer que os pilotos de avião sofrem mais acidentes quando estão no meio da carreira. No início, por causa do medo de errar, eles são mais cautelosos. No fim da carreira já descobriram que não são tão bons assim e tomam cuidado redobrado. Os pilotos no meio da carreira tendem a achar que já sabem tudo, e por isso a soberba pode anteceder a queda, literalmente!

 

2. A tentação de ser o indispensável.

            Eu achava que deveria ser assim no início da minha vida ministerial: indispensável! Por algum tempo isso aconteceu por conta do tamanho das igrejas pelas quais eu passei. Comecei meu ministério numa igreja muito pequena. Naquela igreja eu e minha esposa realmente quase que fazíamos tudo. Houve uma fase em que eu era o pastor, o professor da classe de jovens, o professor da classe de doutrinas, o presidente da união de adultos, fazia a manutenção da aparelhagem de som,  além de cantar nos corais. Minha esposa era a regente do coral, a organista, a professora de uma das classes de crianças e líder do culto infantil. Eu ainda não havia aprendido que o melhor líder não é aquele que faz tudo, mas aquele que sabe capacitar outros e delegar tarefas. Quando anunciamos a nossa saída da igreja foi um choque! "A igreja vai fechar!" algum exagerado disse. Pois nós saímos da igreja e ela continuou crescendo e está lá sendo uma bênção até hoje. Como pastor, devo me arrepender se me sentir enciumado quando atividades em que eu não estou à frente saem melhor do que se eu as tivesse planejado e executado. O pastor tem que aceitar o fato (e os membros da igreja também) que não possui todas as habilidades que são necessárias para o progresso da igreja. É por isso que Deus concede dons aos membros do corpo.            

A tentação de ser indispensável é alimentada por uma tentação semelhante: a tentação paralela de agradar a todos. É desnecessário dizer que isso é impossível!   Quando você achar que conseguiu agradar a todos, cuidado! É bem provável que não tenha feito nada! E aqueles que estão satisfeitos com o pastor hoje não estarão pensando assim amanhã, quando suas idéias e atitudes não receberem o mesmo respaldo das outras vezes. O pastor e as ovelhas devem aceitar isso como um fato e "tocar o barco".

 

3. A tentação de se comparar com outros colegas.  

Essa é uma confissão dolorida de se fazer!  Tive momentos em meu ministério em que avaliava o meu "sucesso" pela comparação. Eu olhava outros colegas e para mim a grama sempre parecia mais verde nos pastos deles. Parecia que as ovelhas dos meus colegas gostavam mais deles do que as minhas de mim.. Parecia que eles tinham menos problemas do que eu. Parecia que os ministérios dos outros eram melhores do que o meu. Com toda sinceridade afirmo que não era inveja. Eu não queria a igreja deles! Eu queria que eles continuassem a ser bem-sucedidos! O que eu não entendia era a impressão que eu tinha de que os outros estavam sempre melhores do que eu. Eu sei que isso pode ter a ver com algum tipo de baixa auto-estima, mas descobri que outros pastores tinham a mesma "tentação". No meu caso eu me achava aquém dos outros, mas identifiquei uma tendência inversa em outros pastores, ou seja,  de sempre se acharem "além" dos outros. A tentação de se achar inferior é tão nociva quanto de se achar melhor. No afã de repetir aquilo que um pastor considera sucesso no ministério dos outros, ele pode acabar indo contra as suas próprias convicções iniciais, contra a sua própria natureza. Isso não é nada bom. O ministério pode tomar contornos artificiais e nem um pouco baseados numa visão dada por Deus.

Por algum tempo eu achei que se um pastor, apesar de estar em uma determinada igreja, recebesse convites constantes de igrejas em processo de sucessão com o intuito de possivelmente colocá-lo como candidato, que isso era sinal de sucesso no ministério. Eu tinha um colega que sempre afirmava estar sendo sondado por alguma igreja. Eu me encontrava com ele e (tente advinhar!) ele me dizia que tinha uma igreja querendo convidá-lo. Eu me perguntava por que isso não acontecia comigo.. Então alguém um dia me respondeu com o seguinte: talvez as outras igrejas que conhecem o seu trabalho nem queiram perder seu tempo, porque sabem que você não iria abandonar um time que está ganhando. Também comecei a perceber que pastor muito sondado para sair de sua igreja podia significar que boatos de que ele não estaria bem onde pastoreava estivessem correndo. Descobri que a aprovação de um ministério não pode vir de comparações. As realidades são diferentes, as igrejas são diferentes; e é saudável haver diferenças!

