
O QUE É CRER/CONFIAR?
“Não temas, ó vermezinho de Jacó, povozinho de Israel;
Eu te ajudo, diz o SENHOR,
e o teu Redentor é o Santo de Israel!”
Isaías 41:14
Eu estava lendo um testemunho de um pastor que quase morreu de medo ao voar num pequeno avião, e me lembrei que eu também passei por uma experiência muito parecida, porém, talvez, mais intensa.
Há alguns anos, viajei para o interior do Amazonas (fronteira com o Peru e Colômbia), para visitar uma igreja batista que um missionário havia iniciado (nos confins da terra).
A região era realmente no coração das três amazônias: a brasileira, a peruana e a colombiana.
Lá o missionário me falou que, sobrevoando a floresta, havia visto um grupo de índios na selva densa (uma tribo que nunca tinha tido contato com a civilização).
Eu fiquei curioso – e sugeri que a gente fosse de avião até lá, e levasse uma caixa com mantimentos, roupas e artigos que talvez eles precisassem, como panelas, baldes, copos, agasalhos, etc.
O missionário era piloto e voava num pequeno hidroavião.
Nossa estratégia era ‘aterrissar’ o avião num rio perto da tribo e deixar perto deles a caixa com os mantimentos e utensílios.
Seria o início de uma amizade.
Na manhã seguinte, com a caixa bem cheia, e eu vazio de experiência e juízo, fomos em busca da tribo perdida.
Sobrevoar a selva amazônica num aviãozinho pequeno, que tremia mais do que os meus joelhos, foi uma experiência apavorante.
Como não encontramos a tribo (eles provavelmente já haviam mudado de lugar), ficamos sobrevoando a selva, procurando em voos muito baixos, quase se enganchando em ramos das árvores mais altas (eu só pensava temeroso nas piranhas lá embaixo, numa batida do avião num galho, e pensando que, mesmo que escapasse do acidente, não escaparia da selva).
Diante daquela imensidão de floresta que se perdia no horizonte, naquele pequeno e frágil avião monomotor com “mal de Parkison”, eu me senti uma formiguinha, uma minhoca.
Naquela sensação de medo, de fragilidade, em me lembrei de Isaías 41:14: “Não temas, ó vermezinho de Jacó, povozinho de Israel; Eu te ajudo, diz o SENHOR…”
E percebi a diferença entre crer e confiar.
Eu acreditava em Deus, mas realmente estava confiando em Deus?
A promessa de Deus em me tratar como um vermezinho que precisa de cuidados me fortaleceu.
Continuamos a missão, encontramos uma outra aldeia (mas como estava longe de qualquer rio ou canal, não podemos descer).
Sobrevoamos, demos volta e acenamos. Eles acenaram para nós também.
E num voo bem rasante, eu consegui abrir a porta do avião e jogar a caixa.
Eles pegaram e acenaram agradecendo.
Ao nos afastar, podíamos ver os nativos abrindo e com alegria tirando as coisas de dentro da caixa.
Mas, não precisamos de uma experiência tão louca como essa, para realmente perceber se realmente confiamos em Deus, ou se apenas cremos que Ele existe.
Confiar que Deus está presente, que cuida de nós, que está sempre à frente de nossas lutas e problemas, glorifica ao SENHOR e faz muito bem à nossa alma.
Obs. Ao voltarmos, feliz pela missão realizada, mesmo com o medo e os perigos reais, dei ações de graça ao SENHOR Jesus!
Ali distante de tudo, numa das regiões mais selvagens e longínquas do planeta, se tornou real a promessa do SENHOR que diz, no Salmo 61:1-2:
“Ouve, ó Deus, a minha súplica; atende à minha oração. Desde os confins da terra clamo por ti…!”
