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Israel, a visão de um brasileiro



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2012-08-17 00:00:00

Israel, a visão de um brasileiro


Roberto Kedoshim


Gostaria que inicialmente contasse sobre sua saídado Brasil para Israel e qual foi o motivo?

Eu e minha família deixamos o Brasil em Março de2010 e viajamos para Israel com o propósito de apoiar os trabalhos feitos porum judeu brasileiro que está radicado há mais de 20 anos em Israel. Este judeuchama-se Miguel Nicolaevsky e dirige um portal bastante conhecido no Brasil, oCafetorah. Nicolaevsky é envolvido com a comunidade judaico messiânica naregião central de Israel e além de apoiar o trabalho deste amigo, nosso desafioera, e continua sendo, testemunhar nossa fé em Yeshua junto aos Judeus.

 

Quais suas atividades atuais?

No momento estou me dedicando a escrever um blog,como jornalista sou correspondente internacional do Cafetorah na Europa eestou  trabalhando no mais novo projetodo Miguel Nicolaevksy, que é a estruturação de uma agência de notícias chamadaGazeta de Israel. Trata-se de uma base de clippings para quem gosta de estaratualizado sobre o que é publicado a respeito da Terra Santa. Estou tambémdesenvolvendo conteúdo para um canal de TV a cabo tendo a temáticajudaico-cristã como base. Como sou formado pela Missão Brasileira Messiânica[de São Paulo], em Portugal, onde estou radicado no momento, faço estudosbíblicos em Súmula Judaica usando a B'rit Hadashah (Novo Testamento) dentro deuma perspectiva judaico-cristã. Este trabalho está inserido nas atividades deuma Igreja Batista estabelecida na região de Coimbra onde também realizamosreuniões de apoio à Israel e ao seu povo num movimento internacional chamadoAmigos de Sião.

 

Você é autor de um blog que tenta desmitificar oque a imprensa em geral mostra a respeito de Israel. Por que esta preocupação?

Ainda muito jovem aprendi a filtrar as notíciasque lia sobre os fatos que aconteciam no Oriente Médio. Desde aquela época atéhoje existe um movimento orquestrado em boa parte da mídia internacionalvisando transformar Israel num eterno vilão. Leio num site que “Israel desvia erouba água aos palestinos”. Leio em um grande jornal que “Israel está construindoum muro de 8 metros de altura, com centenas e centenas de quilômetros deextensão”, e que o tal muro, inclusive, “divide a cidade de Jerusalém ao meio”.Acompanho debates na Internet onde pessoas dizem que “a ONU é manipulada porIsrael” e que até mesmo sua bandeira “foi desenhada nos bastidores daorganização”. Uau! Há nisso tudo muita desinformação, exageros e mentiras!Paradoxalmente e ao contrário de tudo issoIsrael dá uma contribuição ímpar para odesenvolvimento da humanidade e para o estabelecimento da paz no Oriente Médio.Como morava em Israel no momento da criação do Blog Notícias de Sião, senti-mena obrigação de expor aquilo que via diante dos meus olhos. Esta é a razão pelaqual o slogan do blog é “Israel é bem mais do que você está acostumado a ver,ouvir ou ler”.

 

Quais situações e/ou experiências passadas porvocê e sua família em relação a cultura, governo e outros aspectos em Israel?

Em primeiro lugar, não senti um choque cultural aochegar em Israel. Quando cheguei, percebi de imediato que estava em casa. Comoestudioso das Sagradas Escrituras eu tinha em mente um panorama geral na TerraSanta. Uma vez lá, foi como se eu fizesse sobreposições do conhecimento teóricocom as imagens que me rodeavam. Na kehilat (congregação) onde passamos a noscongregar é comum vermos o culto ser traduzido para cinco ou seis idiomasdiferentes, ou seja, qualquer estrangeiro se sente em casa em Israel, poisgrande parte da nação é composta por estrangeiros ou seus descendentes.

 

Há alguma história interessante a acrescentar?

Bem, há uma particularidade que quem não estáacostumado, estranha. No Shabat (sábado) o país praticamente pára. Os trens nãocirculam,  os táxis desaparecem, as lojasfecham, na maioria dos hotéis não são servidos os tradicionais cafés da manhã,há apenas uma mesa frugal para os desavisados que não fizeram provisão devéspera. A correria começa no cair da tarde da sexta-feira e as cidades sóvoltam a despertar no final da tarde do sábado. E quando chegam as grandesfestas (chaguim) você pode ficar até uma semana sem encontrar nada aberto parafazer compras. No Yom Kippur, o mais impactante feriado religioso, até mesmo asemissoras de televisão ficam fora do ar. É um espetáculo indescritível!