 

4. A tentação de querer provar o próprio valor.

Tenho amigos pastores que não dão a mínima para o que estão falando deles pelos corredores. Eu não consigo ser assim. Diz-se que os perfeccionistas são os que mais erram. Então eu sou um tanto perfeccionista e, como tal, erro um bocado! Isso me incomoda. Saber que não estão satisfeitos com alguma coisa do que faço me aborrece demais! Hoje estou mais resignado, mas no passado eu tinha a tendência a sair tentando defender meu ministério. Se alguém chegasse com a frase "estão dizendo que você..." e se eu me sentisse injustiçado, eu quase que fazia uma caça às bruxas. Eu queria saber quem disse algo contra mim. Com o tempo percebi que quando alguém chega pra você e diz "estão dizendo tal coisa", na verdade é ela mesma que está dizendo. Talvez ela e mais um outro que parou para ouvir e nem concordou, nem discordou. Hoje quando alguém chega com "estão dizendo" e não quer dar nomes, eu digo: "bom, se você não tem nomes a dar, eu vou considerar que esse boato, essa crítica, esses comentários são seus". O apóstolo Paulo passou por isso também. Está claro em algumas cartas do apóstolo que ele está sabendo de alguma crítica feita a ele pelas costas e isso o magoou. A tendência é "morder a chumbada" e gastar tempo e energias para provar o nosso próprio valor.

Já senti a tentação de caçar os críticos, mas descobri que a presença deles é, até certo ponto, saudável para o ministério. Ouvi uma ilustração que me fez ver isso. Ela é mais ou menos assim: Havia um criador de salmões que todas as semanas colocava os peixes em tanques e os levava vivos para vendê-los na cidade. Muitos dos salmões chegavam mortos pelo estresse da viagem. Um dia o homem deixou com que um bagre fosse junto com os salmões. Ele viu que o bagre estava perseguindo os salmões dentro do tanque, mas como estava atrasado deixou-o lá. Quando chegou ao destino, descobriu que todos os salmões estavam vivos. Eles ficaram tão preocupados com o bagre que não tiveram tempo para se estressar com a viagem, então todos estavam bem alertas no fim dela.   Acho que uns "bagres" sempre serão saudáveis no ministério pastoral. O que não podemos é perder tempo tentando defender nosso ministério cujo maior interessado é o próprio Deus. A melhor defesa do ministério é permanecer íntegro diante de Deus.

 

5. A tentação de desistir de tudo.

Li que uma pesquisa a respeito do ciclo de vida de ministérios pastorais revelou algo preocupante. A quantidade de pastores que abandona seus ministérios num curto espaço de tempo é muito grande. As razões são muitas. Só quem é pastor sabe das pressões que se recebe todos os dias! São muitas as razões que fazem o pastor pensar em desistir. São as cobranças injustas, são os choques com liderança que não concorda com mudanças, são as decepções com pessoas que você julgava ser amigas, é o isolamento do ministério.

O pastor pode ter amigos entre o seu rebanho, mas isso é muito perigoso e desgastante. Os amigos do pastor não podem ser aqueles do tipo que se pode compartilhar problemas e sentimentos íntimos. Existem coisas que você quer dividir com um amigo para ter uma "segunda opinião" e isso não dá para ser apenas com a esposa.   Já me decepcionei muito com isso. Já abri meu coração sobre coisas que estava sentindo a respeito do meu ministério, e o "amigo" tentou usar isso contra mim num momento em que julgou oportuno. Graças a Deus o "tiro saiu pela culatra". Deus é fiel! Pior são os ataques do Inimigo que muitas vezes usa como vetor um membro da igreja. Já percebi que, se o Inimigo não conseguir fazer com que você caia, ele arranjará alguém para afirmar que você caiu.

Quando alguém deixa uma igreja por causa de situações que ela mesma criou, fazendo a sua permanência insustentável, as chances de ela culpar o pastor são muito grandes. "O pastor tem costas largas! Jogue a culpa nele!", seria possível ouvir alguém dizer.

Umas duas vezes eu me sentei na frente do computador e escrevi uma carta de exoneração. Devo ter uma em alguma pasta de arquivos por aqui em algum lugar. Mas resisti  à tentação de entregá-la.

 

Quando faço uma avaliação sobre o "ser pastor" descubro que ainda é a melhor coisa que me aconteceu na vida. Ainda vejo irmãos que me amam de verdade e me alentam. Alguns me conhecem profundamente a ponto de saberem que algo está errado ao baterem os olhos em mim. Sinto-me muito bem pregando a Palavra, ensinando e aconselhando. É muito bom ter o sentimento de estar no lugar que Deus colocou você. Acho que o maior problema do pastor é que ele é um homem falho numa posição em que as falhas podem ter conseqüências terríveis para a vida dos que estão observando.

Não consigo ficar muito tempo longe da minha igreja. Voltando das últimas férias cheguei no domingo à noite, pouco antes de começar o culto. Ainda estava de férias e o culto estava a cargo de outros. Pretendia ir ao culto da minha própria igreja se não tivesse chegado tão cansado e tão em cima da hora. Acontece que moro ao lado da igreja e vi os irmãos chegando, ouvi o povo cantar, vi o povo naquela conversa gostosa na frente da igreja no fim do culto. Foi quando pensei como seria a minha vida sem ser pastor. Seria muito vazia e triste! Apesar das tentações e provações, não consigo deixar de ser pastor.

Existem outras tentações na vida de um pastor, mas estas que citei agora parecem ser as que mais afetam pastores, principalmente "este que vos escreve". Orem pelos seus pastores! Que Deus nos abençoe!


Pr. Davi Liepkan – 40 anos – 18 anos de consagração ao ministério. Pastor da Igreja Batista Central de Nova Odessa – SP

Pr. Davi Liepkan


2006-04-27 00:0


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