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A Águia e o Cordeiro


A Águia e o Cordeiro

Pr. José Nogueira

 

Estudo sobre o relacionamento de Rui Barbosa (Águia de Haia) com o Senhor Jesus Cristo (O Cordeiro de Deus)

 

 

            Desde a morte de Rui Barbosa, em 1923, parece que tem havido propositadamente duas coisas em relação à memória de um dos maiores homens que o Brasil já teve.

            A primeira coisa que se evidencia é a tentativa deixar Rui Barbosa no esquecimento. Reverencia-se o seu nome, mas esquece-se de quem realmente foi. Creio que estou certo em minha primeira tese. Basta perguntar às pessoas sobre quem foi Rui Barbosa e elas dirão que foi um grande homem e um vulto importantíssimo na História do Brasil. Tem seu nome em cidades, praças, avenidas, ruas e colégios. Somente isso tem sido preservado do grande Rui.

            A segunda cousa que podemos ver acontecendo é reverenciá-lo por frases, discursos e alguns feitos notáveis e folclóricos. Contudo, deixa-se de lado o homem. Seus pensamentos, seus princípios e sua fé. Conhecer Rui Barbosa em pedaços é menosprezar o que ele tinha maior do que sua cultura – seu caráter e sua fé.

Tocar neste assunto é ir contra a maré. Parece que há uma uma grande corrente tentando deixar no esquecimento os pensamentos e ideais do “Águia de Haia.

            Estudemos, pois, Rui Barbosa, e deixemos que nos arda e nos inflame a injustiça que é feita contra a memória do homem que o jornal inglês “The Times” incluiu na lista das mil pessoas que fizeram o Século XX.

            O norte-americano F. Paul Peterson escreveu sobre Rui Barbosa:

            “... um nome amado e querido por seus compatriotas, cujas palavras são tidas como verdadeiras, devido a sua vida, honestidade, trabalho e devoção à pátria, ao seu povo, e a seu Deus. Um nome que foi reverenciado por todo o mundo”.

            Peterson, embora americano, é de opinião que Rui Barbosa fez mais pelo Brasil do que George Washington pelos Estados Unidos, e conclui “se os brasileiros seguissem seu exemplo inteiramente, o Brasil seria, dentro de pouco tempo, umas das maiores nações do mundo”.

            Por que George Washington é tão lembrado, honrado, estudado, e de sua vida são extraídos tantos exemplos para a juventude americana, enquanto o nosso Rui é tão esquecido aqui?

            Para vergonha nossa, a melhor síntese biográfica de Rui Barbosa foi publicada em Portugal, e, como já dissemos, reconhece a necessidade de conhecer-se por inteiro este grande brasileiro.

            “Ao morrer, em 1923, era a maior figura intelectual e política do Brasil. E nessa altura, referindo-se ao prestígio literário que unanimemente lhe reconheciam, modestamente quase anulava as razões desse prestígio: reconhecia ter sido mais um cultor do Direito e um incansável batalhador da revolução liberal, que um escritor. A modéstia é evidente. Rui não foi apenas notável jurisconsultor e o mais influente guia espiritual da geração liberal-republicana; como orador, conferencista, jornalista e como escritor de obras e pensamentos, conquistou lugar distintíssimo na história da literatura em língua portuguesa, não apenas pela sua invulgar cultura, como pelo domínio dum potencial léxico fora do comum, e muito particularmente dos segredos da expressão artística; e nesse sentido sua influência, que se faz sentir ainda hoje, não foi menor que a exercida no campo do Direito e das idéias políticas... a exata compreensão do valor de Rui Barbosa depende do conhecimento de sua personalidade, de sua atuação política e mental, e de todos os aspectos de sua obra”.

            Agora, os brasileiros precisam descobrir Rui Barbosa. Homem de causas difíceis, combatente honesto e temente a Deus.

a)      Lutou contra a escravidão; ardoroso defensor da liberdade de culto.

b)      Participou da queda da Monarquia, e ajudou a implantar a República.

c)      Na II Conferência de Paz, em Haia, Holanda, Rui Barbosa defendeu com ardor e inigualável capacidade a tese de igualdade entre as nações. Tornou-se o porta-voz das pequenas nações contra as grandes potências que não simpatizavam com tal igualdade. Debateu de forma memorável com os delegados da Alemanha (barão Marschall) e da Inglaterra (sir Edward Fry). No fim foi feito o acordo da constituição da Corte Permanente de Justiça Internacional, para a qual o próprio Rui foi um dos primeiros a ser eleito para integrar (1912).

d)      Antes de Émile Zola abraçar a causa Dreyfus, Rui Barbosa defendeu a inocência do capitão Dreyfus. Assunto que emocionou todo o mundo ocidental no fim do Século XIX. O capitão Dreyfus acusado em seu país por ter entregue documentos do estado-maior, numa traição, foi condenado. Contudo, havia motivos escusos nessa condenação. Dreyfus tinha origem judaica, e o poderoso clero católico romano promovia em toda a Europa uma onde de hostilidades, intransigência e verdadeira inquisição contra os grupos não-católicos. Rui, na vanguarda da história, defendeu a inocência do oficial, fato que depois foi comprovado, graças à interferência de Zola e da opinião pública internacional. O reconhecimento do governo francês da inocência de Dreyfus, quanto a acusação de espionagem em favor da Alemanha se deu após 12 anos de intensas lutas jurídicas. Alfred Dreyfus foi promovido a tenente-coronel, entrou na Legião de Honra, e defendeu com heroísmo a França, por ocasião da I Grande Guerra. Tantas pessoas são lembradas no “Caso Dreyfus”, porém grande mérito tem o nosso Rui, que, muito tempo antes de qualquer personalidade famosa, defendeu o oficial do exército francês que foi vítima de umas das maiores perseguições político-religiosas da história moderna.