 

E quanto ao Governo?

Imagino que seja um desafio tremendo governarIsrael. Embora se trate de um país minúsculo, pobre em recursos naturais, encravado numa região riquíssima em petróleoe aparentemente sem nenhum valor geopolítico estratégico, Israel está sempre noolho do furacão. Ao menor deslize, o mundo todo desaba sobre a cabeça dos seusdirigentes, que muitas vezes são obrigados a tomar decisões não muitopopulares. O sistema de segurança em todo o país é extremamente rigoroso. Nãose entra em nenhuma tachanot, as estação de trem e ônibus, sem passar porsevera revista. Nem mesmo em supermercados ou farmácias escapamos destesprocedimentos e esta é uma decisão governamental que atrapalha bastante odia-a-dia das pessoas, mas ninguém reclama, pois este é o preço a ser pago pelasegurança. É sempre bom lembrar há menos de 10 anos Israel estava quase quetodos os dias nos noticiários por causa de atentados terroristas. Em 2002, anoem que uma cerca de proteção começou a ser construída, 227 pessoas morreram e1.652 ficaram feridas em dezenas de atentados. No ano passado este número nãochegou há duas dezenas. Ariel Sharon foi duramente criticado pela decisão deconstruir a cerca, erroneamente chamada de muro, mas a História encarregou-sede mostrar que ele tinha razão.

 

Qual a maior dificuldade encontrada por você e suafamília?

Indiscutivelmente foi a língua. Nós engatinhamosno aprendizado do Hebraico e embora uma gama enorme de israelenses fale Inglês,esbarramos sempre com situações incontornáveis. Por exemplo, em Hod HaSharon,na Judéia, moramos numa rua chamada Rehov HaThia. Todas as vezes que dizíamos oendereço para os motoristas de táxi era uma tortura nos fazermos entender. Asimples aspiração equivocada de um érre já é o suficiente para criar umconflito linguístico. E num universo onde há milhares de palavras cujaspronúncias são bastante similaridades isso é uma verdadeira armadilha. Ou seja,numa corrida de táxi a pronúncia incorreta do nome da rua pode te deixar aquilômetros de distância do destino desejado (risos).

 

Voltaria a morar no Brasil? Por quê?

Sim, voltaria. É o meu país, é onde está minhaigreja, onde tenho minha família, minhas raízes. Agora, se você me perguntassese eu “gostaria” de voltar ao Brasil a resposta seria diferente.

 

E gostaria?

Claro que gosto de voltar ao Brasil. Mas, sedepender de mim, será apenas para passear e matar as saudades. Como Servo deAdonai estou disposto a ir onde Ele me enviar, mas se me for dado a opção deescolher, escolho Israel para sempre. É em Israel que desejo criar os meus filhos,passar a minha velhice e, quem sabe, repousar o corpo após a morte. Se oMashiach não voltar antes.

 

Você é cristão? Pertence a alguma denominação?

Sim. Sou Batista, membro da Igreja BatistaFundamentalista Cristo é Vida, de Fortaleza, no Ceará. Quando estive em Israelcongreguei-me  na Kehilat Hamaayan, quefica na região do Sharon (Saron), em Kfar Saba e, como disse no início, naEuropa estou servindo a Yeshua na Igreja Baptista de Cantanhede, da região deCoimbra.

 

Do ponto de vista cristão o que significa Israelpara você? E mais, o que significa morar em Israel?

O Evangelho chegou primeiro a esta região. DeJerusalém espalhou-se para a Judeia, Samaria até chegar aos confins da terra.Naquela época a igreja tinha um belo equilíbrio entre judeus e gentios. Com opassar dos séculos, a ordem de pregar aos judeus foi negligenciada pelosverdadeiros cristãos. Entre os judeus muitas vezes foi imposto umpseudo-cristianismo, pela força, através de pogrons, inquisições, batismosforçados, etc. Uma violência sem medidas que afastou o judeu do B'rit Hadashahe da Igreja de Yeshua, levando-o a um distanciamento que até hoje impede quemuitos O reconheçam como  seu verdadeiroMashiach. E, infelizmente, nos dias de hoje quase ninguém está disposto a pagaro preço para fazer cumprir o imperativo de Romanos 1.16, onde Paulo, depois deafirmar que o evangelho de Cristo é o poder de Deus para salvação de todoaquele que crê, faz uma ressalva: “Primeiro do judeu”!  Para mim, morar em Israel e testemunhar deYeshua aos judeus é concretizar esta ordem.

