ATÉ PELAS PULGAS – Parte II

ATÉ PELAS PULGAS – Parte II

Ontem começamos a ler o texto da Késsia Marinho, em que ela cita uma passagem marcante do livro “Refúgio Secreto”, de Corrie ten Boom, que traz uma importante lição sobre reconhecer com gratidão a provisão de Deus até em circunstâncias difíceis e que, no momento, não podemos compreender.

“Durante a ocupação nazista da Holanda, Corrie e sua irmã Betsie foram presas e levadas para um campo de concentração. Em determinado momento, elas foram colocadas em um dormitório extremamente precário, onde havia muitas mulheres amontoadas e, para completar o sofrimento, o lugar estava infestado de pulgas.

Corrie, naturalmente, não via absolutamente nenhum motivo para agradecer por aquilo. Havia coisas pelas quais era possível agradecer — a providência de Deus, a companhia uma da outra, a oportunidade de falar de Cristo. Mas pulgas? Aquilo parecia absurdo.

Betsie, porém, lembrou sua irmã de uma ordem muito clara das Escrituras:
“Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” – 1 Tessalonicenses 5:18
E elas começaram a agradecer.

Corrie não conseguia entender. Em sua mente, as pulgas eram apenas mais uma coisa terrível naquele lugar. Mas Betsie insistiu: se a Palavra dizia “em tudo”, então havia naquele sofrimento uma razão para confiar e agradecer, ainda que elas ainda não soubessem qual era.

Mais tarde, elas descobriram o motivo.
Os guardas não entravam naquele dormitório para revistá-las justamente por causa das pulgas. E, por isso, Corrie e Betsie puderam realizar ali reuniões de oração e estudos bíblicos, e muitas mulheres tiveram a oportunidade de ouvir o Evangelho.
As pulgas que pareciam apenas um incômodo estavam sendo usadas pela providência de Deus como instrumento para proteger aquele ministério.

Que lição preciosa para nós.
Não existe acaso na providência de Deus. Não existem “pulgas” que escapem das Suas mãos. Aquilo que para nós parece pequeno, inconveniente ou até mesmo doloroso está debaixo da administração perfeita daquele que conhece o fim desde o princípio.

E isso muda a maneira como atravessamos as dificuldades.

Não significa chamar o mal de bem, nem fingir que a dor não dói. Significa olhar para a dor sabendo que Deus é soberano sobre ela e que Ele é suficientemente sábio para usá-la para os Seus bons propósitos.

Romanos 8:28 nos lembra que Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que O amam. E qual é esse bem? O versículo seguinte nos mostra: sermos conformados à imagem de Seu Filho.
Essa é uma das grandes obras de Deus em nossa vida: Ele está nos fazendo parecidos com Cristo.

E, para isso, Ele usa também aquilo que nós jamais escolheríamos.
Usa a espera.
Usa a frustração.
Usa a limitação.
Usa a oposição.
Usa o desconforto.
Usa as perdas.
Usa até as nossas “pulgas”.

Talvez hoje exista alguma “pulga” incomodando você.
Algo que você gostaria que Deus simplesmente retirasse.
Talvez seja justamente nesse lugar que o Senhor esteja ensinando você a confiar mais nEle, a depender mais dEle, a mortificar a murmuração, a desenvolver perseverança, a cultivar contentamento ou a descansar na Sua providência.

Por isso, irmãos e irmãs, não esperemos entender tudo para agradecer.
A gratidão cristã olha para além da circunstância e contempla o Deus que está governando a circunstância.

Hoje podemos dizer:
“Senhor, eu não entendo esta pulga. Não consigo enxergar por que Tu a permitiste. Mas porque conheço a Ti, posso confiar que ela não está aqui por acaso. Se Tu a permitiste, Tu também és capaz de usá-la para a Tua glória e para o meu bem. Portanto, em tudo, eu Te dou graças.”

Que Deus nos livre de uma fé que só é alegre quando tudo está confortável.
Que Ele nos dê uma fé madura, capaz de permanecer contente no meio das circunstâncias difíceis, porque encontrou sua satisfação não nas circunstâncias, mas no próprio Deus.
Até pelas pulgas.
Porque, no fim, não é sobre as pulgas.
É sobre a certeza de que o Deus que governa as pulgas também governa a nossa vida.
E, se Ele governa, podemos agradecer.

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