e)      Aos 70 anos foi ainda candidato à presidência da República, e foi um dos primeiros estadistas brasileiros a levantar a questão do grave problema social no Brasil. E lembrou Lincoln: “O trabalho precede o capital e deste não depende. O capital não é senão fruto do trabalho e não chegaria nunca a existir se primeiro não existisse trabalho”.

f)        Em 1872, dois bispos católicos, Dom Vital e Dom Antônio Costa, motivados pela encíclica papal de 1864, que condenava a maçonaria, e por ter um padre celebrado uma missa pela alma de um marçom, adotaram uma onda de ataques, com choques violentos, provocando até mortes. Num processo criminal, os dois bispos foram julgados e condenados a quatro anos de prisão. Contudo, o papa Pio IX protestou, e o Imperador D. Pedro II, ferindo a ordem legal e interferindo no poder judiciário da constituição de 1824, anistiou os dois bispos. Rui Barbosa, como defensor da ordem e da legalidade, criticou duramente o Imperador. Como diz o Senhor Jesus Cristo: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos” (Mateus 5:6).

g)      Conhecia o Direito, a Filologia Portuguesa e a História. Falava o Inglês como vernáculo. E o seu Francês foi qualificado por Anatóle France como o mais belo e puro. O Imperador D. Pedro II, apesar das diferenças que teve com Rui, ainda em rumo do desterro, declarou: “Nas trevas que caíram sobre o Brasil, a única luz que ilumina o fim do túnel é o talento de Rui Barbosa”.

 

Contudo, creio que uma das maiores contribuições de Rui Barbosa deveu-se ao fato de sua fé em Deus, sua ousada coragem para defender suas convicções e seu amor indomável à verdade.

Quando, em 1870, por ocasião do Concílio do Vaticano, foi decretado o dogma da Infalibilidade Papal, urdido pelo Papa Pio IX, houve protesto de todos os sinceros católicos que acreditavam na Bíblia Sagrada e na exclusiva infalibilidade de Jesus Cristo. Porque, segundo o próprio Senhor Jesus Cristo, é “ a Escritura que não pode falhar” (João 10:35).

Os historiadores católicos da Alemanha escreveram um livro (“O Papa e Concílio”, com o pseudônimo de Janus), combatendo esta ignominiosa heresia contra as Escrituras Sagradas, contra Jesus Cristo e contra a própria história do Cristianismo. Rui Barbosa não somente traduziu o livro para o Português, mas também fez uma grande apresentação, que, em número de páginas e em argumentação, nos dizeres da Enciclopédia Delta-Universal, foi “maior do que a obra”.

Numa época de tanto poder político do Catolicismo Romano, Rui Barbosa, como um verdadeiro paladino da verdade, corajosamente, desmascarou aquela heresia. Colocou em risco sua carreira política. E ficou sob perseguição até hoje.  Creio que foi por causa de sua fé e de sua coragem indômita ao assumir suas convicções da verdade numa postura pública e denunciadora dos malefícios do Catolicismo Romano no mundo e no Brasil, que Rui Barbosa até hoje é propositadamente deixado no esquecimento.

Imaginemos um homem, como Rui Barbosa, admirado em todo mundo, reconhecido como uma das maiores inteligências de sua época e de uma integridade inquestionável, bradar publicamente:

“O caráter substancial (do livro “O Papa e o Concílio”, de Janus) é a demonstração rigorosamente histórica da natureza íntima e exclusivamente política do papado.

Já por aí a seita do pontífice-rei ficava estritamente classificada na sua índole, nos seus desígnios, na sua ação social; ficava evidentemente demonstrado que o romanismo não é uma religião mas uma política, e a mais viciosa, a mais sem escrúpulos, a mais funesta de todas as políticas.”

(Introdução de Rui Barbosa, do livro “O Papa e o Concílio”, 3a Edição, Editora Elos, pág. 14, grifo nosso)

            O que os inimigos da verdade confabulam para fazer com a memória de homem deste quilate?

A Inglaterra teve os seus Oliver Cromwell, e até hoje os estuda e reverencia.

            Os Estados Unidos tiveram os seus George Washington, e até hoje os promove.

            A Alemanha teve os seus Lutero, e até hoje são lembrados e honrados.

            O Brasil teve seu Rui Barbosa, mas até hoje é posto no esquecimento, sua memória é deturpada e seus ensinos maliciosamente desviados.

Minha oração é para que sejamos uma geração de uma nova semente que ame a verdade ao ponto de buscá-la, que tema ao Senhor ao ponto de não temer a mais ninguém, e que tenha a coragem de assumir nossas convicções, como Rui Barbosa nos ensinou e deu exemplo com a sua própria vida.

Honras e glórias ao SENHOR!


Pr. José Nogueira


2008-02-26 00:0

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