 

Quais as diferenças, e semelhanças, do cristãobrasileiro para o cristão israelense?

O cristianismo brasileiro é muito sincrético.Mesmo entre muitas denominações ditas evangélicas existe um amálgama decrendices populares e bordões populares que estão quase se tornando versículosapócrifos. Tudo isso tem levado os cristãos brasileiros a um afastamentogradual da interpretação literal da Bíblia. Os cristãos israelenses,principalmente os judeus messiânicos, têm um profundo respeito pela santidadedas Escrituras. Além do mais, são beneficiados pelo contexto. Enquanto os“heróis nacionais” brasileiros foram pessoas como Tiradentes, Duque de Caxiasou Ayrton Senna, entre os grandes heróis nacionais israelenses encontramosDavid, Abraão, Moisés, Esther e Mordechai. Enquanto nossas lendas falam deSacis Pererês e Mulas sem Cabeça, as histórias israelitas lembram Sansão, Josuéou os irmãos Macabeus. Enquanto nossos feriados celebram santas e padroeiras,as Chaguim (Festas) judaicas são quase todas fundamentadas em episódiosbíblicos. Enquanto estudamos Entradas e Bandeiras nas aulas de História, ascrianças israelenses se debruçam sobre os livros de Crônicas e Reis paraestudarem a História da sua pátria. Sem contar que é emocionante, por exemplo,você fazer um estudo bíblico no livro de Juízes estando ao pé de uma oliveiraao lado do vale onde provavelmente aconteceu o episódio em que Sansão causou oincêndio com as 300 raposas.

 

Na sua opinião qual é o caminho para o fim daintolerância religiosa?

A apostasia.

 

Como assim?

Quem quiser agradar ao mundo para obter paz,fatalmente incorrerá em apostasia. Yeshua mesmo nos alertou que em seaproximando o fim dos tempos o mundo se tornaria mais e mais “intolerante” comos Seus, se é que podemos usar este termo. Veja bem, não estou pregando ataquesfísicos contra aqueles que se nos opõe, isso além de não é bíblico tampouco écristão. Quem faz isso são os islamitas, pois segundo o Alcorão o infiel devemorrer. Já segundo a Bíblia, como afirmou Yeshua e Marcos registrou, se eupregar o Evangelho a alguém e esta pessoa não o receber, devo bater o pó dasandália. Ficar calado e aceitar diferenças, que se chocam com a Escrituras,simplesmente com o  objetivo de agradar,não é “fazer concessões”, é apostatar. Seguir a Cristo requer tomada dedecisão, quente ou frio, quem for morno será vomitado. É isso que dizApocalipse 3.16, não é mesmo?  

 

Por falar em muçulmanos, Israel é um país cercadode Estados Islâmicos.  Então eu lhepergunto: A Terra Santa é um lugar seguro para os cristãos?

Bem, deixe-me responder-lhe com dadosestatísticos. Existe uma organização missionária [Missão Portas Abertas] quetodos os anos faz um mapa dos países onde os cristãos mais correm riscos.Olhando para este mapa percebemos que Israel encontra-se no meio de nada maisnada menos do que 44 dos 50 piores lugares do mundo para um cristão viver!Mesmo assim, Israel não só é um lugar seguro para os cristãos como também paraos crentes da fé Bahai, para os tibetanos, para os ateus e até mesmo para osmuçulmanos. Nenhum muçulmano se sente tão seguro nos seus países de origemquanto os muçulmanos israelenses se sentem na Terra Santa.

 

Não é essa a ideia que muita gente tem...

Pois é. E esta é uma das razões pelas quais o queescrevo no Blog é importante. Há algum tempo publiquei um vídeo que fiz durantea festa da Unificação de Jerusalém, o Yom Yerushalayim. Eu estava acompanhandoa tradicional caminhada que se faz a cada ano, principalmente por jovens, eesta descia de um centro comercial de Jerusalém em direção à Cidade Velha. Derepente numa das ruas, e em sentido oposto, observei que estavam a subir duasmulheres e um homem... árabes. Imaginem a cena: Uma multidão de israelitas,cantando palavras de ordem em exaltação à sua Cidade Eterna, indo em sentidocontrário à três desprotegidos “adversários”. Neste momento, apontei a minhacâmera e comecei a filmar. Quando a multidão se encontrou com os três árabes,imediatamente surgiram possantes motocicletas da polícia israelense! que improvisaram um cordão de isolamento para queeles prosseguissem o seu caminho sem serem molestados. À frente ia um policialpedindo que os jovens judeus descessem da calçada para que os árabesprosseguissem. O vídeo está lá no blog para quem quiser assistir. Agora eu lhepergunto: Você consegue imaginar uma cena dessas numa situação inversa, ouseja, no coração de uma ditadura islâmica? Três judeus topando de frente comuma turba islâmica resultaria em linchamento na certa.

 

14 de maio é um dia muito importante para Israel.Conte-nos sobre esse dia histórico e qual sua perspectiva em relação a isso.

Nenhum povo na história da humanidade foi tãohumilhado quanto o povo Judeu. Nenhum povo foi tão tenaz em voltar para a suaterra, depois de ser expulso dela tantas vezes, como foram os judeus. Por quasedois mil anos este povo esteve disperso por todo o mundo aguardando orestabelecimento do seu Estado. Depois de cada Pessach (Páscoa), os judeusrepetiam, onde quer que estivessem, a emblemática frase “LeShaná HaBa'áB'Yerushalaim!”, que traduzido significa, “O ano que vem, em Jerusalém!” Elesrepetiam isso, pois criam que sua Terra um dia lhes seria devolvida. E issoaconteceu em 14 de maio de 1948. Para os estrategistas sionistas, aquelaspessoas que acreditavam simplesmente na tenacidade do povo judeu, este dia foia realização de um sonho, já para nós, que cremos na Bíblia, foi mais que isso,foi a concretização de uma profecia: “Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viucoisas semelhantes? Poder-se-ia fazer nascer uma terra num só dia? Nasceria umanação de uma só vez? Mas Sião esteve de parto e já deu à luz seus filhos.” Ora,isso foi escrito por Isaías quase 2.700 anos antes do dia 29 de Novembro de1947, data da histórica Assembléia Geral das Nações Unidas, que aprovou  a Resolução 181 prevendo a criação do ModernoEstado de Israel. Seis meses depois, David ben Gurion leu, no salão do Museu deTel Aviv, a Declaração de Independência do Estado de Israel. Para os judeus erao dia 05 de Iyar do ano de 5.705, para o mundo, 14 de maio de 1948. ComoSionista que sou, é isso que celebro neste dia. E como creio que este é um dossinais de que Yeshua, o Mashiach de Israel, está para voltar, esta é a maisimportante razão pela qual celebro o 14 de Maio.

 

Do ponto de vista político, como é a relação dogoverno do brasileiro com Israel? E como os brasileiros são recebidos pelosisraelenses?

Os israelenses sabem bem distinguir o GovernoBrasileiro do Povo Brasileiro. Os oito anos de Governo Lula foram bastantedesgastantes para as relações Brasil-Israel. Lula gostava de afagar ditaduras,fossem elas islâmicas ou inimigas de Israel, e foi no seu Governo que oItamarati produziu uma constrangedora gafe diplomática. Passando por Israel,Lula deixou de cumprir a protocolar visita ao túmulo de Theodor Herzl, oidealizador do Moderno Estado de Israel, um ritual diplomático praticado portodos os Chefes de Estado que se encontram em Jerusalém. No dia seguinte,depositou flores numa cerimônia oficial junto ao túmulo da terrorista YasserArafat. Mais que uma descortesia para com o Governo Israelense, foi uma falhadiplomática imperdoável. Com a ascensão da Presidente Dilma Roussef as coisasse tornaram mais amenas, mas nem por isso mais próximas.

 

E os brasileiros em si?

Ah, estes sim são extremamente bem quistos pelosisraelenses. Circular pelas ruas de Israel vestindo uma camisa da SeleçãoBrasileira é ter a garantia de que receberá sorrisos em retribuição. Além domais, é comum vermos nos jornais, propagandas citando o Brasil. Há dois anos,um dos prêmios mais cobiçados pelos apostadores da Loteria local é uma série deviagens paradisíacas ao Rio de Janeiro. E passando por Tel Aviv não se espantese entrando num bar você ouvir o clássico “O Trem das Onze”, do compositorAdoniran Barbosa, sendo cantado em hebraico.

 

O que você diria para determinadas pessoas que préjulgam Israel como nação perigosa e violenta?

A estapergunta eu respondo com outra: Sentado numa mesa do calçadão da praia de TelAviv, eu posso responder a esta entrevista usando um celular de última geração,um tablet ou notebook. E isso às três horas da madrugada! Você pode fazer omesmo na sua cidade?


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Pedidos de oração:

Pela família Kedoshim, atualmente em Portugal servindo ao Senhor e se preparando para o campo.

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